sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

SL Benfica no Ermasport Volleyball Classic

A equipa sénior de voleibol do SL Benfica vai participar no torneio de final de ano Ermasport Volleyball Classic, em Almelo na Holanda. É um torneio de prestígio na região, vai realizar a sua 20ª edição, e no qual as equipas portuguesas têm participado regularmente. É a segunda vez que o SL Benfica participa, a primeira aconteceu em 2004, numa época em que o SL Benfica venceu a competição e também o seu último campeonato nacional. Este torneio pode ser um bom teste para as capacidades da equipa a competir com outras equipas europeias, de modo a preparar uma futura participação nas competições europeias de voleibol. Na época após a primeira participação do SL Benfica no Volleyball Classic a equipa participou nas competições europeias (Top Teams Cup) e alcançou os quartos de final. Tal como aconteceu com a equipa de basquetebol, o SL Benfica apostou primeiro na consolidação da equipa a nível interno para depois participar em melhores condições nas competições europeias. E neste momento parece-me que temos a melhor equipa do voleibol nacional.

As outras equipas participantes no torneio são:
Draisma Dynamo - vencedor da dobradinha na Holanda, tem muita experiência europeia e ganhou a Top Teams Cup em 2003, este ano participa na Taça Challenge (terceira competição europeia);
Rivium Rotterdam - outra equipa de topo na Holanda, vencedora do torneio em 2008;
Unicaja Almeria - uma das grandes equipas de Espanha, vencedora do torneio em 2009, participante na última edição da Liga dos Campeões e na actual Taça CEV (ex-Top Teams Cup, segunda competição europeia);
Amriswil Volley - vencedor da dobradinha na Suíça, finalista do último Volleyball Classic, participa na Taça CEV;
Euphony Asse-Lennik - esta equipa belga é presença recorrente no torneio, vai para a sua 16ª particição, participa também na Taça CEV.

Creio que estas equipas serão uma boa preparação para um SL Benfica europeu, o voleibol nacional está ao nível do espanhol, no entanto estes têm mais experiência em competições internacionais, as restantes equipas também têm muita experiência internacional, arrisco dizer que apenas o voleibol belga apresenta um nível superior ao nosso (no que a clubes diz respeito) mas através de duas outras equipas que disputam a Liga dos Campeões.

Participações portuguesas:
1998 GC Castêlo da Maia - vencedor
2000 Esmoriz GC - quarto
2004 SL Benfica - vencedor
2005 Esmoriz GC - terceiro
2007 SC Espinho - vencedor
2009 SC Espinho - terceiro

Calendário de jogos:

28/12/2010
09h30m Grupo A SL Benfica - Draisma Dynamo
11h00m Grupo B Unicaja Almeria - Rivium Rotterdam
12h30m Grupo A Draisma Dynamo - Volley Amriswil
14h00m Grupo B Rivium Rotterdam - Euphony Asse-Lennik
15h30m Grupo A SL Benfica - Volley Amriswil
17h00m Grupo B Unicaja Almeria - Euphony Asse-Lennik

29/12/2010
09h30m Jogo 1 3º Grupo A - 2º Grupo B
11h00m Jogo 2 2º Grupo A - 3º Grupo B
17h00m Jogo 3 Vencedor Grupo A - Vencedor Jogo 1
19h00m Jogo 4 Vencedor Grupo B - Vencedor Jogo 2

30/12/2010
10h00m 5.º/6.º Vencido Jogo 1 - Vencido Jogo 2
12h00m 3.º/4.º Vencido Jogo 3 - Vencido Jogo 4
18h00m Final Vencedor Jogo 3 - Vencedor Jogo 4

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Leitura recomendada: Cosme Damião – O Homem Que Sonhou O Benfica

No que diz respeito a leitura sobre o Sport Lisboa e Benfica, sou um leitor exigente. Não me contento com qualquer malheirice, quando folheio algum livro sobre o SL Benfica com potencial para me interessar – à primeira vista, qualquer um – gosto de o fazer sem a sensação que eu conseguiria fazer melhor (sensação essa que adquiri, exageradamente e sem fundamento, ao longo do tempo). O livro de Ricardo Serrado, Cosme Damião – O Homem Que Sonhou O Benfica, foi um dos que me cativou a atenção e obteve o prémio da compra.

Ricardo Serrado é um historiador dedicado ao futebol. Tem tentado desmistificar e dar a conhecer a história do futebol português, segundo o próprio, com “crédito, rigor e conteúdo”, abstraindo-se de exaltações clubísticas. Já conhecia outro livro seu, de alto valor para a história do futebol português, do qual falarei noutra altura. Reconheço-lhe mérito no trabalho de investigação, que tal como o autor diz, criticando outros, deve conferir “credibilidade” e “honestidade intelectual”. No entanto…

O livro tem erros, começo, então, por apontar os que encontrei e seriam facilmente detectáveis numa revisão editorial.
É referido no livro que José Rosa Rodrigues, o primeiro presidente do Sport Lisboa, foi um dos dissidentes para o Sporting em 1907, isso não é um facto, dois dos dissidentes foram sim os seus irmãos António e Cândido. Talvez venha daí a confusão, que não deveria ter seguido para edição impressa e comercializada. Este erro ajuda a criar mitos e significados que o autor pretende fazer cair com o seu trabalho.
Ricardo Serrado refere-se ao Benfica, quando escreve sobre o primeiro dérbi entre o Sport Lisboa e o Sporting CP, deve referir exclusivamente o Sport Lisboa, clube que disputou esse jogo, e nunca como “o Benfica”.
O autor refere o “primeiro campeonato terminado pelo Sporting” quando fala do primeiro campeonato disputado pelo Sporting. Está a fazer referência ao facto do Sporting CP, constantemente, desistir do Campeonato Regional, mas isso acontece nos campeonatos seguintes. O primeiro terminado coincide com o primeiro disputado. No meu entender, o autor deveria aludir a esse facto, apenas, mais à frente.
Estou quase certo que há um engano quando um jogador do Fortuna de Vigo é referido como andaluz em vez de galego.
O clube designado como Third Larnack era o Third Lanark, o Earling é o Ealing, que ao contrário do referido no livro não era a equipa vencedora da FA Amateur Cup.

