segunda-feira, 10 de junho de 2013

Uma forma de vida

Como se costuma dizer: "chama-lhe puta antes que ela to chame a ti!"

E quem melhor para perceber de putas que o clube da fruta? Não estou a ver.

Já muitas foram as vezes em que os fruteiros se queixaram que o SL Benfica abordava jogadores antes de jogos importantes contra a equipa dos ditos. Serviu de farpa quando o SL Benfica ficou a precisar urgentemente de um defesa central e foi contratar o Jardel (o melhor disponível) ao SC Olhanense. Tem-se levantado a questão mesmo quando não passam de boatos. 

Apenas para reflectir, como contraponto, a contratação do actual treinador da fruta. Para treinador do clube da fruta qualquer um serve - é o que se diz -, ora se assim é, porque não, em situação de aperto, contratar um que dá bastante jeito?! Paga-se o mesmo que a outro qualquer, custa menos que uma renovação e poupa-se em fruta (o que não parece ter sido o caso).

Há um par de anos, num campeonato de hóquei em patins em que duas equipas estavam bastante equilibradas também foi contratado o treinador da equipa que se defrontava na última jornada. (Coincidências!) Era o décimo campeonato consecutivo, um número muito bonito, convinha ganhar. Esse campeonato terminou empatado em número de pontos, os senhores da fruta ganharam porque venceram facilmente à equipa do seu futuro treinador. Desta vez o anuncio foi mais discreto, foi feito após o final do campeonato.

domingo, 9 de junho de 2013

Dragonaço - o nosso Maracanazo!

É verdade que o SL Benfica já tinha conquistado um troféu prestigiante que o consagrava como a melhor equipa da europa (a Taça das Nações de 1961, entre campeões dos principais campeonatos europeus), no entanto, faltava ao palmarés do clube a Taça dos Clubes Campeões Europeus/Liga Europeia. Duas Taças CERS e cinco finais da principal competição (não quatro como discursou o presidente) eram um prémio pequeno para o clube que pratica a modalidade há mais tempo.

Para que se tenha uma noção do que era o hóquei em patins europeu do SL Benfica nas últimas épocas antes do Luís Sénica, relembro-vos das nossas participações. Depois de três Final 4 entre 2000 e 2002, em 2003 vencemos dois jogos e perdemos quatro na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2004 perdemos todos os jogos na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2005 na Taça CERS fomos eliminados em Itália pelo AP Follonica Hockey depois de termos sido perdulários em Lisboa (na minha opinião com a equipa mal conduzida por Paulo Garrido; o AP Follonica Hockey acabou por ganhar a competição), em 2006 fomos eliminados na pré-eliminatória da Liga Europeia pelo CP Vic, não voltámos a ter participações europeias desde aí até à chegada do Luís Sénica – apenas participámos na época seguinte no Campeonato do Mundo, onde fomos terceiros.

Com Luís Sénica – é, no entanto, inegável que o conseguiu com grandes equipas -, em 2010 fomos à Final 4 da Taça CERS, em 2011 ganhámos a Taça CERS (em casa do outro finalista), em 2012 fomos à Final 8 da Liga Europeia (eliminados por equipa superior mas por demasiados golos), em 2013…

Fomos jogar a Final 4 da Liga Europeia ao Porto, ao Dragão Caixa. Contra três equipas consideradas superiores à nossa; se pedissem para juntar uma quarta a estas três para formar o conjunto das melhores, provavelmente, a maioria dos conhecedores deste desporto escolheria o HC Liceo.

Na meia-final derrotámos o adversário mais difícil da Europa, historicamente e também no contexto actual. Das nossas 36 participações em competições europeias fomos eliminados pelo FC Barcelona oito vezes (ainda que uma em fase de grupos com dois apurados), foi a segunda vez que os eliminámos (a anterior aconteceu epicamente nos quartos-de-final da Taça dos Campeões de 1994/95). Antes deste jogo contávamos com 17 jogos contra o eneadeca-campeão europeu, com 4 vitórias, 2 empates e 11 derrotas (uma em prolongamento), juntámos mais um empate muito vitorioso.

A diferença entre o sucesso e o insucesso é muito escassa; foi assim em muitas das nossas derrotas, foi assim em muitas vitórias de outros, foi assim nesta nossa vitória. Contra o Barcelona no último minuto o SL Benfica dispôs de um livre directo, que podia ser a última oportunidade para empatar o jogo a quatro, foi marcar o experiente Carlos López; não conseguiu enganar o guarda-redes Sergi Fernandez; faltava pouco tempo, bastava apenas o desespero; e esse desespero foi compensado, quando a poucos segundos do fim o mesmo jogador, com marcação defensiva, recebeu a bola no canto superior da área, e se virou para rematar à baliza não podemos falar em calma mas em vontade de ganhar. Esse remate cheio de vontade de Carlos López saiu contra o guarda-redes e ressaltou para dentro da baliza; o insucesso esteve à vista em cada momento desta jogada até que a bola entrou na baliza.

O jogo seguiu até aos penáltis onde tudo pode acontecer, todos podem sonhar ganhar aos melhores do mundo. Aí os jogadores do SL Benfica foram mais competentes (apesar do João Rodrigues ter deixado passar o tempo para rematar o penálti...), sobretudo o guarda-redes Pedro Henriques que defendeu quatro dos cinco penáltis para colocar a equipa na final.

