segunda-feira, 27 de maio de 2013

Benfica 2012-13


Sinto uma certa esquizofrenia no ar! Antes éramos os maiores que tudo íamos ganhar, durante também o éramos porque tudo estava no bom caminho e no fim, ou depois do fim (!), passámos a enormes bestas que nunca nada merecemos! Se isto não é esquizofrénico o que será?
Mas há mais esquizofrenia por aí! Em momentos que não puxavam por nós, há uns anos, ficávamos em casa e dizíamos que a culpa era do árbitro. Agora que estamos no melhor de há 20 anos dizemos mal de nós próprios quando os outros, por si só, não se aguentam!

A minha análise desta época sui generis passa por não sobrevalorizar, em devida altura, exibições boas mas que nada conquistaram como também não querer a cabeça deste ou daquele considerando esta como a pior época de sempre.
Há várias razões que explicam esta época, que explicam as boas exibições e os bons resultados tal como explicam as derrotas no fim. Na minha opinião passa por um misto de azar, roubos de arbitragem e tiros nos pés. Uns terão tido mais peso que outros mas não podemos branquear nenhum só porque estamos cegos e aziados com os resultados finais.

Perder e dizer que a culpa não é nossa é coisa que não fica bem mas em dados momentos pouco poderíamos ter feito. É certo que ganhámos alguns jogos com felicidade mas isso é algo que acontece a todos, e não foram assim tantos, o que não costuma acontecer tantas vezes é perder jogos que estavam bem controlados, no fim, sem tempo para reagir. Digam o que disserem sobre os fatores por nós controláveis, o azar existiu e ficou bem evidente de tal forma que nenhum dos nossos adversários (porto, Chelsea ou Vitória de Guimarães) mereceu ganhar as respetivas competições mais do que nós.

Quanto às questões de arbitragem, estas têm um exclusivo nacional. A única razão pela qual o porto conseguiu ser campeão nacional nas duas últimas épocas foi por ter a arbitragem comprada, como é do conhecimento de todos, os que falam disso e os que tentam branquear. Numa situação normal, o porto de Vítor Pereira teria sido humilhado e o Benfica teria sido matematicamente campeão muito antes de chegar ao jogo do Estoril. Mais, se Jorge Jesus treinasse esta equipa do porto e Vítor Pereira treinasse esta equipa do Benfica, teríamos dito adeus ao campeonato em Novembro. Quando o Benfica é muito melhor consegue esse feito incrível de poder discutir o campeonato na última jornada, como aconteceu nestas duas últimas épocas e na de 2009-10. Quando o Benfica é tão bom quanto o adversário perde o campeonato em Março. Quando o Benfica é claramente inferior perde antes de chegar a Dezembro e acaba a mais de 20 pontos do vencedor. Os jogos do porto em Coimbra, Madeira com o Nacional e Paços de Ferreira foram uma vergonha, foram comprados. Já os jogos do Benfica em Coimbra, na Madeira com o Nacional e em casa com o Braga sofreram do mesmo mal mas em sentido inverso. Isto só para referir alguns! No ano passado ainda foi pior!
Como cereja no topo do bolo temos o golo do Guimarães que dá o empate na final da Taça de Portugal. Mais do mesmo!