Quanto ao conteúdo propriamente dito, o livro começa por relatar a forma como a Casa Pia influenciou o carácter de Cosme Damião e como a instituição foi a base para a fundação do que é hoje o Sport Lisboa e Benfica. Não é apenas a história de Cosme Damião que é descrita mas também, indissociavelmente, a génese e parte da história do Sport Lisboa e Benfica, das suas estruturas e do seu ambiente social. Referem-se as dificuldades vividas durante as primeiras décadas da vida do clube, como isso influenciou a sua popularidade, e como Cosme Damião foi influenciador dos seus valores. Desde os tempos em que não era figura de proa, passando pelo aproveitamento da dissidência para o Sporting CP para se impor, até ao momento em que Cosme Damião “era o Benfica” e o seu final no Benfica. Através das suas acções e das suas obras descortinamos o carácter de Cosme Damião.

A leitura permite-nos perceber como Cosme Damião foi determinante na sobrevivência do Sport Lisboa após a dissidência de 8 jogadores da equipa de 1ª categoria para o Sporting. Como, foi importante na negociação de terrenos e construção do estádio de Sete Rios e, mais tarde, do das Amoreiras, apelando também à contribuição popular, que ajuda com jogadores, sócios e dirigentes nos trabalhos de construção do estádio. Momentos em que o povo criou ligações com o clube, porque vê crescer algo seu e sente mais próximo o engrandecimento do clube. Estas dificuldades criam uma ligação popular ao clube – pois, viscondes não precisam de construir com as próprias mãos – e mais fácil de transmitir de pai para filho. Estava formado um clube onde as pessoas não se importam de tomar banho de água fria, de jogar à chuva e de trabalhar ao domingo para o colectivo.

A saída de Cosme Damião do seu SL Benfica ajuda a definir o seu percurso até aí. Em 1926, surgiu uma lista concorrente à sua nas eleições do clube, lista essa que o convidou a ser presidente caso fosse eleita – cargo que nunca quis ocupar no SL Benfica –, apesar de divergirem quanto à orientação que o clube devia seguir. Para Cosme Damião era um acérrimo defensor do amadorismo, num momento em que o clube já se ressentia dessa prática, não concebia a ideia de pagar a alguém para jogar no SL Benfica; dizia mesmo “Não há jogadores que queiram jogar por amor ao clube?” Perdeu as eleições e recusou integrar a lista rival, retirou-se. Teve muitos convites para regressar, apenas aceitou ser presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Durante grande parte do livro, questionei a razão de não ser abordada a vida privada de Cosme Damião, mais tarde é abordada: não tinha. Durante mais de 20 anos abdicou da sua vida privada pelo SL Benfica, sem nunca receber remuneração. Dedicou-lhe apenas tempo depois de abandonar o activismo no SL Benfica.

Foi admirado até pelos seus opositores. No capítulo em que se fala sobre a sua morte, o seu legado e o que ele criou (o Sport Lisboa e Benfica) chorei baba e ranho.

No último capítulo, sobre a mística benfiquista, o autor alonga-se demasiado falando de Sporting CP e FC Porto. Se vejo méritos ao capítulo, por situar Cosme Damião na origem da mística, não vejo necessidade de se explorar tanto temas que não lhe dizem respeito. Creio que o autor teria matéria para escrever outro livro e não deveria ter sido explorada neste.

Concluo dizendo que, apesar de por vezes repetitivo, é um bom livro e aborda uma parte importante da história de Portugal. Devia ser leitura escolar entre o 5º e 6º anos.


Leitura OBRIGATÓRIA para os benfiquistas.

O Benfica das bancadas

Ontem a equipa de futebol perdeu por um golo, os adeptos foram goleados. Relembro que há jogos que se começam a ganhar nas bancadas:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pior só o César Peixoto

Esta noite pior que a exibição dos jogadores do SL Benfica foi, como já se esperava, a exibição dos adeptos. Voltaram a provar que são os "maiores adeptos do mundo" mas apenas quando estão a ganhar. Para serem realmente grandes deviam aprender algo com muitos adeptos europeus que têm passado pelo estádio do SLB, especialmente estes do Shalke. Foram incansáveis no apoio à sua equipa, como nunca vi os do SLB, apesar de já estarem qualificados na Champions e estarem mal classificados na liga nacional deslocaram-se numerosos ao estádio do SLB.

Este jogo foi mais uma demonstração de como os Diabos Vermelhos estão praticamente extintos, falta apenas a declaração final. São tão raros (ou estão tão escondidos) que quando vir um acho que lhe vou tirar uma foto. Os No Name Boys estiveram tão apagados que, aquando da sua primeira manifestação audível de apoio à equipa, até foram alvo de chacota por parte dos adeptos do Shalke; salvou-se a parte final da partida, quando apesar de perdido o jogo mostraram que ainda queriam apoiar o SLB.

Mais vergonhoso que a exibição da equipa foi: a falta de adeptos no estádio; o pouco apoio que os adeptos presentes prestaram; os assobios à equipa; os aplausos ao segundo golo do Shalke; entre outros hábitos já costumeiros no estádio do SLB...

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Antevisão Benfica vs Schalke

Não só vamos ganhar como vamos fazer com que esta gentinha do frio deseje nunca ter acordado para esta noite, para este jogo, para esta humilhação. A equipa de Jesus vai arrancar uma exibição à Benfica, a lembrar as famosas quartas-feiras europeias em que os gigantes do velho continente eram atropelados pela magia encarnada e sufocados pelo inferno da Luz.