Seguiu-se o adversário que tem dominado o hóquei em patins nacional e muito perto tem ficado de alcançar o grande troféu europeu. Desde a criação da Liga Europeia (em 1996/97), o FC Porto havia participado em seis finais, perdeu-as todas, quatro delas por apenas um golo (outra num grupo final de 4 equipas). Haviam sido jogadas 11 partidas europeias contra o FC Porto antes desta final, 1 vitória, 3 empates e 7 derrotas, tínhamos conseguido eliminá-los uma vez (em fase de grupos) e tínhamos sido eliminados cinco vezes (duas em fase de grupos). Já tínhamos jogado uma final europeia contra o FC Porto (a Taça das Taças de 1983) e tínhamo-la perdido em Lisboa 5-6, depois de um empate a dois no Porto. Este adversário impôs-nos a nossa maior derrota europeia de sempre (1-13, em 1987). Na única Final 4 da Liga Europeia em que o SL Benfica tinha defrontado o FC Porto havia perdido por 1-4, na vergonhosa edição de 2000 no Porto. Já não ganhávamos no pavilhão do FC Porto desde um dos jogos para o campeonato em 2004. Este ano tínhamos perdido os dois jogos contra eles, o último duas semanas antes da Final 4 da Liga Europeia, por 3-7.

Nós ganhámos o mais saboroso e importante de todos.

Muitos podem tentar desvalorizar esta vitória com os resultados da equipa de futebol mas os resultados do futebol nada têm a ver com o hóquei em patins. É possível gostar de mais desportos para além do futebol, é possível gostar mais desses desportos que de futebol. Não é o meu caso, apesar disso não consigo discernir se comecei a gostar do SL Benfica mais devido ao futebol, ao hóquei em patins ou ao basquetebol. Esta era uma competição que queria ver o meu SL Benfica ganhar desde que me lembro de ver desporto, mais que qualquer campeonato nacional de futebol.

Convém não esquecer que o SL Benfica anunciou que não iria comparecer na final, devido à distribuição de bilhetes e, sobretudo, às condições de segurança que colocavam em perigo os adeptos (e equipa) benfiquistas. Que o desportivismo dos jogadores do FC Porto na final não apague o clima infernal que os adeptos benfiquistas tiveram que suportar, a preparação que estava a ser feita para ainda mais actos de terrorismo, como os que aconteceram em 2000, também na Final 4 da Liga Europeia de hóquei em patins, quando as equipas do SL Benfica na meia-final e do FC Barcelona foram alvos da ira cega dos adeptos portistas, sem o devido apoio policial. Após a final os jogadores do FC Barcelona foram agredidos e não puderam receber a Taça no campo. Não tenho muitas dúvidas que se o SL Benfica não tivesse tomado medidas o mesmo (ou muito pior) estaria preparado, caso o principal rival (no entender deles: inimigo) ganhasse a principal competição - e que tanto eles têm tentado ganhar - da modalidade que o seu presidente e a maioria dos seus adeptos mais gostam, em sua casa. Estes actos vergonhosos têm o patrocínio do senhor que inventou a guerra Norte-Sul para promover o crescimento do seu clube, um crescimento que tem sido criado através do ódio. Tivemos que ir jogar a um ambiente hostil criado por um clube que não olha a meios para ganhar. Congratulo a direcção do meu clube que conseguiu combater esta violência sem recorrer à mesma e promovendo a segurança dos intervenientes no espectáculo (que deve ser sempre) do desporto.

Quanto ao jogo foi um grande espectáculo de hóquei em patins entre duas das melhores equipas do mundo, em que qualquer dos 10 jogadores pode certamente ter orgulho de pertencer devido à sua influência na equipa. O FC Porto embalado pelo apoio do seu público chegou cedo a uma vantagem de dois golos e com possibilidade de a aumentar. A equipa do SL Benfica não ficou visivelmente abalada e conseguiu manter-se a uma distância recuperável, com consciência que não eram necessárias medidas drásticas para tentar recuperar a desvantagem. A meio da segunda parte o SL Benfica conseguiu mesmo passar para a frente e pareceu querer controlar calmamente o jogo, mas perante a poderosa equipa do FC Porto isso não foi possível. O 5-5 no final dos 50 minutos era um resultado justo, qualquer equipa poderia ter vencido e terminaria como um campeão muito meritório. Foi o tipo de jogo que se quer numa grande final, com alternâncias no líder do jogo, com golos, com jogadas bonitas. Esperava-se que a esta altura o SL Benfica já não tivesse aguentado o poderio atacante do FC Porto, que a jogar em casa era claríssimo favorito. Mas a nossa equipa foi brava e soube jogar a final. No prolongamento numa jogada ensaiada, pedida pelo treinador, o Diogo Rafael rematou de longe e o João Rodrigues desviou a bola para o golo de ouro. 

Estava concretizado o nosso Maracanazo! A equipa do SL Benfica terminou como campeã, mereceu-o, os jogadores estiveram psicologicamente num nível muito elevado, não sucumbindo às adversidades de ambos os jogos e provaram que muito trabalho foi feito para se conseguir este enorme sucesso – mérito da equipa técnica.