Como é óbvio, ninguém perde só por azar ou roubos de arbitragem. Também demos os nossos tiros nos pés. Houve jogadores que estiveram mal aqui e ali. O treinador também sabe o que isso é. E algumas decisões estratégicas da estrutura resultaram mal. Ainda assim há que ver o óbvio, o Benfica joga como não jogava desde 1994 e os que agora criticam Vieira, Jesus ou alguns jogadores são os mesmo que gozavam com lagartos e tripeiros porque íamos ganhar tudo na cara deles. Talvez se devessem criticar a si próprios!
Há, no entanto, alguns momentos que posso destacar como fundamentais e que poderíamos ter evitado:
  • Mais uma vez não temos um defesa esquerdo à altura do resto da equipa. Fez-se um bom trabalho com o Melgarejo mas quando este caiu foi substituído por um centro campista adaptado a defesa direito! Foi melhor do que jogar com o Emerson a época inteira mas continua a ser muito insuficiente. A responsabilidade aqui pode ser repartida entre o treinador e a direção.
  • Jorge Jesus passou 3 épocas a estoirar jogadores desde que está no Benfica. Este ano, um dos fatores de sucesso por todos apontado foi a capacidade para rodar os jogadores sem que a equipa perdesse muito com isso, pelo menos não ia perdendo pontos. Ora, foi no fim de Abril que JJ veio dizer que a partir daquele momento era para pôr a carne toda no assador e que os jogadores não sentiam cansaço nas finais. Enganou-se e cometeu o mesmo erro que em anos anteriores. Nos jogos contra Estoril, Moreirense, Guimarães e na 2ª parte contra o Chelsea a equipa arrastou-se em campo. Teria sido possível gerir melhor neste fim de época.
  • O espetáculo triste da comemoração no fim do jogo com o Marítimo ainda posso aceitar porque os jogadores sentiam que era um jogo difícil. O que tenho mais dificuldade em aceitar é a entrevista de Vieira antes do jogo com o Estoril, que nada disse ao mesmo tempo que parecia falar como campeão, e a conferência de imprensa desastrosa de João Gabriel que se pôs ao nível de outros muito corruptos. Espero que tenham aprendido que ao Benfica ninguém dá nada, antes pelo contrário, e que, por isso, só quando a Taça, seja ela qual for, estiver nas nossas mãos é que já não foge.
  • Há jogadores que, pelas suas constantes atitudes de indisciplina e desprezo pelo esforço e talento necessários para envergar a camisola do Benfica, devem ir embora. Foram muitos no passado, são poucos agora mas ainda os há e há que correr com essa gente. Falo de Martins e Cardozo. Como disse antes, tudo no Benfica tem que ser conquistado com grande esforço, em equipa e com a noção do que os outros nos querem fazer. Para isso, vedetas indisciplinadas estão a mais.


Para finalizar, que já vai longo, é minha opinião que as competições perdidas se deveram a um misto destas três condições mas também é minha opinião que houve mais roubos de arbitragem no campeonato, por lutarmos com gente corrupta e mafiosa, houve mais azar na final da Liga Europa aliada a um adversário matreiro e houve essencialmente uma gestão deficiente e muitos erros próprios que nos custaram uma Taça de Portugal para um adversário inferior.

Concluindo, o trabalho das direções de Vieira tem sido fantástico no que ao engrandecimento do clube diz respeito. Apesar de alguns tiros nos pés pelo caminho, é para continuar por muitos e bons anos.
O trabalho de Jesus só é comparável, antes dele, a Eriksson. É um treinador fantástico que continua a ter que melhorar em pequenos pormenores porque isto de lutar em terrenos desiguais é muito difícil.
A nossa equipa de futebol ainda precisa de melhorias mas tem vindo a ser mais competitiva a cada ano que passa e por isso chegou a uma final europeia 23 anos depois, por isso voltou ao Jamor 8 anos depois e por isso foi a melhor equipa em 3 dos últimos 4 campeonatos só perdendo em dois deles para um adversário corrupto e mafioso.

Benfica 2012-2013: Época brilhante com um final sádico

Ontem, como provavelmente a maioria dos benfiquistas tive dificuldades em adormecer. Como foi possível uma época brilhante ter um final tão sádico?

Dei por mim a pensar:
No frango do Artur com o Estoril...
Na expulsão do Carlos Martins contra o mesmo Estoril...
Na não defesa do Artur no Dragão no 1º golo...
No golo chouriço do Kelvin aos 92 minutos...
No balão do Ivanovic aos 92 minutos...
Nas assistência do Artur ontem no 1º golo do Guimarães...
Na não defesa do Artur ontem no 2º golo do Guimarães...

Que época brilhante com um final tão sádico!!!!

Estando longe de Portugal, a forma de eu tentar "sentir" o pulso benfiquista é feita através dos blogs e de forum serbenfiquista.