Prevejo duas equipas na sua máxima força, ou seja, um Benfica imensamente superior e a vingar a injustiça que foi a derrota na primeira volta na Alemanha. Prevejo um Schalke medroso, com uma abordagem extremamente defensiva e um estilo de jogo muito táctico sem arriscar um milímetro para evitar perdas de bola comprometedoras e contra ataques letais do Benfica.

Aimar vai ser o maestro da partitura de Jesus. David Luiz vai ser o jogador com maior destaque nas recuperações defensivas e no confronto físico. Tacuara Cardozo vai marcar um hattrick. Saviola, Javi Garcia e Gaitán vão completar o 6-0 histórico que o Benfica vai aplicar à débil formação alemã.

Vamos retomar o rolo compressor. Vamos mostrar na Europa o que verdadeiramente somos. Vamos encher o inferno da Luz. Vamos espalhar magia. Vamos fazer jus à nossa história. Vamos ganhar.

Carrega Benfica

domingo, 5 de dezembro de 2010

Futura Liga Ibérica: Utopia ou Realidade?

Tem se falado nos últimos tempos de uma Liga Ibérica que iria unir as Ligas de Espanha e de Portugal.

Para que esta fusão possa acontecer terá que haver acordo entre as duas ligas e não vejo em que aspecto, esta fusão possa interessar à Liga Espanhola.

A Liga Espanhola é uma das melhores ligas do mundo e já vende a sua liga para muitos países, incluindo Portugal.

A média de assistência na Liga Espanhola é de 28 mil espectadores enquanto que na Liga Portuguesa é de 10 mil espectadores. E apenas 2 clubes em Portugal superam esta média (Benfica com 38 mil e Porto com 40 mil) ficando o Sporting perto da média espanhola com 25 mil espectadores.

Estes valores podem dever-se à menor capacidade dos estádios portugueses, mas se analisarmos em termos de ocupação dos estádios observamos que:

- na Liga Espanhola a média de ocupação é de 74% contra os 42% da Liga Portuguesa;
- a menor taxa de ocupação da Liga Espanhola pertence ao Racing Santander com 51%, valor igual ao Sporting e ao Guimarães na Liga Portuguesa.
- na Liga Portuguesa há 6 clubes com ocupação inferior a 30%, isto é, nem 1/3 do estádio consegue ocupar.


Através destes gráficos e dos pontos atrás enunciados, percebemos que apenas Benfica, Porto, Sporting, Guimarães e Braga teriam hipóteses na Liga Ibérica em termos de assistências.

Aos outros clubes que não entrariam na Liga Ibérica, as suas condições iriam piorar pois sem as visitas dos grandes as suas receitas iriam diminuir cada vez mais.

Além dos clubes também poucos ou nenhum árbitro português iria apitar nessa liga, pois o seu nível é muito baixo.

Aos 5 clubes que poderiam entrar creio que iriam sentir muitas dificuldades no início, mas se se conseguissem manter na 1ª Liga durante os primeiros 3, 4 anos creio que poderiam ficar mais fortes no futuro, principalmente os 3 grandes de Portugal.

As receitas iriam aumentar substancialmente (receitas televisivas, patrocínios, bilheteira), e seria mais fácil atrair jogadores para os clubes, visto que actualmente, um dos problemas em trazer jogadores de renome deve-se ao facto da qualidade da Liga Portuguesa ser fraca.


Para o Benfica seria uma decisão interessante.

Estando integrado numa Liga Ibérica, as suas receitas, principalmente as televisivas e de patrocínios iriam aumentar.
Seria mais fácil adquirir jogadores de renome para o plantel. Se jogando na Liga Portuguesa conseguimos trazer jogadores como Aimar, Saviola, Reyes, Suazo e Miccoli, jogando numa Liga com Real Madrid e Barcelona seria mais fácil atrair jogadores.

No início o Benfica sentiria dificuldades em lutar pelas posições cimeiras, mas creio que em 2, 3 anos seria possível o Benfica lutar pelo título com o Real Madrid e o Barcelona.

Mas toda esta ideia não passa de uma utopia, pois além de a Liga Espanhola não ter interesse nesta Liga Ibérica, o Porto também não deve achar uma boa ideia, pois em Espanha não seria possível a Pinto da Costa exercer o domínio de uma forma corrupta como consegue fazer em Portugal.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

13ª Jornada - Benfica - Olhanense (Ante-visão)

Neste jogo espero uma vitória tranquila.

O Olhanense ocupa actualmente o 9º lugar na tabela da Liga. Não vence para a Liga há 6 jornadas e nos jogos fora regista 3 empates e 3 derrotas.

Se o Benfica jogar o que sabe e pode, alcançará uma vitória tranquila.


O treinador Jorge Jesus deverá apostar no seguinte 11, que derrotou o Beira-Mar na jornada anterior:

Roberto;
Maxi, Luisão, David Luiz e Coentrão;
Javi, Amorim, Gaitán e Martins;
Cardozo e Saviola.

PS - Se o Roberto jogar de verde, não ganhamos.

Carrega Benfica!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Futsal: Benfica 4 - sporting 2


Grande ambiente no Pavilhão da Luz. Apoio incansável do princípio ao fim, apenas manchado pelas cenas no final por parte das claques do sporting (mas já é costume o seu mau perder).

O Benfica entrou no jogo praticamente a perder mas conseguiu dar a volta e terminou a 1ª parte na frente por 3-2. Na 2ª parte entrou forte, com vontade de resolver a partida mas foi só a 7 minutos do fim que marcou o 4º golo.

O Benfica demonstrou grande entre-ajuda entre todos os seus jogadores e isso foi fundamental na parte final do jogo quando o sporting jogava com guarda-redes avançado. O meu destaque individual vai para o Diego Sol. Impecável a defender, a atacar e com uma garra e entrega fantásticas. A sua excelente exibição foi coroada com o último golo do Benfica.

Apesar de ausências importantes (Bebé e Joel Queiroz) a vitória do SLB não sofre qualquer contestação.