As grandes vitórias costumam ter heróis que se destacam dos outros e brilham naquele momento decisivo. Esta enorme vitória – os dois jogos – teve muitos momentos que podem ser considerados decisivos, tivemos muitos heróis. O Ricardo Silva (guarda-redes por vezes pouco amado) fez defesas que mantiveram a equipa na discussão do resultado, não existe nenhuma grande equipa campeã que o seja sem grande intervenção do seu guarda-redes, especialmente em jogos tão equilibrados como os desta Final 4. Ao contrário do que tem acontecido muitas vezes a marcação de penáltis foi decisiva a nosso favor, o nosso melhor marcador (sempre o vi assim), Luís Viana, dispôs de quatro penáltis na Final 4 e transformou-os em 4 golos (fortíssimo!). Do outro lado, Pedro Henriques, o guarda-redes suplente que foi chamado para evitar os golos de livres directos e penáltis esteve brilhante, defendeu um livre directo no prolongamento contra o FC Barcelona evitando a nossa eliminação. O Marc Coy, que durante a época não conseguiu fazer esquecer a saída do Sérgio Silva, marcou um dos penáltis da meia-final e um golo importantíssimo na segunda parte da final. O Cacau que marcou de forma brilhante (que calma e concentração!) o livre directo que nos deu o primeiro golo da final, quando a margem de erro começava a escassear. O Carlos López que marcou o golo no fim do jogo da meia-final, com enorme crer demonstrado pela forma como festejou contra a sua antiga equipa; venceu a sua sexta Liga Europeia (uma no HC Liceo, quatro no FC Barcelona), também já ganhou o Sul-Americano de Clubes (pelo Unión Vecinal de Trinidad, UVT), e se não me engano é o primeiro jogador a ganhar a competição por três clubes diferentes. Os jovens João Rodrigues e Diogo Rafael, que espero sejam a base desta equipa por muitos anos, e marcaram em conjunto o golo de ouro da final, remate do Diogo com desvio do João. (Ao Diogo disse uma vez que era o único dos jogadores actuais que tinha lugar nas grandes equipas dos anos 90, entretanto surgiram vários jovens que vão trazer muitas glórias ao hóquei em patins português, mas ele tem tudo para ser o líder desta nova geração.) Sem esquecer o Tuco (que marcou penálti na meia-final e é sempre importante nos remates de longe) e o capitão Valter Neves que são a base defensiva desta equipa que esteve muito bem organizada em quase todos os momentos da Final 4.

O percurso para esta grande vitória europeia começou em 2009/2010 com a chegada de Luís Sénica, nesse ano, depois de muitas peripécias, ficámos em 5º no campeonato, ganhámos a Taça e fomos à Final 4 da CERS - o suficiente para muitos considerarem que não servia para o SL Benfica -, no ano seguinte ganhámos a Supertaça, terminámos o campeonato com os mesmos pontos do primeiro (que ganhou facilmente à UD Oliveirense na última jornada, treinada pelo seu futuro treinador Tó Neves; apenas empatámos um jogo e perdemos dois) e ganhámos a Taça CERS, no ano seguinte ganhámos a Taça Continental (sem jogar) e o campeonato que nos fugia há muito tempo (com dois empates e uma derrota), este ano já tínhamos ganhado a Supertaça, terminámos o campeonato com quatro empates e duas derrotas. Para se obter este nível de resultados foi necessário manter uma base estável de jogadores desde que foi construída a equipa que venceu a Taça CERS; dessa equipa, que tinha 11 jogadores, saíram: o grandíssimo Ricardo Pereira, o Caio e o Tiago Rafael; entraram: os experientes Sérgio Silva e Carlos López. Para esta época saiu o Sérgio Silva e entrou o Marc Coy, o que parecia ter deixado a equipa um pouco menos forte. 

Nestes quatro anos a equipa sempre se mostrou forte a nível europeu, especialmente em casa onde conseguiu 9 vitórias, 2 empates e não consentiu derrotas. No total foram 18 vitórias (uma em golo de ouro), 5 empates (uma com vitória em penáltis) e 5 derrotas (uma em golo de ouro); três troféus.

Há quem diga que os benfiquistas só se lembram do hóquei agora que ganhámos a Liga Europeia, eu não sou desses, fui a dois dos quatro jogos em casa nesta competição, não fui aos outros dois porque não pude. Sinto-me campeão desta Liga Europeia, quando pude fui dar o meu contributo. Fui receber a equipa à 1:00 ao Pavilhão da Luz, porque acho que mereci festejar com a equipa. Talvez algumas daquelas cerca de mil pessoas não tenham presenciado um jogo sequer esta época, espero que o façam a partir de agora, o hóquei em patins do SL Benfica merece.

Para concluir o agradecimento à equipa fui ver o último jogo em casa para o campeonato, contra o Sporting CP. Saúdo com agrado a guarda-de-honra com que os jogadores do Sporting CP receberam os campeões europeus. E também o desportivismo da claque oficial das modalidades do Sporting - algo que não conseguem ensinar à claque principal, que foi para o pavilhão para provocar. Foi o tipo de jogo que conquista adeptos para a modalidade, a equipa do Sporting CP mostrou que merecia evitar a despromoção e a do SL Benfica tentou sempre jogar bonito para brindar os adeptos com uma grande exibição; foi conseguido e com vitória por 10-4. Ambas as equipas mereceram e levaram aplausos no final. Congratulo o Sporting CP pela permanência; o ambiente que tem um jogo com o Sporting CP não se consegue normalmente contra o HC "os Tigres" de Almeirim, tem muita piada ir para o pavilhão gritar aos adeptos do Sporting CP "vais para a segunda", mas tem mais piada fazê-lo todas as épocas. Foi a despedida do Ricardo Silva, que nem sempre agradou a todos, mas a meu ver foi sempre mais o que fez de bom que o que não conseguiu fazer bem. O Luís Viana esteve, mais uma vez, brilhante e marcou 5 golos, o comportamento soou a despedida dos adeptos, espero que não se concretize; não é fácil arranjar jogadores de área como ele e Ricardo Pereira. Parece também que vamos ficar sem o treinador campeão europeu, lamento, os que ganham o que ele ganhou são de manter.

OBRIGADO E PARABÉNS CAMPEÕES!

(Cliquem sobre as imagens para ver as animações, produzidas pelo user Darkboy do fórum Serbenfiquista. Frases em itálico têm ligação para vídeo.)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pablo Aimar renovou contrato

É verdade, parece que El Mago terá mesmo renovado contrato com o Benfica. Segundo consta, o contrato é vitalício, assim foi o que ficou escrito no nosso coração! Como vai ser bom continuar a vê-lo no meio de nós...