A maioria dos benfiquistas que por ali escrevem merece o Benfica do final da década de 90 e do início deste século. O Benfica que em Dezembro ou Fevereiro já não lutava pelo título na Liga. O Benfica que era eliminado da Europa por um Bastia ou que apanhava 7 do Celta.

A maioria dos benfiquistas exige a cabeça de Jorge Jesus pois consideram esta mais uma época humilhante.
Humilhante? Humilhante???

Humilhante é ficar em 6º lugar.
Humilhante é não nos qualificarmos para as competições europeias.
Humilhante é ser afastado pelos Bastias e Halmstads dessa Europa.

Repito: Esta foi uma época brilhante com um final sádico.

Muitas das criticas que li ao Jorge Jesus foi que tentou controlar o jogo não indo atrás do 2º golo. Ora, o que há uns tempos eu via bastante criticado era o facto de o Jorge Jesus não gerir os jogos, de ir sempre atrás do 2º, do 3º golos. Agora tenta controlar os jogos e é criticado.

Provavelmente, muitos dos que agora criticam Jorge Jesus por não ter conquistado qualquer título esta época são os mesmos que no início da época após as vendas de Javi Garcia e de Axel Witsel afirmaram que em Dezembro ou Fevereiro o Benfica estaria fora da luta do título e que na Europa nem a Fevereiro chegávamos.

Pois bem, Jorge Jesus não devia estar nesta falange de adeptos, pois levou o Benfica a lutar pelo título até à última jornada, onde fez 77 pontos, mais 1 que na época 2009/2010 onde fomos campeões.
Levou o Benfica a uma final da Taça de Portugal onde não chegava há 9 anos.
Levou o Benfica a uma final europeia onde não chegava há 23 anos.

Os benfiquistas em geral, não estão preparados para o sucesso pois não admitem a derrota. Para se estar perto do sucesso também se está perto do insucesso e a maior parte dos benfiquistas exige a vitória apenas por "ser Benfica".

Foram 9 meses excelentes com 1 mês final trágico.

Acredito que estamos mais perto de obter o sucesso. Saibamos retirar as devidas ilações desta época. Saibamos também evitar "reservados" à 27ª Jornada. Saibamos tudo ser um pouco mais humildes e não festejar antes de tempo, jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos. Não se pode esquecer o excelente trabalho trabalho efectuado ao longo de 9 meses por termos tido 2 semanas que deitaram os títulos por terra.

Tal como todos os benfiquistas eu também quero conquistar títulos, mas a maioria parece querer esquecer 15 anos de Benfica (1994 a 2009) onde neste período o Benfica apenas conquistou (1 Liga, 2 Taças de Portugal e 1 Taça da Liga), e quer comparar com o Benfica da década de 60.

É complicado de aguentar este final de época, mas espero que quem comande o Benfica tenha a clarividência para ver o trabalho que foi realizado durante a época, não tomando decisões apenas para agradar aos adeptos.

domingo, 26 de maio de 2013

Obrigadinho e adeus!

Provavelmente (e apenas Robert Enke entra nesta discussão) não tínhamos um guarda-redes tão bom desde o maior de todos os tempos (para os mais jovens: Michel Preud'Homme).

Parece-me também certo que nenhum desses guarda-redes (desde o maior de todos os tempos) foi tão importante na perda de títulos como o actual titular. Por ele perdemos a Liga (empate com o FC Porto, empate com o CD Nacional, empate com o GD Estoril-Praia e, para os mais rigorosos, derrota com o FC Porto) e agora perdemos a Taça.

É bom guarda-redes, mas depois de ter entregue tanto, numa época em que jogámos tanto, custa-me imenso vê.lo com a camisola do meu coração vestida.

Por favor, arranjem um guarda-redes!

(Nunca ninguém, como ele, me fez perceber tanto o sentimento de ser sportinguista... Nem o meu pai durante a minha juventude, e bem tentou. Este ano sofri como acredito que não merecia...)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Há um "mal" no futebol português


Há doenças nefastas que os antigos designam por “mal” como se a mera oralidade do nome pudesse trazer azar! Assim está o futebol em Portugal. O que vivemos hoje é resultado dum tumor maligno, um cancro, que nasceu há pouco mais de 30 anos e foi crescendo sem que, nos primeiros anos, tivesse consciência da sua nova condição – doente!