Golos: Davi, Diece, Gonçalo Alves e Diego Sol.

FIBA EuroChalenge 2010/11 - 2ª e 3ª jornadas

Depois de ter assistido, nas duas últimas terças-feiras, aos dois jogos que a equipa de basquetebol do SL Benfica disputou em casa na FIFA EuroChallenge, venho analisar o rendimento da equipa.

Concluo que este ano a equipa não está tão forte quanto no ano passado. E qual é a principal diferença? João Santos. Não existe um substituto para a sua função na equipa - extremo com bom jogo exterior. Mas esta não é a minha única preocupação para esta época. A equipa tem uma média de idades alta, o que se pode fazer sentir na fase decisiva da Liga. Não existem muitas soluções no banco de suplentes, é demasiado notória a diferença de qualidade entre os jogadores mais utilizados e os outros.

Esta época o SL Benfica voltou às competições europeias - o que prezo - e para o fazer é porque, claramente, está apostado em fazer boa figura. Logo, a carga de jogos importantes aumentou, sendo descurados os jogos da fase regular da Liga nacional - o que já vem sendo notório na abordagem a alguns dos últimos desafios, onde o empenho dos jogadores foi mais comedido que o habitual. Como tal, vai ser muito difícil conseguir o primeiro lugar da fase regular, perdendo a vantagem do factor casa na final do play-off, isto perante uma equipa do FC Porto mais forte que qualquer adversário dos últimos anos.

Em relação à forma de jogar, a equipa está a prolongar demasiado os ataques, levando-os quase até ao último segundo, procurando então soluções desesperadas. Esta lentidão mostra alguma falta de criatividade atacante. Tem faltado, em alguns momentos, agressividade na defesa, o que aliado a períodos de desconcentração tem permitido muitos ataques fáceis aos adversários. A equipa tem passado, em todos os jogos a que tenho assistido, por períodos de adormecimento, levando a ter que passar por grandes esforços na sua parte final para vencer os oponentes.

89-84 Lugano Basket
(18-22; 20-25; 27-17; 24-20)
A chave para a dificuldade desta partida terá sido a acumulação de faltas (bastante duvidosas) por parte de Heshimu Evans. Quando este mostrava ser um jogador decisivo na manobra defensiva da equipa, foi punido com duas faltas nos primeiros minutos, sendo naturalmente substituído, voltou a entrar no terceiro período e enquanto empurrava a equipa para o equilíbrio no resultado foi punido com mais duas faltas, saiu outra vez. Só voltou a entrar na parte final do jogo quando já não valia a pena protegê-lo da exclusão.

A equipa suíça não precisou de mostrar muita criatividade ou sequer qualidade de jogo para se adiantar no marcador. Enquanto o SL Benfica perdia tempo sem procurar soluções no ataque o adversário concretizava ataques rápidos sem uma oposição defensiva concentrada. O Lugano no início do jogo apostou muito e com sucesso no jogo exterior. Chegando a dispor de uma vantagem de 14 pontos durante o segundo período.


A vitória do SL Benfica deveu-se sobretudo aos períodos em que Heshimu Evans esteve em campo e à pontaria de Sérgio Ramos e Ben Reed, que conseguiram ir contrariando a falta de soluções atacantes. Greg Jenkins, apesar de ter sido com Ben Reed o melhor marcador do encontro (22 pontos), mostrou-se muito perdulário em lançamentos de meia distância, mesmo sem oposição a pontaria não estava afinada, compensou como é hábito na luta debaixo das tabelas.

80-74 Tartu Rock
(23-17; 23-17; 21-22; 13-18)
No início do jogo poder-se-ia prever uma noite mais descansada para o SL Benfica. Começou mais concentrado que no jogo anterior e o adversário estava com problemas na finalização, falhando muitos lançamentos. Desta forma o Benfica adiantou-se no marcador de forma que parecia irrecuperável para os estónios. A vantagem era de 12 pontos ao intervalo e chegou a ser de 15 pontos já durante o quarto período. Mas...

Mais uma vez a equipa adormeceu, as perdas de bola desastrosas na defesa e o prolongamento de ataques sem lançamento, ou lançamentos desesperados, levou a que se passasse de uma vantagem de 15 pontos para desvantagem de um ponto sem que se convertesse um único lançamento. A 2 minutos e 53 segundos do final o Tartu passou para a frente (72-71) mas só voltou a marcar no último segundo do jogo.


Neste jogo destaco a importância de Cordell Henry que já mostrou estar entrosado com a equipa e fez-se valer do seu jogo exterior para sobressair, foi também o principal organizador do jogo atacante do SL Benfica. Mas quem mais contribuiu para a vitória foi Greg Jenkins, que apesar de continuar a mostrar lacunas ao nível do lançamento, ganhou o jogo debaixo das tabelas e já durante o último minuto do desafio fez um desarme de lançamento, um ressalto ofensivo (decisivo) e um ressalto defensivo. Heshimu Evans continuou a mostrar-se capaz de penetrar pela defesa adversária, um aspecto em que Sérgio Ramos não esteve tão bem, ao contrário do que é seu hábito.


De notar que nos dois jogos apenas 3 jogadores - Sérgio Ramos (7), Cordell Henry (6) e Ben Reed (5) - conseguiram concretizar lançamentos triplos; 10 contra o Lugano e 8 contra o Tartu. (Havendo apenas mais 4 tentativas por 3 jogadores.)

Depois do que vi nestes dois jogos creio que o Benfica tem qualidade suficiente para se qualificar para a fase seguinte da competição. Apesar dos resultados equilibrados em casa, a equipa mostrou ser melhor que os adversários, podendo naturalmente ganhar em casa de qualquer deles. A equipa suíça é a que poderá apresentar maiores dificuldades ao SL Benfica, mas se o Benfica apresentar uma defesa mais aguerrida que em Lisboa terá boas condições para vencer.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Prognóstico Beira-mar x Benfica

Vitória merecida do clube da águia, após uma partida equilibrada em termos de competitividade, com o Glorioso a tomar partido das suas mais-valias ao nível de unidades com maiores índices técnico-táticos, logrando assim levar de vencida a congénere aveirense.

