domingo, 21 de outubro de 2012

Vivam as eleições!

 «Vamos baixar as quotas e os bilhetes até janeiro. Esta medida já estava a ser pensada e não é demagogia. Quero um estádio sempre cheio e não meia casa», Luís Filipe Vieira, ontem.

Gostava que ele se tivesse lembrado disto antes de eu ter comprado o RedPass...

Quando o IVA subiu para os bilhetes de espectáculos desportivos, o presidente também disse que o clube iria suportar a diferença e não os sócios. No entanto, curiosamente o aumento dos preços dos lugares cativos são aproximadamente no valor do aumento do IVA. Será que os lugares cativos não contam como  bilhetes?

Pronto, pelo menos desta vez não é demagogia!

As eleições para os órgãos sociais do clube deviam ser como o Natal; todos os anos - nestas alturas o aumento de solidariedade para com o próximo (neste caso sócio e adepto) é notória. (Podem ser eleições apenas da direcção. Alteração dos estatutos já!)

Notas soltas sobre a campanha eleitoral (4)


Modalidades

A recuperação das modalidades, tanto no escalão sénior como na formação e até, nalguns casos, na vertente feminina, tem sido fantástica na última década. É preciso não perder de vista a situação inicial. Houve uma aposta diretiva na prestação das modalidades há vários anos que culminou com um dos melhores resultados de sempre na época anterior. Mas o que é mais fantástico é que os apoiantes do Benfica, eu incluído, acreditam, de forma confortável, que a  próxima época pode ser ainda melhor. Esta é a melhor prova de que o trabalho feito é de qualidade, sustentável e com futuro, resumindo, o que se quer. Tenho apenas a mágoa de ainda não ter assistido ao investimento sério no râguebi, uma modalidade histórica no clube.
Este foi um trabalho de muitas pessoas mas o rosto desse trabalho, até pelo seu estilo efusivo, é o do vice presidente João Coutinho (no Benfica desde 2008). A ser verdade que foi dispensado por LFV, é algo que me desagrada profundamente. Gostaria de saber a razão desta decisão e quem tomará o seu lugar. Na lista de Rui Rangel, gostaria de saber qual o rosto para encabeçar as modalidades.

sábado, 20 de outubro de 2012

Entrevista a Luís Filipe Vieira

Entrevista a Luís Filipe Viera efectuada pelo Correio da Manhã - 20 de Outubro de 2012



Em nove anos na presidência do Benfica, ganhou apenas 2 campeonatos. O FC Porto foi sempre melhor?

Não, simplesmente foi o clube mais ajudado. Se quiser, houve uma conjugação de dois factores: por um lado, um Benfica ferido em estado terminal e desacreditado nacional e internacionalmente, financeiramente de rastos e sem infra-estruturas, e do outro lado, um sistema dominado e comandado por quem todos sabemos e que ficou à vista de todos no processo "Apito Dourado".


Que papel tiveram as arbitragens nas vitórias do FC Porto e nas derrotas do Benfica?

A resposta a essa pergunta está em várias gravações de conversas entre árbitros e dirigentes que a nossa justiça preferiu ignorar. Também por isso, pela impunidade que algumas pessoas parecem gozar, é que o nosso país chegou onde chegou.


Quais os árbitros que não gostaria de ver nos jogos do Benfica?

Apenas aqueles que se sintam condicionados. Errar todos erram, mas errar sempre em prejuízo do Benfica é que nos faz pensar que afinal de contas o dito "sistema" do futebol nacional ainda não acabou. Não sou dos que acham que todos erram de propósito, mas registo que alguns erram efectivamente mais do que outros e sempre contra nós e isso deve ser objecto de reflexão.


Que tipo de relações vai privilegiar com o FC Porto e Sporting?

A única relação que verdadeiramente me preocupa e vou continuar a privilegiar é a relação com os nossos sócios e adeptos.


A uma semana das eleições (26 de Outubro), que mensagem deixa aos sócios?

Que votem. O Benfica tal como hoje o conhecemos pode acabar. Não há qualquer projecto alternativo do outro lado, mas sim um conjunto de interesses pouco transparentes. Está muita coisa em causa e o voto dos benfiquistas é fundamental.


Qual o seu projecto para os próximos quatro anos, se vencer as eleições?