Este cancro começou por ter pouca força por estar a atacar um corpo que se podia designar como são, apesar de alguns excessos, aqui e ali, próprios da condição humana. Ainda assim, o cancro estava determinado (1) e atacou de forma mais contundente um dos órgão vitais mais importantes (2). O crescimento continuou (3) com o doente sempre em negação. Uma década depois os sintomas já eram imensos (4) e algumas pessoas amigas já notavam que a cara do doente tinha mudado! Um dia o doente foi ao médico por um problema simples, uma unha encravada (5), e o médico internou-o logo ali. Ficou ligado à máquina rotulado como estando em perigo de vida (6). O choque foi grande até porque o paciente não tinha conhecimento profundo da extensão da sua doença. Após algum tempo, há quem diga demais, saíram os relatórios médicos (7) e só nesse momento todos os amigos do paciente tiveram consciência plena da gravidade da situação. A doença é de tal forma agressiva (8) que não há garantias de se poder salvar o paciente!

Ndr:
  1. Pedroto quando viu o orçamento para o futebol perguntou a Pinto da Costa onde estava o dinheiro para os árbitros.
  2. Associação de Futebol do Porto, sendo a maior do país, escolhia sempre gerir a comissão de arbitragem da FPF, 8º órgão no nível de hierarquia.
  3. Doping, corrupção de árbitros, de dirigentes e de jornalistas.
  4. Clubes desciam de divisão por não alinharem com as exigências do Porto, agressões várias, votos comprados nas assembleias da Liga e FPF.
  5. Investigação da PJ e do Ministério Público a suspeitas de corrupção em divisões secundárias do futebol, nomeadamente ao Gondomar.
  6. Caso Apito Dourado apanha em escutas telefónicas dirigentes do Boavista, Porto, Nacional, União de Leiria e Liga bem como vários agentes, árbitros e dirigentes da arbitragem num esquema de corrupção e viciação de resultados.
  7. Publicação das escutas do Apito Dourado deixando a nu a corrupção e tráfico de influências de árbitros, dirigentes desportivos, agentes de futebol, e de figuras ligadas à Justiça, Polícia, Comunicação Social e Política.
  8. Apesar de tudo o que é conhecido ninguém (importante) sofreu consequências legais e o processo teve o efeito perverso de assegurar os prevaricadores da não eficiência da Justiça portuguesa, ou seja, da sua inimputabilidade. A julgar pelo que se vê atualmente, o sistema de corrupção e tráfico de influências continua a funcionar, talvez de forma ainda mais sofisticada mas com os mesmos beneficiários, sem que os políticos intervenham, com os jornalistas (alguns, muitos) a manterem uma subserviência sem ética e com as gentes do Ministério Público com a clara noção de que este é um problema ao qual não têm capacidade de fazer frente.

PS. Lembrei-me desta história ao ler as notícias que hoje saíram no MAISFUTEBOL e no DN. Tal como em muitos outros aspetos da sociedade portuguesa, há instituições e respetivos responsáveis que acham que conseguem lançar areia aos olhos das pessoas e calar a indignação com medidas populistas e vazias, sem intenção alguma de moralizar e impor justiça no que quer que seja. Não podem estar mais enganados!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Râguebi - Benfica desce de divisão


À semelhança do que foi feito com o Voleibol, e será feito em muitas outras modalidades, chegou a hora de falar do Râguebi nacional e do Râguebi do Benfica que este ano escreveu a página mais negra da sua história.

Os três maiores clubes do Râguebi nacional tiveram “sortes” diferentes nesta época desportiva. O Direito reconquistou o campeonato perdido na época passada frente ao CDUL. O CDUL reconquistou a  Taça de Portugal 6 anos depois, venceu a sua primeira Supertaça e ganhou a Taça Ibérica, feito que não conseguia há quase 30 anos! O Benfica desceu de divisão com 18 derrotas em 18 jogos da fase regular e mais duas derrotas no play-off que o confirmaram como a equipa mais fraca da divisão de honra!