Gracias El Mago

Pablo, Pablito Aimar
Que a glória voltará
Como Eusébio ou Rui Costa
Outro 10 imortal

Força, força Benfica
 Clube do meu coração
A jogar assim à bola
Tu serás o campeão

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Andebol – Melhores mas... ainda atrás


O Andebol é uma modalidade que pratiquei durante muitos anos e que, por isso, vejo com outros olhos. Entristece-me saber que é a modalidade com maior atraso no que respeita à evolução das leis do jogo e, consequentemente, ao comportamento dos árbitros em campo. As regras continuam, de modo geral, muito subjetivas fazendo com que o critério dos árbitros seja, muita vezes, inconstante e, por isso, difícil de perceber e criticável. Este é um problema da modalidade, ou seja, não é um exclusivo em Portugal. O problema em Portugal é usarem esta debilidade em favor dum só há muitos anos! Há, no entanto, que ser sério e reconhecer que a vitória do Porto no campeonato deste ano não advém de corrupção, como no Hóquei em Patins ou no Futebol, mas da qualidade superior que evidenciaram.

Este campeonato começou com um Sporting muito abaixo do seu potencial. Um bom trabalho permitiu-lhes acabarem a época mais próximo do que realmente valem conseguindo mesmo impor derrotas ao Porto e ao Benfica na fase final. O ABC e o Madeira SAD, vítimas do desinvestimento e da crise, nunca foram candidatos ao título, nem sequer se aproximaram. O Águas Santas acabou por ser a surpresa pelo bom andebol praticado, pela boa classificação, ficando logo atrás dos 3 grandes, e por ter sido a equipa que se bateu de forma mais estóica contra Porto e Benfica, acabando por decidir o campeonato por ter ganho ao Benfica na fase final e, logo de seguida, ter perdido com o Porto pela margem mínima com um golo sofrido no último segundo!
A história de Benfica e Porto é diferente das dos restantes. Na primeira fase só perderam um contra o outro, na casa do adversário e por um golo de diferença. Para além da única derrota, o Benfica tem ainda a registar um empate em Braga, contra o ABC, que não teria acontecido com uma arbitragem isenta. O Porto não perdeu mais pontos. Na fase final o Benfica entrou forte com 4 vitórias seguidas, incluindo contra o Porto, mas rapidamente se viu que a equipa parecia cansada e começaram a aparecer as derrotas, fora com o Águas Santas, Sporting e Porto, onde perdemos a possibilidade de voltar a ser campeões. O Porto, que tinha perdido na Luz, só voltou a perder em Odivelas, contra o Sporting, revalidando o título.

Benfica vencedor da Supertaça em Fafe a 2 de Setembro de 2012

Além do campeonato, a época começou com o Benfica e vencer a final four da Supertaça derrotando o Porto na meia final e o Sporting na final. E acabou com o Sporting a vencer a final four da Taça de Portugal derrotando o Benfica na meia final e o Porto na final.
Esta acabou, então, por ser uma época de revalidações, ou seja, ficou tudo na mesma em relação à época anterior. Tanto Benfica como Porto e Sporting acabaram por revalidar os títulos que já tinham conquistado um ano antes o que não deixa de ser um pouco amargo para nós na medida em que a competição que ganhámos é a menos prestigiante.

Falta apenas dizer que o Porto tem um conjunto de jogadores de formação própria, ou que chegaram ainda novos ao clube, que serão brevemente a base da seleção nacional e que sentem a camisola. Já o Benfica tem 7 jogadores da formação do ABC e muitos deles em fim de carreira. A nossa equipa é muito competitiva e provou-o na Taça EHF onde chegou aos últimos 16 perdendo por apenas 2 golos de diferença, em duas mãos, contra aquele que viria a ser o finalista vencido da prova, o HBC Nantes, mas os nossos jogadores (não todos, naturalmente) não encaram o clube da mesma forma que os do Porto fazem. Já tarda a chegada de jogadores de qualidade da formação do Benfica para a equipa principal!

O palmarés da modalidade fica assim atualizado:

Palmarés global

Campeonatos Nacionais

Taças de Portugal

Supertaças

Taças do Presidente da República

Competições Internacionais (Taça Challenge)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma vida de benfiquismo

Há que admirar este rapaz. Apesar de um estilo algo alucinado, diz o que tem a dizer e quase sempre de forma muito assertiva. Bem hajam os adeptos deste grande clube, um clube de gente humilde, um clube do povo e para o povo, um clube que não se limita a uma região ou a um estrato social, um clube que não existe para ser contra algo ou alguém e que por isso mesmo é e continuará a ser o maior clube do mundo!

Paulo Parreira em discurso direto

domingo, 2 de junho de 2013

Final da Liga Europeia de Hóquei em Patins

Se calhar não devíamos ter participado num jogo manchado pelo clima de terror, que ainda por cima parecia encomendado, após as indicações da meia-final. Especialmente, depois de termos dito que não o iríamos fazer.

Mas fomos a jogo, sem medo!

Inventaram duas faltas e duas grandes penalidades no início do jogo, daquelas que nem o Vítor Bruno - que tanto asco causa, com os seus comentários, desde os anos 90 - conseguia explicar... Foi sempre mais fácil marcar faltas à equipa do SL Benfica. No entanto, não foi o escândalo que eu esperava e vi noutros anos. Se tivéssemos perdido (e eu pensei que fosse acontecer) a responsabilidade da arbitragem não seria notória.

Estranho as poucas repetições dos lances de maior destaque (houve golos sem repetição), gostava de ter visto a repetição do terceiro golo do FC Porto, quando o Reinaldo Ventura marca golo e abre a cabeça do Carlos López.