O jogo que opôs a equipa da casa aos campeões nacionais em título pautou-se por uma regularidade exibicional pouco típica dos confrontos entre formações habitualmente separadas por um fosso pontual na tabela classificativa. O Beira-mar apostou numa maior concentração defensiva, mas sem abdicar de procurar ser feliz, nomeadamente através de lançamentos em profundidade para as costas da defensiva encarnada, buscando a pujança física e rapidez dos seus atacantes.

O Benfica, atravessando um momento menos bom da época, soube contrariar o factor casa e assumir as despesas do jogo, canalizando o seu fluxo ofensivo em iniciativas maioritariamente de cariz colectivo, procurando assim transmitir maior confiança às suas unidades. Efectivamente, beneficiou também do apoio constante dos milhares de adeptos que se deslocaram ao Estádio Municipal de Aveiro, fazendo fé na sua crença de ultrapassar as dificuldades do actual cenário encarnado — nomeadamente tendo em conta a época de grande regularidade do adversário, que esta época ainda não tinha sido batido no seu reduto.

A partida iniciou-se com algumas cautelas de parte a parte, fruto de uma natural retração da equipa da casa e também das difíceis condições colocadas aos atletas pelo frio que se fazia sentir ao nível do solo. Mas cedo se adivinhou o figurino da partida, com o Benfica a apostar na pressão alta e assim impedir as unidades adversárias de partir isoladas para o meio-campo encarnado. Sem Aimar, por lesão, coube a Javi Garcia e Carlos Martins funcionarem como pêndulo da equipa, soltando eficazmente a bola para os sectores avançados. Aí, Maxi Pereira revelou um entendimento crescente com Ruben Amorim, partindo para o ataque em triangulação e revezando-se nas tentativas de um para um.

No entanto, o Beira-mar revelou um grande discernimento defensivo, rechaçando as iniciativas individuais e colectivas encarnadas e tentando partir para o contra-ataque, sem cair na tentação de soltar logo a bola, mas pensando em construir apoio para os homens lá à frente. Só que a concentração defensiva dos elementos encarnados mais recuados permitiu-hes cair em cima das jogadas antes que estas ganhassem maior abrangência em termos de aberturas para as alas, canalizando assim as iniciativas aveirenses para o corredor central, onde um imperial Luisão se mostrou a um bom nível, ajudado pelo sempre disponível David Luiz.

Assim, o jogo parecia encaminhar-se para o intervalo com um empate natural a zero bolas no marcador, apesar do maior pendor ofensivo do Benfica, expresso na sua dominação em termos territoriais e de percentagem domínio de bola. Mas uma infantilidade do nigeriano Kanu (pelo menos o outro era nigeriano), que puxou pela camisola de Oscar Cardozo na zona de rigor aquando da marcação de um pontapé de canto, iria contrariar os esforços da equipa da casa. O controverso árbitro Bruno Paixão não claudicou na hora de assinalar o castigo máximo, permitindo ao melhor marcador da época transacta encarar o guarda-redes na marcação da grande penalidade.

Regressado de uma arreliadora lesão, o Tacuara teve assim a oportunidade de aumentar o seu pecúlio pessoal, retomando a busca da revalidação do seu título individual: efectivamente, logrou transformar esta oportunidade soberana com um remate lento após a estirada do guarda-redes na direcção contrária. As equipas recolheram ao balneário de seguida, com a marcha do marcador a conferir alguma justiça ao desenrolar do jogo jogado, mesmo se não traduzido em ocasiões claras de alvejar nenhuma das balizas.

Naturalmente galvanizado, o Benfica partiu para os segundos quarenta e cinco minutos com o pé no acelerador, tentando garantir assim os três pontos e aproveitar o empate entre os eternos rivais Sporting e Porto. No Beira-mar, por seu lado, podia-se especular sobre alguma confusão na hora de partir com a bola controlada, derivado a uma dúvida sobre a melhor opção técnico-táctica a tomar: tentar salvaguardar a sua zona recuada e apostar em contra-ataques solitários, ou jogar o jogo pelo jogo, buscando o tento que permitiria o empate.

O maior pendor ofensivo do Benfica manifestou-se logo no dealbar da segunda parte: sempre pela direita, Ruben Amorim serviu Oscar Cardozo de forma irrepreensível, apenas para o internacional paraguaio falhar o contacto com a bola de uma forma displicente, para desespero do colega. Em resposta, quaisquer questões sobre a postura da equipa da casa foram desfeitas quando Ronny teve uma chance soberana para igualar a partida: felizmente, optou ao invés por um cabeceamento fraco quando estava isolado perante Roberto, que agradeceu ao colega de profissão tê-lo poupado a maiores calafrios.

O jogo prosseguiu animado, até que aos 14 minutos da etapa suplementar Cardozo, sedento de regressar à senda dos golos, deu expressão ao maior poderio atacante dos encarnados: desferiu um excelente remate colocado à entrada da área, após recuperação de bola de um Nico Gaitan mais esforçado nas tarefas defensivas que habitualmente. O ponta de lança dava assim uma machadada na tentativa de reação da equipa da casa, decidindo o destino do jogo numa altura em que se poderiam começar a adivinhar algumas dificuldades na transição ofensiva da equipa lisboeta.

Nomeadamente, até este segundo golo sentia-se nos adeptos benfiquistas nas bancadas alguma apreensão derivado a uma possível contrariedade em termos de resultado (e consequente não-aproveitamento para reduzir a desvantagem pontual em relação ao Futebol Clube do Porto): o Beira-mar poderia virar o jogo em seu favor nalgum lance fortuito, derivado ao seu crescente fulgor atacante e à indecisão sobre o posicionamento de Fábio Coentrão e sua compensação efectuada por David Luiz, ainda lembrado do jogo contra o actual líder da tabela.