Basicamente, consolidar tudo o que até aqui temos feito. Temos das melhores infra-estruturas a nível mundial, uma estrutura profissional altamente competente que tem sabido incorporar inovação em tudo em tudo o que fazemos, um canal de televisão, um museu que vai deixar os portugueses, e não apenas os benfiquistas, orgulhosos do trabalho realizado. Temos de consolidar tudo o que fizemos nestes anos e reforçar a aposta no sucesso desportivo, nomeadamente a nível da equipa de futebol profissional.


O que pode prometer?

Apenas trabalho e total dedicação. Quem prometer mais do que isto está a ser demagógico.


Jorge Jesus tem contrato até Junho de 2013. Vai renovar?

O nosso treinador trouxe estabilidade, com ele ganhámos 1 campeonato, fizemos sempre boas campanhas a nível das competições europeias, ganhamos outros títulos a nível nacional, passámos a praticar um futebol que o Benfica já não conhecia há muito tempo, valorizando muitos jogadores. Mas ainda é cedo para dizer o que vai acontecer no final da época.


Por que motivo incluiu José Eduardo Moniz na sua lista?

Porque mesmo quando estivemos em lados opostos sempre disse que José Eduardo Moniz era uma pessoa válida. Quando há três anos disse que teria a minha porta aberta para quem quisesse contribuir e apresentar propostas não estava a ser demagógico. José Eduardo Moniz apresentou ideias, discutiu comigo durante meses alguns dossiers  portanto, foi com agrado que vi a sua disponibilidade para poder vir ajudar-nos. Vai ser uma mais-valia para o futuro do Benfica.


Em Abril de 2003 disse que Moniz era um "mau exemplo" por não pagar quotas há 31 anos...

As razões de uma suposta candidatura do José Eduardo Moniz, naquela altura, não eram claras e algumas das pessoas que supostamente o rodeavam não eram sérias. Aliás, tive oportunidade de saber posteriormente que houve algumas pessoas que enganaram Moniz naquele período, que quiseram aparecer ao pé dele para se credibilizar e dar uma ideia de uma proximidade de que de facto não havia. Esses continuam aí, agora com outras pessoas, mas com os mesmos interesses. É verdade que, em relação à frase que refere, reagi de forma emotiva, nada mais que isso.


Em Junho de 2009, Moniz não avançou, mas frisou que "seria fácil" ganhar-lhe as eleições, devido a sondagens que tinha...

É um período da história que não vale a pena desenterrar. Sei que não seria fácil ganhar-me e ele também sabe disso risos), mas o importante é o presente e tudo aquilo que vamos poder construir no futuro.


José Eduardo Moniz vai ser remunerado?

Há muita gente que ainda não descobriu que ser  presidente do Benfica não é uma profissão, nem um cargo remunerado. Ser membro da direcção do Benfica deve ser honra suficiente para quem merecer a confiança dos benfiquistas. Enquanto for presidente do Benfica, esta é uma regra que se vai manter - os órgãos sociais do Benfica não serão remunerados. Já agora, gostava de perguntar ao juiz Rui Rangel, se ele eventualmente viesse a ser presidente do Benfica e uma vez que não poderia continuar a exercer a profissão, vai viver de quê? Isso sim é algo de que os benfiquistas devem ser informados.


José Eduardo Moniz pode ser o seu sucessor?

Primeiro vamos falar de 26 de Outubro. 2016 ainda vem longe, creio que são dois perfis válidos mas diferentes, mas estou seguro de que haverá mais pessoas com capacidade para servirem o Benfica.


É verdade que Rui Rangel só avançou depois de saber que não iria na sua lista?

Não sou eu que devo responder. Ele decidiu avançar e é candidato à presidência do Benfica, é o que interessa. Não vou entrar por um tipo de campanha negativa que espero poder evitar.


Rui Rangel já confirmou que teve uma reunião consigo. De que falaram?

De tudo menos daquilo que alguém entendeu divulgar, mas a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima, mais cedo ou mais tarde. E já agora não foi uma reunião, mas sim um encontro.


Se Rui Rangel vencer as eleições, que futuro prevê para o Benfica?