Grande ambiente criado pelos adeptos do FC Porto, como eu gostava de ver na Luz, o que não parece possível porque há muitos que vão principalmente para estar contra as nossas equipas. De aplaudir o apoio à sua equipa mesmo no momento da derrota; uma derrota muito difícil de digerir: numa competição que perseguem há muito tempo, contra os principais rivais, na sua casa. Mas também lhes devia servir de lição: em casa contra os melhores todos podem perder; podem festejar fora mas os outros também podem festejar na casa deles; perder finais europeias, mesmo que em casa, não é vergonha para ninguém. Que isto nos sirva de lição também a nós. A vitória mais saborosa (a da competição mais importante) foi conseguida por nós na casa do FC Porto, mas para mim podia ter sido em qualquer local do mundo que significaria o mesmo.

Inadmissível os adeptos do SL Benfica apenas entrarem numa final europeia para ver a sua equipa na segunda parte.

Foi um grande jogo de hóquei em patins. Ganhámos e somos campeões europeus! Esperava isto há cerca de 20 anos quando comecei a acompanhar a modalidade. Ainda tenho memória da final a duas mãos que perdemos contra o Igualada HC, em 1995, e da minha desilusão por aquela grande equipa não ter sido campeã da Europa. Não sei se era do meu jovem olhar distorcido pelo amor mas, senti que nos tinham roubado a Taça - depois de termos eliminado epicamente o FC Barcelona, eliminado o HC Novara e termos sido superiores ao Igualada HC.

Desta vez não senti que tínhamos a melhor equipa do Mundo, nem da Europa, nem sequer de Portugal. Acho até que tínhamos a equipa com menos capacidades da Final Four. Mas o meu sentimento é o de sempre, prefiro ser campeão, a ser o melhor. Ser campeão é muito superior a ser-se o melhor, os campeões ficam para sempre nos registos da história, têm o sabor da vitória final, o objectivo com que todos sonham. Neste momento somos campeões!

Gostei das palavras do Sénica no final, deviam ser ouvidas e aprendidas por muitos benfiquistas, depois de termos perdido no Dragão para o campeonato não perdemos dignidade. Não são só os vencedores que saem com dignidade, acredito que qualquer que fosse o resultado esta equipa teria sido muito digna de vestir a camisola do SL Benfica.

(Não compreendo a ausência do presidente do clube neste momento importante.)

SL BENFICA – FC Porto  6-5, golo de ouro (3-4; 5-5; 1-0)
Golos: 0-1, 1’.35” Silva (P), 0-2, 6’38”: Ventura pen. (P), 1-2, 7’.03” Filho (B), 1-3, 9’.10” Ventura (P), 2-3, 10’.09” Viana pen.(B), 3-3, 19’.29” Rafael (B), 3-4, 21’.58” Nunes (P) - intervalo - 4-4, 5’11” Coy (B), 5-4, 15’.15” Viana pen. (B), 19’.05” Ventura (P) - prolongamento - 1’.32” Rafael (B).

SL Benfica:  Ricardo Silva (Pedro Henriques), Valter Neves (capitão), Diogo Rafael, Cláudio Filho "Cacau", Esteban Abalos "Tuco", Marc Coy, João Rodrigues, Carlos López, Luís Viana. Treinador: Luis Sénica.

FC Porto: Edo Bosh (Nélson Magalhães), Pedro Moreira, Ricardo Oliveira, Tiago Santos, Vítor Hugo, Jorge Silva, Reinaldo Ventura, Ricardo Barreiros, Hélder Nunes. Trienador: Tó Neves

Faltas: Benfica 14 – Porto 9
Árbitros: Valverde e Garcia (Espanha)

Ganhámos o jogo muito em parte devido à correcção de um dos principais problemas das últimas épocas, a marcação de grandes penalidades e livres directos.

Colocaram o SL Benfica num lugar que certamente merece, o de campeão europeu. Era uma lacuna que havia na nossa história! Somos o clube a praticar a modalidade há mais tempo, depois de termos sido convidados a representar Portugal num Europeu de Nações, de termos ganho a Taça das Nações (Torneio de Montreux) num ano em que participaram clubes campeões nacionais, de termos ganho duas Taças CERS, de termos perdido 5 finais da Taça dos Campeões e mais duas da Taça das Taças, finalmente ganhámos o maior prémio.

Já fui muitas vezes critico deles, hoje deixo o meu agradecimento aos Diabos Vermelhos por não terem deixado morrer esta modalidade, que tanto gosto, no Sport Lisboa e Benfica. Ajudaram a manter a grandeza do nosso clube.

(Hoje voltei a chorar de alegria pelo SL Benfica, como em 2010 com o Futsal.)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais uma vez, parabéns e obrigado campeões!

Hoje é o aniversário de um dos meus jogos preferidos do SL Benfica, um que faz a diferença na nossa história.

Vou recuperar um texto que escrevi sobre ele neste mesmo dia em 2006:

http://1001jogoshistoricos.blogspot.pt/2006/05/lutar-e-sofrer-em-berna-futebol.html

Lutar e sofrer em Berna

31 de Maio de 1961, Estádio Wankdorf em Berna (Suíça)
SL Benfica 3-2 CF Barcelona

Árbitro: Dienst (Suíça)
SL Benfica: Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Neto, Germano e Cruz; José Augusto, Santana, Águas (cap.), Coluna e Cávem. Treinador: Bela Guttmann
Barcelona CF: Ramallets; Foncho e Gracia; Vergés, Gensana e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor. Treinador: Orizaola
Golos: 0-1 Kocsis (20’), 1-1 Águas (30’), 2-1 Vergés (pb, 32’), 3-1 Coluna (55’), Czibor (75’).

Faz hoje 45 anos que o Sport Lisboa e Benfica venceu a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus e assim se tornou um dos primeiros clubes a inscrever o seu nome entre os grandes clubes mundiais. É com o jogo final desta brilhante campanha europeia que início a rúbrica do 1001Desportos sobre jogos históricos.