O Benfica, a par de equipas como o Belenenses e o CDUL, é um dos maiores históricos da modalidade em Portugal, não só pelas presenças no principal campeonato da modalidade como também pelos títulos conquistados. Num período em que a direção do Benfica tanto investe no crescimento do clube e no engrandecimento de várias modalidades, algumas delas com pouco reconhecimento histórico no Benfica, ter deixado cair o Râguebi para um campeonato secundário é triste. É triste pelo que o Benfica representa para a modalidade em Portugal. É triste pelo que a modalidade sempre representou no palmarés do clube. É ainda mais triste porque teria sido possível, com pouco investimento, construir uma equipa extremamente competitiva. Alguma razão terá levado o Râguebi a ser deixado cair uma vez que outras modalidades, como as cinco de pavilhão, têm investimentos bem mais avultados e algumas delas com pouco retorno no que respeita a conquistas.

Há, no entanto, um facto curioso relacionado com a descida de divisão do Benfica. Esta realidade vai permitir que se joguem derbis com o Sporting na próxima época na medida em que a equipa do Campo Grande foi campeã da terceira e subiu de divisão.

De referir ainda que Agronomia continua a passar ao lado das importantes conquistas nacionais o que contrasta com os investimentos milionários (para a modalidade em Portugal) feitos nos últimos 15 anos!

O palmarés da modalidade fica assim atualizado:

Palmarés global

Campeonatos Nacionais

Taças de Portugal

 Supertaças

Competições Europeias (Taças Ibéricas)

domingo, 19 de maio de 2013

Uma época de recordes!

- Único clube que teve sempre diferença de golos positiva na Primeira Liga (Primeira Divisão);
- Único clube que nunca terminou abaixo do sexto lugar na Primeira Liga (Primeira Divisão);
- Único clube que nunca terminou abaixo do GD Estoril-Praia nas Ligas nacionais;
- Clube português com mais qualificações para as competições europeias ex-aequo (isto contando com a Taça das Cidades com Feira, que não era uma competição da UEFA e não é normalmente considerada para o efeito. Sem a TCF o SL Benfica está isolado como clube com mais qualificações.)

(Até podem existir mais alguns, mas só me ocorrem estes.)

Infelizmente, nada disto me traz alegria.

Fui a uma final europeia ver o SL Benfica!

Foi a terceira vez que vi o SL Benfica numa final europeia - depois da UEFA Futsal Cup de 2010 e da EHF Challenge Cup de 2011 - mas foi a primeira vez que me desloquei ao estrangeiro para o fazer e mais importante: foi no futebol!

Nunca hei-de esquecer o momento em que nos sagrámos campeões europeus de futsal (feito que ainda me emociona) mas uma final europeia no futebol era o meu sonho. O meu sonho maior seria ser campeão europeu de futebol, mas o sonho mais possível era uma final europeia. Depois de ver os adeptos do Real Zaragoza CD, do FC Rapid Wien, do RCD Mallorca, do Middlesbrough FC, do RCD Espanyol de Barcelona, do PFC CSKA Moscva, do FC Zenit, do FC Shakhtar Donetsk, do Fulham FC e do SC Braga a presenciarem a finais europeias com os seus clubes cada vez o vazio era maior dentro de mim.

Fui ver uma final europeia do meu clube, posso dizer que saí contente. A festa foi bonita, o convívio agradável, houve respeito entre os adeptos e os clubes, bate-mo-nos bem, o jogo foi bom e emocionante. Não saí feliz, perdemos. Aquela movimentação do Ivanovic, a cabeçada e a trajectória da bola até bater nas redes, são um momento que me pareceu enorme e em que não consegui esboçar reacção; tirou-me o que mais interessava na final, mas não me tirou a importância do momento e toda aquela vivência.