Mas o momento de inspiração do paraguaio revelou-se providencial para acalmar a equipa, permitindo-lhe assentar jogo durante o resto do desafio e servindo como um verdadeiro banho de água fria para os jogadores adversários. De resto, Nico Gaitan revelou-se como uma unidade capaz de alicerçar as subidas repentistas de Coentrão, conferindo coesão no corredor esquerdo e aliviando David Luiz desta tarefa — para a qual o internacional canarinho não se sente particularmente vocacionado.

Assim, foi sem surpresa que, decorridos apenas sete minutos, o argentino Saviola culminava com um oportuno terceiro golo após solicitação de Oscar Cardozo. De destacar o grande trabalho do goleador da selecção sul-americana, com uma espectacular iniciativa individual dentro da grande área, plena de entendimento com o pequeno atacante alvi-celeste. Efectivamente, Cardozo surpreendeu o veterano Hugo ao rodar com a bola colada ao pé esquerdo, o seu preferido, rasgando pelo central aveirense e permitindo-lhe servir com facilidade o colega.

Com o jogo decidido, o Benfica optou por baixar o ritmo atacante, lançando no terreno unidades menos rodadas e apostando na circulação de bola, perante um Beira-mar já algo desmoralizado pelo resultado excessivo. Mais uma vez, esta ausência de intencionalidade encarnada em termos de área contrária permitiu à equipa do Beira-mar obter um golo tardio: embora fruto de uma fragilidade defensiva estranha num sector com grande disciplina táctica na época passada, este tento aligeirava a derrota sofrida pela equipa anfitriã, cujos números não espelhavam a exibição relativamente equilibrada de ambas as equipas.

De destacar a capacidade de timing e esclarecimento do central Hugo, que mostrou aos colegas mais inexperientes como é possível apresentar elevados índices de eficácia já com 34 anos: embora a sua disponibilidade física não seja comparável a quando militava na equipa principal da Sampdória, um posicionamento correcto e boa leitura das movimentações contrárias recordou os tempos na formação cisalpina: só foi batido aquando do segundo golo, em que a finta inesperada do Tacuara não lhe permitiu encontrar os rins para cortar a linha de passe para Saviola.

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Melhor jogador:

Cardozo (5): Grande regresso, com um penálti pleno de cinismo, um golo de levantar o estádio e uma assistência após grande iniciativa pessoal. Alan Kardec deve estar preocupado pelo fulgurante regresso do colega à posição que tão bem conhece.

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Notas:

Roberto (4): Boa exibição, seguro a sair dos postes e a coordenar o posicionamento dos colegas, rápido a soltar para o ataque.

Luisão (4): Intransponível na defesa, ameaçador nas bolas altas atacantes, serviu para arrastar sempre jogadores adversários na marcação de livres e pontapés de canto.

Fábio Coentrão (4): Afoitou-se no ataque sempre que pode, sem descurar a defesa. Disponível e sempre ao seu estilo, deu-se bem com Nico Gaitan e teve pormenores de entendimento com partida rápida para a área contrária, para desespero dos defesas adversários. Amarelo injusto.

David Luiz (4): Seguro e menos rendilhado que normalmente, apostou na jogada fácil sem descurar a qualidade de passe e a saída com a bola controlada para o ataque.

Ruben Amorim (5): Grande exibição do polivalente internacional luso, agarrando a posição e combinando com Maxi Pereira para permitir situações de superioridade numérica no corredor direito e solidez defensiva perante os extremos do Beira-mar.

Javi Garcia (5): Sempre eficaz na recuperação de bolas, a ausência de Aimar obrigou-o a correr mais para entregar a bola jogável, objectivo que cumpriu sempre que solicitado.

Carlos Martins (4): Menos fulgurante que normalmente, apostou mesmo assim nas penetrações pelo corredor central, quer através de passes de morte, quer partindo com a bola colada ao pé.

Nico Gaitan (4): Foi menos notado no ataque, mas apenas porque se preocupou em fechar o corredor canhoto, permitindo a Fabio Coentrão aventurar-se em velocidade. Sólido e pouco egoísta, demonstrou motivos de preocupação para o colega César Peixoto.

Maxi Pereira (4): Rápido e sem complicar, parece estar cada vez mais de regresso à forma que evidenciou no ano passado e durante o Campeonato do Mundo. Com ele, o Benfica arrisca-se sempre a construir lances de desiquilíbrio pela ala direita.

Saviola (4): Mais móvel e repentista que nos últimos jogos, preferiu jogar para a equipa e espreitar as oportunidades construidas pelos colegas. Marcou um golo graças à sua boa leitura de jogo, mostrando um crescente entendimento com "Tacuara" Cardozo e dando aos sócios e adeptos do Glorioso sintomas em termos de uma renovação desta dupla concretizadora.

Kardec (3): Entrou para permitir a Cardozo recuperar do esforço físico, disputando os lances com a sua habitual entrega física e tentando construir entendimentos com os colegas.

Salvio (3): Ingressou no terreno de jogo para ganhar minutos e adquirir maior entrosamento com a equipa. Não falhou.

Jara (3): Substituiu Saviola e tentou imprimir a mesma dinâmica que o colega, embora a equipa já estivesse em regime de contenção de esforços.

Moreira (2): Boa postura no banco, sempre atento e a apoiar a equipa.

César Peixoto (2): Incansável no visionamento do jogo, como é seu estilo.

Sidnei (2): Muito forte na luta contra o frio, nunca deu tréguas ao fecho do kispo que revelava falta de esclarecimento na hora da concretização.

Nuno Gomes (2): Um verdadeiro símbolo no banco do Benfica, a sua mobilidade e instinto de posicionamento permitiu-lhe trocar de cadeira ao intervalo.