O Barcelona CF apresentava-se na final como claro favorito depois de ter eliminado a grande equipa do Real Madrid CF, que tinha vencido as 5 edições anteriores da Taça, numa eliminatória muito polémica, o Barcelona CF tinha vencido também as duas edições já realizadas da Taça das Cidades com Feira. A equipa espanhola contava com um ataque dos mais fortes da história do futebol, contando com os geniais húngaros Kubala, Kocsis e Czibor, o brasileiro Evaristo e o espanhol Luiz Suarez. Do lado do SL Benfica a peça mais importante era o seu carismático treinador, o húngaro Bela Guttmann, ele estruturou uma equipa muito organizada em que o colectivo é que vencia os jogos, incutiu uma mentalidade vencedora nos jogadores que fez com que jogassem com muita “garra” e nunca desistissem do jogo, na história do futebol europeu (UEFA) ainda não se tinha visto uma equipa onde o treinador fosse tão importante para a equipa e talvez só voltasse a acontecer de forma tão explícita cerca de 60 anos depois. Cabia ao SL Benfica tentar contrariar o favoritismo do adversário que representava o domínio do futebol espanhol de clubes na Europa, o Barcelona CF sentia que a vitória já era sua depois de ter eliminado o poderosíssimo Real Madrid CF e até ofereceu ao SL Benfica, antes do jogo, uma Taça que seviria de prémio de consolação para a equipa portuguesa.


O jogo começou com ambas as equipas a tentarem sair para o ataque ainda que de forma algo atabalhoada, mas aos 3 minutos o ataque do Barcelona CF conduziu uma boa jogada que foi parar à esquerda do seu ataque onde Czibor efectuou um cruzamento para o centro da área onde depois de um corte de Germano um dos seus avançados efectuou um pontapé de bicicleta salvo por Mário João sobre a linha de golo. Seguiu-se um período de equilíbrio onde as equipas mostravam mais vontade que qualidade para chegar ao golo e as ocasiões de golo naturalmente não surgiam apesar do esforço de ambas as equipas, apenas se registaram sem perigo remates de Suarez e Coluna. Até que a cerca dos 10 minutos de jogo aconteceu algo que lançou o pânico entre as hostes portuguesas, após um choque de cabeças Coluna (o organizador do jogo do SL Benfica) fica estendido inanimado no chão tendo que sair do terreno de jogo ajudado pela equipa médica e Cávem, como na altura não haviam substituições o SL Benfica ficou a jogar com 10 contra o poderosíssimo Barcelona CF. O próximo lance de perigo surgiu num remate frontal de fora da área por Evaristo. Três minutos após ter saído Coluna regressa ao jogo. Após um período algo adormecido de jogo volta a acontecer perigo junto de uma das balizas com Kubala a desmarcar Kocsis para esta rematar à figura de Costa Pereira, o SL Benfica responde com um lance de perigo dentro da área adversária mas que termina sem um remate à baliza, seguindo-se pouco tempo depois novo lance de perigo por parte da equipa portuguesa com um cruzamento de Coluna na direita para a cabeça de Águas que à entrada da área rodeado por dois adversários cabeceia acabando a jogada nas mãos de Ramallets, foi um período de curto domínio benfiquista. A isto seguiu-se a melhor jogada do encontro até aí com a bola a passar por vários jogadores na direita do ataque do Barcelona CF e culminou com o cruzamento de Suarez para o golo de cabeça de Kocsis depois da bola ter sobrevoado a defesa benfiquista. O SL Benfica respondeu com um cruzamento perigosíssimo de Cávem para a área onde Águas não conseguiu desferir o cabeceamento. Após uma fase mexida de bola cá bola lá o Barcelona CF tem mais uma jogada de grande perigo onde as triangulações do seu ataque levam a um remate de Evaristo para uma grande defesa de Costa Pereira, o SL Benfica passou por momentos de algum sufoco junto da sua área após este lance. Quando se libertou da pressão do Barcelona CF, que procurava o segundo golo, lançou um contra-ataque com Coluna a desmarcar pela esquerda Cávem que remata à saída de Ramallets a bola ainda não se dirigia para a baliza até que surgiu Águas oportunista a empurrar a bola para o golo, o SL Benfica tinha conseguido surpreender o Barcelona CF e a equipa animada continuou a atacar, até que surgiu certamente um dos golos mais estranhos das finais europeias depois de um cruzamento central de Neto para a área do Barcelona CF Vergés corta de cabeça a bola descreve um arco acentuado para a sua baliza onde Ramallets vai tocar a bola contra o poste esta entra na baliza e sai imediatamente deslizando sobre a linha de golo, Santana ainda vai perseguir a bola para tentar marcar golo mas o árbitro já tinha assinalado golo do SL Benfica face aos protestos dos barcelonistas que inconformados alegavam erradamente que a bola não tinha entrado, em 2 minutos o SL Benfica tinha virado o jogo a seu favor . A partir daí o SL Benfica continuou a ser a melhor equipa em campo e conseguia manter quase exclusivamente o jogo no meio-campo adversário e todas as tentativas do Barcelona CF caíam aos pés de Germano ou na falta de eficácia dos seus jogadores, até que já perto do intervalo a equipa espanhola consegue entrar na área benfiquista e Suarez cruza para o mergulho de cabeça de Kocsis e com Costa Pereira já batido é novamente Mário João que salva o golo, desta feita com a coxa. A resposta surgiu pouco depois por José Augusto, naquele que foi o único esforço em que mostra a sua classe, ilude o seu adversário com uma finta e consegue penetrar na área rematando já apertado para a defesa de Ramallets. O intervalo chegou com o SL Benfica em vantagem no marcador num jogo equilibrado e que apesar de nem sempre bem jogado estava movimentado e emocionante, o resultado beneficiava a equipa que tinha sido bafejada com um pouquinho mais de sorte, castigando a equipa que jogou com mais rispidez.