Garantidamente mais difícil e muito mais conturbado. Não conheço nenhuma instituição anterior em que ele tenha tido responsabilidades de gestão, a não ser a Associação Sindical de Juízes, o que aos 63 anos é manifestamente pouco. Mas já não posso dizer o mesmo de algumas das pessoas que o rodeiam e, seguramente, que as instituições financeiras que hoje trabalham de forma regular connosco vão olhar para isso.


Acha que a Banca não irá trabalhar com Rui Rangel?

Acho que tiveram oportunidade de perguntar, de verificar onde estamos e qual é o rumo que temos definido para o futuro. Se não falaram com as instituições financeiras, se não lhes apresentaram as suas ideias, é porque efectivamente não acreditam ter condições para poder assumir os destinos do clube. Formar uma lista com interesses tão variados e tão diferentes como aqueles que as pessoas que integram a lista do juiz Rui Rangel protagonizam não é seguramente um bom cartão-de-visita para nenhum banco. Um projecto estruturado não se apresenta a 10 dias do acto eleitoral.


Equaciona colaborar com Rui Rangel se perder as eleições?

É um cenário que não equaciono. Lidero o meu projecto, não colaboro em projectos em que não acredito, e muito menos com pessoas que já provaram não ter capacidade de gestão.


Falou recentemente de um regresso ao passado. Acha verdadeiramente que esse risco existe no Benfica?

Claramente, no próximo dia 26 está em causa o futuro do Benfica, que ninguém pense que a eleição está ganha. Tudo o que construímos ao longo de 11 anos pode ficar comprometido dia 26. Vale e Azevedo também era doutor e bem falante e fez o que fez. Eu só tenho a 4ª classe, mas orgulho-me da obra feita.


Como reage quando ouve Rui Rangel dizer que nunca foi sócio do Sporting e do FC Porto?

Com a indiferença de quem sabe que é um argumento gasto, baixo, e não é propriamente uma declaração de quem se diz querer um debate sério e elevado. Mais, ao contrário dele tenho uma excelente equipa de profissionais, que são tão ou mais benfiquistas do que muitos dos que o rodeiam. E é bom quando ele fala com tanto entusiasmo de "devolver o Benfica aos benfiquistas" que olhe à sua volta e perceba quem é que o rodeia.


Está disponível para fazer uma auditoria às contas do Benfica, como é proposta do candidato Rui Rangel?

O Benfica tem duas auditorias por ano feitas por uma das quatro maiores empresas mundiais da área, a KPMG. Aliás, quando fui desafiado a assumir a presidência do Benfica essa foi uma das minhas únicas exigências, uma auditoria completa. E ela foi feita. A partir daí, somos auditados duas vezes por ano.


Se ganhar as eleições, será o presidente que mais tempo esteve no cargo...

Não é seguramente isso que me move. Vou apresentar-me aos sócios no próximo dia 26 porque considero que continuo a ser útil e que o projecto que começou com o presidente Manuel Vilarinho ainda não está terminado.


Vai cumprir o mandato?

Claro que sim. E que fique bem claro: no dia 26 não vai haver vencedores, nem vencidos, e eu serei presidente de todos os benfiquistas. A campanha e o ruído têm de acabar após as eleições.


As contas consolidadas da SAD revelam um passivo de 426,1 milhões de euros. Contudo, estes números são incluem os valores do passivo de outras empresas do grupo Benfica, como, por exemplo, o clube e a Benfica SGPS. Qual é o passivo total do grupo Benfica?

O passivo exigível consolidado é inferior a 370 milhões de euros, e destes 237 milhões correspondem ao passivo financeiro. Por muito que alguns pensem o contrário, uma mentira muitas vezes repetida não deixa de ser uma mentira.


Rui Rangel falou em 500 milhões...

Continuem a falar de 500 milhões do desnorte e da pouca credibilidade que têm e depois não se admirem de não serem levados a sério na Banca. Já agora, para que fique registado, mais de 80 milhões desse passivo são fruto da irresponsabilidade de um senhor chamado Vale e Azevedo e que a direcção de Manuel Vilarinho e as minhas tiveram de assumir. Gostaria de reforçar que aquilo que é relevante é o nosso passivo exigível, ou seja, a nossa dívida a fornecedores, bancos, etc. E nesse caso, só para citar o exemplo do clube, e deixando de lado as dívidas entre empresas do grupo Benfica, esse valor é de cerca de 12 milhões de euros, menos de metade das receitas que o clube gera. O nosso passivo não é um problema.