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Árbitro

Bruno Paixão (1): Infeliz no posicionamento e tardio a assinalar um livre indirecto, apenas o notável desportivismo dos atletas e colegas de profissão o impediu de escrever mais um capítulo negro na história do desporto nacional.

Prognósticos só no fim

Inauguro aqui a minha rubrica de apreciação das partidas encetadas pelo Glorioso nas competições nacionais e europeias. Tentarei ser relativamente imparcial, mas com algumas ressalvas naturais em termos do meu benfiquismo, nomeadamente:

- O Benfica nunca joga mal; na pior das hipóteses, abdica de posicionamentos mais ofensivos, demonstra alguma permeabilidade defensiva ou revela unidades em claro sub-rendimento físico ou com baixos índices técnico-táticos.

- O treinador do Benfica nunca se engana: no máximo, a sua leitura do jogo não é interpretada da maneira mais correcta pelos executantes do desporto-rei, as condições do terreno não permitem à equipa pôr em prática o plano delineado ou a excessiva rispidez defensiva do adversário impede os atletas de colocar em campo todo o seu virtuosismo atacante.

- As outras equipas nunca são melhores que o Benfica: eventualmente, podem atravessar um momento de forma mais favorável à prática da modalidade, beneficiarem do factor casa ou lograrem travar o ímpeto atacante da equipa das águias.

- Os jogadores nunca se atrapalham com a bola: por vezes revelam algum nervosismo natural nas grandes partidas, estão ainda em busca da melhor forma ou desentendem-se com os colegas no capítulo da execução técnica, revelando alguma falta de entrosamento neste início de época (que é sempre que for preciso).

- Os remates do Glorioso nunca falham: os executantes podem ter uma maior dificuldade no momento de se enquadrarem com a baliza, a bola ganhar efeitos imprevisíveis ao bater no terreno de jogo, os atletas hesitarem no capítulo da concretização ou o guarda-redes adversário assumir-se claramente como protagonista do jogo.

- O árbitro nunca é competente: a maior parte das vezes patenteia uma postura condescendente com as equipas contrárias, não castigando algumas faltas mais viris como manda a lei. Em bastantes jogos revelará claramente uma má leitura das intervenções dos atletas das equipas contrárias, não deixando jogar e falhando na punição exemplar dos lances indicadores de desrespeito pelos seus colegas de profissão. Por vezes demonstrará claro favoritismo pelos oponentes, nomeadamente dando ao resultado contornos não expressos pela exibição das equipas no terreno de jogo.

Além dos pontos acima, efectivamente vale a pena referir que não irei constatar os nomes da maioria dos jogadores adversários: estes já são referidos em certos meios de comunicação não afectos à família benfiquista, nomeadamente os jornais desportivos de maior tiragem.

De salientar a todos os bloguistas aí em casa que esta minha atitude a nível de transmissão da mensagem que quero fazer chegar aos leitores não expressa inverdades, mas tão somente uma forma muito particular de viver o jogo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ser Benfiquista: Nando

Ao contrário do veiculado na imprensa por alguns dos meus colegas de profissão em termos de Farmácia Franco, eu nasci do Benfica. O meu pai orientou os trabalhos no estágio de pré-temporada, nomeadamente ao tocar o hino do Glorioso em cassete junto à barriga da minha mãe, ou a obrigá-la a beber minis e comer sande de coirato nas roullotes da antiga Catedral até às trinta semanas de gravidez.

Foi num domingo de Maio de 1976 que basculei do útero para as mãos da parteira: uma jogada de entendimento entre o meu pai e padrinho (que tinha carro e não podia beber) garantiu que após um compasso de espera estava inscrito no SLB com o número de sócio 43937. Quando levei a palmada da praxe, em vez de chorar rebolei nas mãos da profissional de apoio ao nascimento com uma cara de dor, piscando o olho à minha mãe enquanto ganhava tempo para que ela pudesse reposicionar-se em termos de fechar as pernas.

Assim, foi numa tarde ideal para a prática do desporto-rei que a massa adepta do clube encarnado passou a contar com mais um elemento nas suas fileiras — resultado das penetrações paternas pelo corredor central da minha mãe e consequente engrossar do fluxo atacante na zona de rigor. O nome já tinha sido prognosticado pelo meu pai, em homenagem ao pequeno avançado então promovido à equipa sénior do clube de Luz, nomeadamente o Fernando Chalana.

Daí em diante, a minha vida apresentou elevados índices de benfiquismo, e as conquistas e faltas do SLB avançaram em bloco com as minhas:

- Quando o Jordão se transferiu do Benfica para o Sporting, depois de um ano no Saragoça, em 1977, ainda eu era um elemento das camadas sub-3 na Creche "Menino Rabinos", aos Sapadores. As escolhas técnico-táticas, nomeadamente um time-sharing que correu mal com o meu tio na França, levou a minha família a uma excursão pascal à Palestina. Foi assim que apanhei uma infecção de salmonelas no rio Jordão, ao mesmo tempo que o ponta de lança luso-africano assinava contrato com o João Rocha.

- Em 1983, o Glorioso perdeu (injustamente, claro) a Taça UEFA contra o Anderlecht. Dois dias antes, o meu tio falhava uma jogada de triangulação com um andaime em Bruxelas (onde pagavam melhor que na França), terminando o encontro com um saldo claramente negativo: Andaime: 4 costelas, Tio: 0. Não teve direito a segunda mão, mas na queda partiu as duas.

- Mesmo nas pequenas coisas se revelou o meu benfiquismo: dois anos depois, o Estádio da Luz fechava o terceiro anel enquanto eu ajudava o meu pai a fechar a marquise da nossa nova casa em Mem Martins.

Também só visionei o Dartacão porque equipava à Benfica, e anos mais tarde recusei-me a comparecer na sala de estar durante a emissão televisiva das tartarugas ninja, que viviam no esgoto de Alvalade e eram orientadas por um rato que parecia o Marinho Peres (mas sem o mau aspecto).