O certo para mim é que o SL Benfica merecia (e devia) ter marcado mais um golo, era aquele lance imediatamente após o golo do Chelsea FC... O Cardozo devia ter marcado para poder dedicar a todos aqueles que saíram antes do final do jogo e já não estavam lá para ver o segundo golo do SL Benfica. Já não estavam lá para empurrar a equipa para a frente. Já não estavam lá para aplaudir o esforço da equipa. Foram a uma final europeia e não a viram toda! Deviam ter pressa para evitar as filas do trânsito... Esses mereciam que o Cardozo tivesse marcado aquele golo, mas, obviamente, também mereciam que o SL Benfica perdesse. (O parágrafo seguinte exclui aqueles a quem este parágrafo foi dedicado.)

Durante o jogo os adeptos do SL Benfica estiveram muito bem, a equipa jogou bem e esteve bem apoiada nas bancadas, a equipa saiu aplaudida no final; ainda me senti mais orgulhoso de pertencer ao SL Benfica. Já critiquei várias vezes o apoio das claques e do público em geral em jogos europeus, no jogo contra o Fenerbahçe SK e na final os adeptos do SL Benfica fizeram do SL Benfica um clube maior. Saí orgulhoso.

Muitas vezes os nossos adeptos querem que as equipas vençam mas não fazem nada por isso. Acreditam que as equipas têm obrigação de ganhar apenas porque representam o SL Benfica, não têm em conta que existem rivais com a mesma ambição que as nossas equipas, com valor talvez superior, não interpretam o desporto como desporto mas como uma equação que tem como resultado o SL Benfica a vencer sempre. Tudo que não seja isso é incompetência; sem ter qualquer respeito pelo esforço e dedicação de jogadores e equipas técnicas. Basta ler alguns comentários sobre a equipa de voleibol e basquetebol para o perceber. ( A equipa de basquetebol perdeu dois jogos esta época, já ganhou três competições, só que um dos jogos que perdeu ditou a perda da Taça de Portugal, o que fez com que essa fosse a competição mais importante a ganhar... Nem percebem que é nos jogos mais importantes que há maior probabilidade de perder.) São muito ambiciosos mas não merecem ganhar; não sabem como se ganha.

Gostava de lembrar que houve tempos em que éramos eliminados pelo SC Bastia, pelo Halmstads BK, éramos humilhados pelo FC Bayern München e pelo RC Celta de Vigo, houve tempos em que não íamos às competições europeias. Perder uma final europeia não é vergonha para ninguém. Eu prefiro perder na final que em qualquer outra eliminatória, prefiro perder nas meias-finais que em qualquer eliminatória anterior, etc... Perde quem chega lá, nós chegámos lá. E bate-mo-nos com brio - equipa e adeptos!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Final da Liga Europa - Amesterdão outra vez!


A Liga Europa é a segunda divisão do futebol europeu, o seu vencedor é a décima sétima melhor equipa desse ano nas competições europeias (atrás dos participantes nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões). Se o SL Benfica jogasse a final do campeonato da segunda divisão nacional, eu quereria estar lá, sendo uma final europeia eu vou.

Participaram 193 equipas na Liga Europa deste ano, restam as duas melhores. Dessas 193, 32 vieram das 76 que participaram na Liga dos Campeões, 20 equipas foram eliminadas nas pré-eliminatórias da Liga dos Campeões sem segunda oportunidade e 8 não se conseguiram qualificar na fase de grupos da Liga dos Campeões. 16 equipas qualificaram-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, provando que foram melhores que os que podem ganhar a Liga Europa (neste caso, duas equipas que vieram dessa competição e foram eliminadas). No entanto, não haja dúvida que este é um jogo muito importante. É uma final europeia, podemos ganhar uma taça muito prestigiante.

Vai ser a nona final europeia do SL Benfica, um feito alcançado por poucos:
Real Madrid CF
16
AC Milan
14
FC Barcelona
13
(4)
FC Bayern München
12
Juventus FC  
12
(2)
Liverpool FC
11
SL Benfica
9
FC Internazionale
9
AFC Ajax
9
(entre parêntesis o número de finais da Taça das Cidades com Feira, não incluído no total.)