O SL Benfica inicia a segunda parte ao ataque e depois de um cruzamento longo para a área Águas ganha uma bola de cabeça aos defesas e guarda-redes do Barcelona CF deixando à disposição do pé esquerdo de Santana mas o remate saiu desajeitado ao lado. No seguimento o Barcelona CF obrigou o SL Benfica a defender com toda a equipa no seu meio-campo, algo que soube fazer bem. Contudo o SL Benfica não se manteve uma equipa defensiva e continuava a tentar criar as suas ocasiões de golo. Num outro lance de ataque da equipa espanhola Mário João volta a cortar um lance em que a bola se dirigia para a baliza e na recarga a bola cai nas mãos de Costa Pereira. A pressão sobre o SL Benfica continuava sem que os jogadores portugueses perdessem a orientação e pouco tempo depois Santana desmarca José Augusto para um remate forte mas muito por cima. Coluna iniciou poderosíssimo uma jogada de ataque passa para o cruzamento de Cávem, a bola é cabeceada por um defesa do Barcelona CF para fora da área onde Coluna sem deixar a bola cair no chão remata potentíssimo para o canto inferior direito da baliza de Ramallets, ele que já nesta parte tinha ameaçado com um disparo para fora fez um golo muito belo. Notava-se na alegria dos jogadores benfiquistas e na festa que os portugueses faziam no estádio e em todo o Império que a vitória já se sentia nos seus corações, depois de tudo o que se timha passado até então com o SL Benfica a conseguir realizar um grande jogo e quase a conseguir neutralizar o adversário o impensável no início da época já era visto como uma realidade, no entanto muito estava ainda para acontecer e os rasgos de brilhantismo da equipa espanhola poderiam surgir a qualquer momento, esses corações iriam sentir ainda muitos apertos. E isso provou-se na jogada imediata ao golo com Kubala a aparecer livre de marcação na direita do seu ataque e a desferir um grande remate para grande defesa de Costa Pereira. Mas por momentos ainda continuou a ser o SL Benfica a dominar o jogo e depois de mais uma boa jogada de ataque Santana rematou de fora da área em arco por cima da baliza, passado pouco tempo novo remate do mesmo jogador desta feita numa recarga dentro da área mas fraco à figura do guarda-redes. Depois de o SL Benfica não ter conseguido arrumar definitivamente a questão foi a vez do Barcelona CF ter o domínio do jogo sem contudo materializar em ocasiões de golo, o SL Benfica continuava a defender muito bem. Até que a cerca de 20 minutos do final uma bola é bombardeada para a área do SL Benfica e o cabeceamento de Germano é efectuado em chapéu para trás sobre o seu guarda-redes parando na cabeça de Kocsis que atira ao poste, Ângelo é que acaba o sufoco cedendo canto. Passado poucos minutos Kubala remata forte de fora da área com a bola a ir embater nos dois postes e a ir parar nas mãos de Costa Pereira, quando os da Cidade Condal já festejavam golo. O SL Benfica tentava sacudir a pressão essencialmente através das investidas de Coluna que se mantinha incansável e continuava a carregar a equipa para a frente. Contudo o domínio dos de Barcelona acentuava-se procurando desesperadamente o golo que acabou por surgir num lance genial de Czibor a rematar de fora da área ao ângulo superior direito da baliza benfiquista sem que Costa Pereira tivesse qualquer hipótese, que ainda se atirou muito bem à bola, se este golo premiava as tentativas dos barcelonistas em chegar ao golo castigava mais injustamente o esforço defensivo dos benfiquistas. Este golo é certamente um dos mais belos marcados em finais europeias. O jogo continuou bom com ambas as equipas a criar perigo ao adversário, notava-se muito esforço por parte dos atacantes do SL Benfica para continuar a atacar a baliza contrária. Mas numa jogada de muita envolvência dos atacantes do Barcelona CF dentro da área do SL Benfica Kubala volta a rematar ao poste, apesar de continuar a jogar bem já se temia o pior entre os benfiquistas. As peças fundamentais do futebol benfiquista conseguiram manter-se tranquilas e iam queimando tempo com a bola nos pés dificultando a missão dos barcelonistas, estes quando tinham a bola nos pés eram rapidíssimos e tentavam a todo o custo criar ocasiões de golo, mas nas poucas vezes que o conseguiam deparavam-se com um Costa Pereira em grande forma ou um dos seus defesas a compensar o seu guarda-redes. O SL Benfica ainda dispôs de uma grande ocasião de golo com Santana a correr todo o meio-campo adversário isolado mas a faltarem-lhe as forças na altura do remate. Após esse lance o jogo caminhou para o seu final sem que o Barcelona CF conseguisse voltar a ameaçar a baliza benfiquista. Quando o árbitro suíço apitou para o final do jogo foi a loucura entre os portugueses, deu-se a pacífica invasão de campo e os jogadores fotram levados em ombros pelos adeptos. Tinha ganho a equipa que mais mereceu levar o troféu para casa.



A Águia voou alto na Europa!


O Mundo acabara de conhecer o poder futebolístico do SL Benfica, que tinha ganho com muito esforço e qualidade futebolística. O clube português trouxe as duas Taças para casa e tornou-se o primeiro clube a ser campeão europeu apenas com jogadores nacionais e o único até à vitória do FC Steaua Bucuresti em 1985/86, também contra o FC Barcelona. Quem não tinha ficado ainda convencido com a vitória benfiquista era o Barcelona CF, que alegava azar para ter sido derrotado e que tinha melhor equipa que o SL Benfica, para tirar dúvidas o SL Benfica aceitou disputar um jogo particular em casa do adversário, esse jogo terminou empatado 1-1 e foi o reconhecimento internacional do SL Benfica como melhor equipa da Europa na época 1960/61, a Taça que o SL Benfica tinha recebido do Barcelona CF antes do jogo de Berna ficou como símbolo desse reconhecimento, inclusive por parte do Barcelona CF.