As vendas de Witsel e Javi Garcia asseguram um resultado positivo nas contas da SAD para a actual época?

Não, mas permitem-nos olhar com confiança para o que temos pela frente. Se não houver sobressaltos na participação das competições europeias, ou seja, se mantivermos a mesma competitividade que tivemos nos últimos 3 anos em que estivemos sempre entre os quartos-de-final e as meias-finais, posso assegurar que a SAD terá resultados positivos muito interessantes.


Witsel foi vendido por 40 milhões ao Zenit. Qual é a mais-valia da transferência para a SAD?

Existe um pedido de esclarecimentos em curso por parte da CMVM e, portanto, apenas posso repetir a informação que já foi tornada pública. O Benfica recebeu pela venda de Witsel 40 milhões de euros e os custos relacionados com o mecanismo de solidariedade são da responsabilidade do Zenit.


Quando será possível à SAD ter lucro sem necessidade de vender jogadores?

No último exercício, a SAD do Benfica apresentou um prejuízo de cerca de 11,7 milhões de euros. Caso tivéssemos aceite a proposta do sr. Joaquim Oliveira, já estaríamos com lucros significativos. Mas, como é sabido, entendi que esse não era o caminho que o Benfica deveria seguir.


A Benfica SAD registou custos de pessoal de 37,7 milhões nos primeiros 9 meses da época passada, o que significa perto dos 50 milhões no total da temporada. Tendo em conta que a grande parte dos seus atletas ganha mais do que 80 mil euros anuais, o novo tecto máximo de IRS imposto pelo Orçamento de Estado para 2013, qual será o impacto nas contas do Benfica da subida dos escalões?

Nenhum impacto. Já no passado houve mexidas nos escalões de IRS e o Benfica não procedeu a qualquer ajuste salarial dos seus atletas e funcionários.


O clube vai suportar o aumento de IRS ou os jogadores vão ter um corte substancial no seu ordenado líquido?

O clube e a SAD não se substituem aos seus profissionais no cumprimento das suas obrigações fiscais. O Benfica não vive isolado da sociedade. A actual crise tem implicações para todos e os jogadores não são excepção.


Como está o processo dos direitos televisivos?

Continuamos a desenvolver os trabalhos necessários para que em Julho de 2013 esteja encontrada e implementada a solução mais adequada e que vai de encontro aos interesses do Benfica e dos benfiquistas.


O contrato com a Olivedesportos termina no final desta temporada. O Benfica está disponível para voltar a negociar com Joaquim Oliveira?

O Benfica recebeu uma proposta do sr. Joaquim Oliveira há mais de seis meses. Como se sabe, essa proposta foi recusada e posso garantir que desde então são houve novos contactos entre a SAD e a Olivedesportos. Neste momento, não é crível que o Benfica e o sr. Joaquim Oliveira possam chegar a acordo.


A Olivedesportos ofereceu 22,5 milhões por ano (111 milhões num contrato de 5 anos), o triplo dos cerca de 7,5 milhões que o Benfica actualmente recebe. Espera obter mais dinheiro, sobretudo em época de crise?

Como é sabido, a decisão sobre os direitos televisivos não é apenas uma decisão económica. É também uma decisão política, como aliás ficou evidente nas últimas assembleias gerais do clube. Ainda assim, não tenho dúvidas de que será possível obter um valor mais próximo das nossas ambições, mesmo numa fase tão difícil da vida dos portugueses.


Junto de outro parceiro?

Está tudo em aberto.


Ou com a exploração dos próprios jogos?

Como disse, todos os cenários foram estudados.


O que falhou na negociação dos direitos televisivos dos jogos do Benfica com Pais do Amaral?

Falhou o facto do eng. Pais do Amaral não ter entendido a dimensão do Benfica. Mas são águas passadas e não me quero alongar sobre esse processo.


Caso o Benfica opte pela exploração dos seus próprios jogos, como será feito? No sistema pay-per-view ou podem fechar o canal apenas a assinantes? Porque valor?