Infelizmente, também não torcia pelo Shredder, que conclui ser sócio ou simpatizante do Futebol Clube do Porto: era mais velho, acompanhado de capangas com pouca inteligência de jogo e utilizador de métodos que não têm lugar no desporto-rei.

- Em 1993, tinha 17 aninhos quando Paulo Sousa e Pacheco abandonaram o Glorioso, aliciados por Sousa Cintra. Para dar a volta ao resultado em termos de tristeza, aliciei a minha colega (do curso profissional de metalo-mecânica) Paula para irmos para a serra de Sintra, mas a penetração não se concretizou porque ela cheirava a peixe seco.

Dado o adiantado da hora, e em jeito de resumo, avanço que a minha vida revela muito o meu posicionamento em linha com o SLB, e vice-versa. Mas o pouco tempo de descontos concedido só me permite lançar em jogo mais um exemplo, numa troca por troca com uma das unidades deste texto em claro sub-rendimento:

- Fiz a tropa em 1994-1995, ano em que Artur Jorge transformou a filosofia de jogo do Benfica, apostando nomeadamente em jogar sem bola — já que o esférico não estava entrosado com os jogadores que então despontavam no clube das águias.

Por coincidência, fui então expulso no decorrer da primeira parte do curso de fuzileiro: durante uma simulação de assalto urbano, sem intenção tropecei num paredão e disparei um tiro do meio da rua que rasgou pelo escudo defensivo do recruta mais próximo. O seu nome era Tavares, e revelou-se um perna de pau.

Embora o encontro não fosse nada amigável, não fiquei desiludido com o resultado: estava em inferioridade física e a necessitar de ser assistido fora de campo por Rennies e canja de galinha. A explicação para a falta de pontaria na hora de alvejar o adversário? Um alívio de ressaca mal curada, fruto de comportamentos menos correctos no final de um comício da secção de Marvila do Partido Comunista…

Benfica sempre!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ser Benfiquista: Gandaia

Eu não nasci benfiquista, até porque a minha mãe era adepta do Porto e o meu pai do Sporting.

Com os meus 6 anos eu era do clube da minha mãe, apenas porque era o clube da minha mãe.
Depois passei a ser do clube do meu pai, pela mesma razão que fui do clube da minha mãe.

Aos domingos à tarde, ia com os meus pais a Belém passear e "tentar" jogar à bola com o meu pai.
Havia por lá umas bancas a vender artigos desportivos de clubes. Eu pedi ao meu pai o equipamento do Sporting, algo renitente em gastar dinheiro no equipamento resolveu comprar-me os calções do Sporting.

Em Outubro de 1987 o meu padrinho, que era um grande benfiquista e já me falava muito do Benfica, ofereceu-me de prenda de anos o equipamento do Benfica. Lembro-me de ficar deslumbrado com a cor do equipamento.

O meu 1º jogo no Estádio da Luz foi contra o Honved e ganhámos 7-0. Após esse jogo o meu amor pelo Benfica continuou a crescer.
Mas foi em 1990 que o meu amor pelo Benfica ficou oficializado. O Benfica jogou a final da Taça dos Campeões Europeus contra o Milan. Perdemos por 1-0 com um golo de Rijkaard. Passei o jogo de joelhos em frente à televisão agarrado a uma toalha vermelha (não tinha cachecol) e no fim do jogo desatei a chorar. Foi o começo de uma relação indestrutível.
Desde esse dia a minha relação com o Benfica, não se explica, sente-se.


Muitos nasceram Benfiquistas, muitos escolheram o Benfica. O importante é ser do Benfica.

PS - Os meus pais, hoje em dia, são Benfiquistas.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ser Benfiquista: Filipe

Como posso eu explicar o inexplicável? Não posso! Posso apenas dar uma ideia do que sinto mas só uma ideia e quem não sentir algo parecido não vai nunca compreender.

Sou do Benfica porque não poderia ser de mais nada. Eu sou o Benfica, pelo menos é isso que os meus olhos dizem ao meu cérebro. A ponta dos dedos, os poros da pele e todos os outros pontos sensoriais do meu corpo dizem o mesmo, Benfica, tu és Benfica. Então é mesmo isso que eu sou, Benfica, das unhas dos pés às pontas do cabelo passando pelo o resto do corpo numa espécie de electricidade viral.
Se o Benfica está a jogar posso até não ver, nem sempre consigo, há casamentos e baptizados para ir, mas não consigo deixar de imaginar a equipa que vai entrar, o resultado ao intervalo, a fantástica exibição, a vitória. Ganhamos sempre, é só assim que eu consigo pensar, sou limitado a este padrão! Por fim, nem sempre ganhamos mas é sempre necessário saber todas as características, todas as condicionantes daquele jogo. É preciso vê-lo outra vez. Haverá, de certeza, alguma justificação.
Os adversários do Benfica! Quem são? Não existem. O Benfica não tem adversários. Jogamos contra todos e todos nos encaram da mesma forma, todos querem ser iguais a nós! Nós somos os maiores, nós somos os melhores. Não há como o Benfica, não há como nós.
Por vezes perguntam-me se vou ao estádio mas o estádio é a minha casa, não compreendem isto? Como poderia deixar de ir? Sinto-me bem quando estou por lá. Não concebo uma semana sem saber quais os jogos, de que modalidades e a que horas se jogam na Luz. O site do Benfica é naturalmente a homepage, tenho que ouvir todas as notícias, tenho que saber todos os resultados.
Até durante o dia, no trabalho, o assunto resvala para a paixão e os benfiquistas juntam-se no recém criado núcleo benfiquista dos trabalhadores da empresa do qual sou membro fundador e agitador compulsivo.

Ser do Benfica é isto? Não, isto sou eu, isto e mais. Sempre me conheci assim e não vejo razão para mudar.