À partida esta será uma das finais mais históricas da Liga Europa / Taça UEFA (ou qualquer outra competição europeia secundária), será a terceira edição que terá dois finalistas campeões europeus – após as finais de 2002, entre SC Feyenoord e BV Borussia 09 (em Roterdão), e de 2003, entre FC Porto e The Celtic FC (em Sevilha) -, feito que nunca chegou a acontecer na extinta Taça das Taças, nem na antecessora da Taça UEFA, a Taça das Cidades com Feira. Na Taça dos Campeões Europeus aconteceu por 7 vezes, na Liga dos Campeões (contando a edição em decurso) por 12 vezes (9 delas após o aumento de participantes com não campeões nacionais).

Apenas por três vezes houve finalistas com mais títulos de campeão europeu que Chelsea FC e SL Benfica – nas vitórias do Real Madrid em 1985 e 1986 (6 títulos) e na vitória do Liverpool FC em 2001 (4 títulos) – e em outras duas com a mesma quantidade de títulos – nas vitória do AFC Ajax em 1992 e na vitória do FC Bayern München em 1996. Na Taça das Taças aconteceu haver mais títulos na final em 1972 e 1983 - quando o Real Madrid CF (6 títulos) foi finalista vencido -, o mesmo número de títulos em 1987 e 1988 – quando o AFC Ajax (3 títulos) venceu e perdeu as finais, respectivamente.

Ou seja, em 80 edições anteriores (39 da Taça das Taças e 41 da Liga Europa / Taça UEFA, a que se poderiam juntar as 13 edições da Taça das Cidades com Feira), houve duas finais entre campeões europeus, cinco finais entre finalistas com mais de três títulos e quatro finais entre finalistas com 3 títulos. Esta será a primeira final entre campeões europeus em que um deles tem mais que um título.

Esta vai ser a quarta final europeia em Amesterdão (além da final a duas mãos que o AFC Ajax ganhou em 1992):
1962 TCCE SL Benfica 5-3 Real Madrid CF (Estádio Olímpico)
1977 TVT Hamburger SV 2-0 RSC Anderlechtois (Estádio Olímpico)
1992 TU AFC Ajax 0-0 Torino C (Estádio Olímpico)
1998 LC Real Madrid CF 1-0 Juventus FC (Amsterdam Arena)

Será a décima quarta final na Holanda, foram finalistas equipas dos seguintes países:
Inglaterra – 4 vitórias 1 derrota
Espanha – 3 vitórias, 3 derrotas
Alemanha – 2 vitória, 3 derrotas
Holanda – 2 vitórias
Itália – 1 vitória, 3 derrotas
Portugal – 1 vitória
Áustria – 1 derrota
Bélgica – 1 derrota
França – 1 derrota

Se juntarmos a Taça UEFA (finais a duas mãos, por acaso o jogo decisivo foi sempre na Holanda), os holandeses levaram mais três taças, os alemães mais uma, perderam ingleses, franceses e italianos.

Antes do SL Benfica, já três clubes repetiram finais na Holanda: o AC Milan, Barcelona FC e o Real Madrid CF. Todos na mesma cidade, na mesma competição e com uma vitória e uma derrota. Juntando as finais a duas mãos, o SC Feyenoord ganhou duas Taças UEFA (uma a duas mãos), o AFC Ajax uma Taça dos Campeões e uma Taça UEFA (o único clube a jogar em duas cidades diferentes) e o Tottenham Hotspur FC venceu uma Taça das Taças e perdeu uma Taça UEFA. Até agora apenas clubes holandeses conseguiram vencer mais que uma competição europeia no seu país. Os clubes ingleses apenas perderam  duas finais, na Holanda, uma a duas mãos, já levaram de lá taças em quatro finais. A história está contra nós, temos que tentar seguir a tendência do AFC Ajax de vencer na Taça dos Campeões e depois na Taça UEFA e a do SC Feyenoord de vencer duas vezes na mesma cidade.