A pergunta é interessante porque me permite, desde já, desmistificar uma ideia peregrina que por aí circula nesta última semana: o sistema pay-per-view não funciona em qualquer parte do Mundo, pelo menos num modelo que se pretenda capaz de maximizar as receitas de direitos televisivos. Só pode ter sido anunciado por quem se preocupou com o assunto pela primeira vez esta semana. Quanto ao resto, insisto que tudo está estudado, mas ainda não é altura indicada para revelar os resultados obtidos.


Como se sente quando vê actuar a Selecção sem jogadores do Benfica?

Com a certeza de que vamos inverter essa situação. Estivemos anos em que tudo foi canalizado na recuperação do clube e a nossa situação não é inédita a nível de grandes clubes europeus. Conseguimos recuperar a nossa competitividade, é certo que muito à custa do mercado sul-americano. Agora, de forma realista e gradual, vamos ter de voltar a incorporar jogadores portugueses no plantel.


O que está  fazer para inverter essa situação?

Os nossos escalões de formação têm jovens de enorme talento, só no ano passado houve 42 atletas do Benfica a serem convocados para as selecções nacionais jovens. Algo inédito, nunca antes  nenhum outro clube tinha contribuído com tantos jogadores, sinal de que o trabalho que estamos a realizar está a dar frutos.


Quantos atletas tem o Benfica na formação e quantos são estrangeiros?

Temos 309, apenas quatro são estrangeiros. Depois há ainda a equipa B, onde vários jogadores portugueses estão a destacar-se e a ganhar competitividade. Mas há uma coisa que muitas vezes os nossos sócios e adeptos não têm, que é paciência. Não podemos lançar um jogador português na equipa principal e esperar que ele faça tudo bem à primeira, que não falhe.


Se vencer as eleições, o Benfica vai continuar a apostar no mercado sul-americano? Porquê?

Com as limitações económicas que estamos a viver e vamos continuar a viver nos próximos anos, vamos apostar onde houver bons jogadores a preços acessíveis. Se for em Portugal, será em Portugal.


E em relação a Angola, Moçambique e outros países de expressão portuguesa? O que está a ser feito?

Estamos a chegar a esses países pela formação. Em Cabo Verde tive oportunidade de inaugurar uma escola do Benfica há menos de um mês. Em Angola e Moçambique estão em estudo projectos semelhantes, queremos ter uma ligação mais efectiva a países que evidentemente nos dizem muito e este é o caminho que escolhemos.


O Brasil vai ser um mercado prioritário, tanto na contratação de jogadores como em relação a outros negócios? Se sim, quais?

A economia brasileira está bem mais forte do que a nossa, portanto hoje em dia é mais difícil contratar no Brasil, não apenas pelo valor que os clubes pedem, mas igualmente pela massa salarial que os jogadores querem ganhar. Aliás, temos vindo a assistir, pela primeira vez em muitos anos, ao regresso de jogadores brasileiros que actuavam na Europa e isso tem a ver com a capacidade financeira que os clubes brasileiros têm nesta altura.


A entrada da PT - parceira do Benfica no lançamento do seu canal e patrocinadora do estádio e das camisolas - na Sport TV pode alterar a relação do Benfica com esta empresa?

Já tive oportunidade de debater esse hipotético negócio com quase todos os hipotéticos intervenientes do mesmo. Se quer que lhe dê a minha opinião, não acredito que o mesmo passe de outra coisa que não seja uma notícia de jornal. E não quero nem pensar que esse notícia possas ter sido colocada por alguém com interesse em proteger-se das decisões do Benfica nesta matéria. Ainda que as partes quisessem trilhar por esse caminho, duvido que a Autoridade da Concorrência tolerasse essa situação. Estamos muito satisfeitos como parceira com a PT e sei que o inverso também é verdade.


Já se falou com eventuais investidores sobre a venda do "naming" do Estádio da Luz, como o Benfica fez, por exemplo, com o Centro de Estágios do Seixal? Já recebeu alguma proposta? Está disponível para vender o nome do Estádio?

Estou disponível para em cada momento estudar qualquer negócio que permita ao Benfica aumentar as suas receitas. E o "naming" é um desses projectos. Caso a proposta seja interessante, como foram o "naming" das bancadas, Do Caixa Futebol Campus, ou dos pavilhões, não hesitarei em apoiá-lo.


Domingos Soares Oliveira já disse que a venda do "naming" do estádio terá de ser feita por um valor superior ao do patrocínio das camisolas, mais de cinco milhões de euros...

Não quero entrar em detalhes, mas entendemos que um contrato de "naming" do estádio deverá ser feito por valores significativos. E não digo mais.


O que ganhou o Benfica com a deslocação a Abu Dhabi há poucos dias?

Além do jogo amigável com o Baniyas, que vencemos por 4-0, ganhámos prestígio internacional, posicionamento de marca, proximidade com os adeptos naquela região e um conjunto de contactos de enorme valor. Acreito que em breve poderemos anunciar um reforço das nossas parcerias internacioanis, e o mercado dos Emirados é naturalmente estratégico para o Benfica e para qualquer clube que tenha as nossas ambições.


Qual foi o seu melhor acto de gestão?

A recuperação da credibilidade do clube, mas também o facto de termos conseguido trazer de volta a auto-estima dos benfiquistas é algo de que me orgulho. Parece que tudo foi fácil, mas deu muito trabalho. Houve um primeiro momento em que tivemos de travar a destruição que ameaçava a existência do próprio clube para, depois, iniciarmos o processo de recuperação.


E o pior?

Há sempre coisas que gostaríamos de ter feito de forma diferente. Já o disse em várias ocasiões, a saída do Fernando Santos foi precipitada. Às vezes não podemos ceder e agir por impulso.

Notas soltas sobre a campanha eleitoral (3)


Clube

Não quero o José Veiga novamente no Benfica mas usar esse pretexto para fazer passar, em AG, as medidas de revisão estatutária tal como agora existem pareceu-me uma manipulação de baixo nível. Não sou contra a diferenciação de votos, antes pelo contrário, acho-a fundamental para que não hajam surpresas indesejáveis, no entanto, não compreendo a razão das casas e filiais do Benfica terem direito de voto quando o máximo que deveriam ter era mesas de voto nas suas sedes, tal como não vejo sentido em só permitir que um sócio se candidate aos órgão sociais do clube com 25 anos de sócio após os 18 anos de idade o que faz mais difícil ser presidente do Benfica do que presidente da república!
Considero que a atual direção esteve mal quando fez esta proposta mas também condeno os sócios que permitiram que este cenário menos democrático exista no nosso clube. Incluo-me entre eles porque não marquei presença nesta AG.

Relativamente ao futuro museu, será uma infraestrutura importante que, dito pelo presidente, estará para inaugurar em breve e será de referência. A ser assim, agrada-me bastante. Realço a decisão de implementar uma serviço de conservação e restauro muito antes de inaugurar o museu.

A Fundação Benfica foi uma das melhores medidas de LFV. O Benfica não é só um clube de futebol, é uma instituição do país e como tal tem preocupações sérias com a comunidade em que está inserido. Além disso, pelo que sei de professores e pessoas ligadas ao trabalho empreendido pela fundação, o resultado é de enorme qualidade.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Notas soltas sobre a campanha eleitoral (2)


Marca

Foi feito um trabalho notável de recuperação e potenciação da marca em inúmeras frentes. A qualidade de conteúdos da BenficaTV funciona como ponta de lança da marca Benfica, não só internamente como nas comunidades portuguesas no mundo. O trabalho da atual direção nesta área tem sido notável e acredito que, continuando, vai inovar ainda mais.

Entrevista a Rui Rangel

Entrevista a Rui Rangel efectuada pelo Diário Económico - 19 de Outubro de 2012



Tem vários ex-dirigentes do clube na lista. Não receia que o vejam como mais do mesmo?

Não. Mais do mesmo é a lista de Luís Filipe Vieira com duas mudanças puramente cosméticas. Os dirigentes que fazem parte da minha estiveram com Vilarinho quando começou, de facto, a recuperação financeira e isso deixa-me honrado. Aliás, Fernando Tavares revolucionou as modalidades do Benfica, tendo sido elogiado pelo presidente na última assembleia geral.


Essa assembleia não deveria ter sido interrompida por causa do petardo que foi lançado?

O que a assembleia teve de mais relevante foi o chumbo às contas do clube, de forma clara e inequívoca, à gestão de 12 anos, nove como presidente e três como director no futebol. Mas os benfiquistas cultivam valores como a mística e a democracia, portanto não subscrevo o que tenha a ver com injúrias ou ofensas a Luís Filipe Vieira. Não aceito é que apareça como o grande equilibrador quando o aumento do passivo é assustador...

O passivo da SAD é elevado...

Vai a caminho dos 500 milhões e precisamos de esclarecimentos. Distingo passivo bancário, o qual é para cumprir na íntegra, e não bancário, realidade desconhecida com zonas de obscurantismo. Pedir uma auditoria é das primeiras medidas que tomaremos.


No Sporting, em função da auditoria às contas do Grupo, houve quem falasse em striptease. Não sucederia o mesmo ao Benfica?

Quando se lida com um clube com esta dimensão histórica, simbólica e pela importância que assume no desporto é fulcral dar o exemplo. Não existirá striptease. Queremos linguagem de rigor e seriedade para esclarecer os sócios sobre o monstro financeiro e acerca do fundo de jogadores.


Como se reduz o passivo?

Por exemplo, evitando que haja 95 jogadores sob contrato com o clube. O Benfica tornou-se um entreposto de compra e venda de jogadores e a carga salarial é brutal´. É preciso reduzir para 40/50 elementos: face à crise do País, a realidade do futebol não pode ficar de fora. Temos de actuar na área dos proveitos e estruturar preços mais compatíveis com os bolsos dos portugueses, baixando-os e aumentando a procura, dar o exemplo nesta mudança de paradigma.


Fala em apoio social?

Exacto. Jovens e reformados atingidos pela crise não podem ser esquecidos. A Fundação está quase no anonimato, não tem programas de solidariedade ou subsídios para crianças e jovens desfavorecidos. Queremos contribuir para resolver problemas de benfiquistas desempregados através de acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional.


Mantém a proposta de um debate com Luís Filipe Vieira?

Reitero-o com o objectivo de esclarecer os sócios, porque a cultura da arrogância não faz parte do Benfica e até para ser ditador é preciso inteligência.


Chama ditador ao seu rival?

Não fulanizo as questões, quero um debate elevado. O Benfica passou a ser um negócio quando, de facto, deve apenas fazê-los, porque o clube são os sócios. Não podemos desligar-nos do associativismo e ter uns estatutos que, além de afastarem os sócios, impediriam que grandes presidentes o tivessem sido. Alterá-los é outra medida que proponho, uma vez que, quando se exige mais do que a um presidente da República, conduz-se à perpetuação do poder.


Vieira nada fez de positivo?

Fez. A credibilização que abriu caminho a um reposicionamento na parceria financeira depois do caos; construiu o centro de estágio; iniciou a construção do museu; teve papel importante no novo estádio. Mas, ao contrário de mim, que gosto e joguei futebol, Vieira não gosta de futebol. Depois dele não vem o caos - tenho gestores reputadíssimos que sentem o Benfica e, se Domingos Soares de Oliveira é sportinguista, a minha equipa tem gente capaz sem se intrometer nas áreas comercial e do futebol como sucede agora. E a prática remuneratória na estrutura da retaguarda, com alguns salários de 20/30 mil euros/mês, é incomportável.


A quem se refere?

A pessoas ligadas à estrutira da Direcção e do departamento de comunicação.


Vieira apresentou discurso de austeridade com redução da massa salarial. Como avalia isso?

Faz sentido, mas é tardio e a responsabilidade é dele.


Como interpreta as mudanças de Varandas Fernandes e José Eduardo Moniz?

Respeito e tenho consideração pelo primeiro, as pessoas têm liberdade para mudar de opinião. Ouvi Vieira conforme sucedeu com varandas Fernandes, mas não fiquei convencido. Moniz um soldado de última hora que se lembrou do Benfica aos 60 anos. Nunca o vi nos estádios a sofrer pelo clube. Respeito-o como excelente profissional da comunicação, mas só o conheço aí. Há três anos, no âmbito do movimento "Benfica vencer, vencer", as coisas não correram bem devido a certas atitudes menos correctas. E sendo vice-presidente da Ongoing, um dos parceiros do clube, isto deve se esclarecido aos sócios. Se for considerado que a aproximação é positiva, mesmo sendo tardia, todos os bnfiquistas são poucos, embora estranhe a coincidência da aproximação pelo mundo dos negócios.



E a afirmação de Vieira ao lembrar "Vale e Azevedo também se afirmava benfiquista"?

Baixa o nível do debate, mas Vale é um fenómeno irrepetível. Quer passar a ideia de que é o único salvador da pátria benfiquista, de que fez a recuperação do clube, mas os juros da dívida representam 17 milhões de euros, em quase 10 anos ganhou 2 campeonatos. Inclusive quando afastaram Mourinho do clube era director do futebol...


Mourinho elogiou-o...

Quem está no poder tem facilidade em granjear simpatias, mas o mundo do Benfica não começa nem acaba em Luís Filipe Vieira.


Que papel reserva a Rui Costa?

Se ganhar, como sei que vai suceder, ninguém pode desperdiçar um valor como Rui Costa. falarei com ele para ser director desportivo com amplos poderes. Tenho Cunha LEal com experiência na gestão di futebol e quero prestigiar Rui Costa, não servir-me dele para ganhar eleições e, depois, colocá-lo na prateleira. E também vou falar com Nuno Gomes...


Vai manter Jorge Jesus?

Sim. Fez bom trabalho em alguns aspectos, noutros não. Defendo a estabilidade, embora deva haver resultados e avaliação no final de cada época. Há ano e meio que o clube procura um lateral-esquerdo, tornou-se uma equipa de adaptações, agravadas com as saídas de Javi Garcia e Witsel que representavam 70% da força.


Como agiria com os direitos tv?

A renegociação é um ponto estruturante. Temos de conhecer o actual contrato que acaba dentro de seis meses, saber se há negociações e de que tipo são. O direito de preferência fica subordinado à procura da melhor proposta. Tentaremos internacionalizar os direitos TV através de uma multiplataforma. Pretendemos um parceiro que assegure exclusividade na relação contratual e não um adversário com interesses opostos. Faremos ainda um estudo de viabilidade económica para os encaixar na Benfica TV.


E a formação?

Não tem sido apoiada, mas é um sector em que vou apostar para aumentar o número de portugueses na equipa principal. Pode haver limitação de extracomunitários, caso contrário a selecção terá problemas a médio prazo. Mesmo alguns estrangeiros não registam retorno desportivo nem financeiro: Sidnei custou 7 milhões e está na equipa B; Urreta e Júlio César são outros casos de desaproveitamento. E quanto gastou o Benfica nos mandatos de Vieira em comissões para os empresários? Não está quantificado e é preciso ser revelado.


O que propõe para as relações com Porto e Sporting?

O Benfica deve retomar a sua matriz exemplo, humildade, democraticidade, ética e rectidão. A linguagem trauliteira afasta as pessoas. Quero relações cordiais, mas isso não se faz de um dia para o outro, são preciso estímulos. Os presidentes não são os actores principais, isso são os jogadores. Em Espanha, apesar da rivalidade, os líderes de Real e Barcelona estão lado a lado nos jogos; em Inglaterra, ninguém conhece os presidentes.


O presidente tem agido bem em relação à arbitragem?

Denunciou situações, mas os resultados são pífios; apoiou certos dirigentes e, depois, queixou-se de perder força. Defendo que o Benfica deve ser vigilante e apoiar a profissionalização.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Notas soltas sobre a campanha eleitoral (1)


Finanças

Acho que o Benfica deveria investir numa redução do passivo bancário bem como num reforço dos capitais próprios porque a situação financeira nacional e internacional não está para grandes riscos. O passivo bancário porque é remunerado com juros mas principalmente porque, no momento da renovação dos empréstimos, é provável que seja remunerado com juros cada vez maiores correndo mesmo o risco de não se conseguir essa mesma renovação. Os capitais próprios porque, todos sabemos, apesar do ativo do Benfica ser vasto e sólido, não é totalmente convertível (como nunca é, nomeadamente, em clubes de futebol).
Nesta área estou confortável e agradado com o trabalho da atual direção apesar de ser favorável a uma redução do risco.

No que respeita aos direitos TV, desagrada-me que a atual direção não revele quais as suas verdadeiras intenções tal como me desagrada que o Moniz esteja associado à lista de LFV por ter interesses nessa área. Na minha opinião, mesmo perdendo dinheiro, o Benfica deveria transmitir os próprios jogos, caso não encontrasse um interessado estrangeiro, isto para tentar fazer frente ao vício e ao tráfico de influências dos quais a comunicação social portuguesa não está mesmo nada alheia.