A equipa do SL Benfica era constituída por duas partes: a parte da defesa e do meio-campo, composta por trabalhadores e a do ataque composta por artistas. Mário Coluna fazia a transição entre os trabalhadores e os artistas, pois pertencia a ambos sendo provavelmente o melhor nas duas funções. Os primeiros tinham como missão o jogo da equipa adversária e entregar aos restantes que tentariam então criar jogo para marcar golos. O grande destaque, peça fundamental e talvez mais importante da vitória do SL Benfica foi Mário João, este jogador foi um trabalhador incansável, nunca deu tréguas aos adversário, correu o jogo todo atirando-se a todos os lances com emoção, muitos foram os carrinhos, os cortes de cabeça deste baixo jogador e ainda salvou dois golos em cima da linha, ele que até este encontro tinha jogado apenas 5 vezes. Era admirável a sua determinação e entrega ao jogo, ao vê-lo jogar não seria de estranhar que os seus companheiros de equipa pensassem em ganhar o jogo para lhe dedicar a vitória. Para mim jogar à Benfica é jogar à Mário João. Outra peça fundamental na vitória do SL Benfica e sem a qual esta ainda mais dificilmente aconteceria foi Mário Coluna que conduziu muito bem o jogo do SL Benfica, marcou um golo fantástico e soube controlar o jogo quando foi necessário. Destaque ainda para Germano, na defesa onde era um dos melhores jogadores mundiais, e no ataque para Santana um jogador muito tecnicista. De referir ainda, por outro lado, que José Augusto não se encontrou nos seus melhores dias e ficou aquém das expectativas, raramente conseguindo superiorizar-se aos defesas do Barcelona CF. Sobretudo o que fez o SL Benfica ganhar o jogo foi o espírito de equipa. Foi uma vitória de uma equipa bem organizada e com espírito de sacríficio. O adversário também valorizou muito a vitória benfiquista, com a excelente equipa que tinha o Barcelona CF fez um grande jogo criando um rol imenso de oportunidades de golo.

A questão a colocar no final do jogo era se teria sido uma vitória casual e esporádica de uma equipa combativa com muita qualidade no ataque mas com apenas um grande desequilibrador (Mário Coluna), mas no ano seguinte dois jovens jogadores (Simões e Eusébio), especialmente aquele ainda hoje considerado dos melhores futebolistas de sempre, vieram mostrar que este clube marcaria uma época no futebol europeu.

A primeira vez que vi o jogo não lhe dei o devido valor e apesar do seu significado vi-o como um jogo com falta de algumas qualidades, mas ao revê-lo vi para além dos passes falhados, de algumas jogadas inconsequentes e observei um jogo com muitos momentos bons e com jogadores que tinham verdadeiro espírito desportivo, davam o seu melhor em campo. Esta equipa com o seu esforço e dedicação conquistou mutitos admiradores pelo mundo, alargou a grandeza e glória do seu clube, ainda hoje ajuda a conquistar adeptos... como eu que sou um grande admirador da equipa de Futebol do SL Benfica 1960/61.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

A marca SL Benfica vale milhões


No estudo que a Brand Finance faz todos os anos sobre o poder das marcas de clubes de futebol, em que lista as 50 marcas mais bem posicionadas do mundo, nunca nenhum outro clube português tinha aparecido. Pela segunda vez apareceu um, o maior pois claro, o SL Benfica. Já em 2011 constámos deste ranking.
Segundo o ranking, o Benfica entra novamente em 2013 e diretamente para a 42ª posição. A distância para os clubes de topo é infindável! Qualquer coisa como 15 vezes para o 1º classificado, Bayern de Munique, e 7 vezes e meia para o Chelsea que não foi melhor do que nós, em jogo jogado, na final da Liga Europa. Ainda assim, é mais um feedback externo que mostra o bom caminho empreendido pelo Benfica no últimos anos.


Mas afinal o que é isto de hierarquizar marcas? Que critério foi usado? A resposta vem por intermédio de um algoritmo com uma certa complexidade! Primeiro calculam as receitas futuras num período de 5 anos tendo em conta tendências históricas de evolução, estimativas de crescimento dos mercados, força competitiva da marca, projeções de analistas e previsões do próprio clube. Com isto estimam a força da marca. Depois hierarquizam as marcas com base nos respetivos royalties (rendimentos da marca) analisando margens de negócio e contratos comparáveis, como por exemplo as receitas dos direitos televisivos, os resultados da bilhética, os namings dos estádios ou os contratos de fornecimento de equipamentos desportivos. De seguida atribuem um desconto às receitas futuras com base na inflação e no risco associado ao que está a ser analisado. Uma espécie de índice de preços a 5 anos. O resultado final é, então, o valor da marca. A marca Benfica vale, segundo este estudo, 56 milhões de euros. Em 2011 a marca estava avaliada em 38 milhões de euros pelo mesmo estudo.  

Alguém terá dúvidas de que estes estudos revelam evoluções importantes na estrutura do Benfica? Alguém terá dúvidas sobre quem tem a responsabilidade destes bons resultados? Eu não! O valor da marca Benfica é um ativo importante conseguido ao longo da sua existência e não conquistado por esta direção. O mérito das direções de LFV passa essencialmente por ter percebido, há muito, que esta é a força motriz deste grande clube e, também, em ter sabido potenciá-la cada vez mais. Acredito que as decisões tomadas no que respeita a uma maior importância das Casas do Benfica, aumentando a sua preponderância e homogeneizando a sua imagem, à promoção e investimento nos meios de comunicação do Benfica, essencialmente na Benfica TV, e à aposta, pioneira no mundo, na posse dos direitos televisivos e transmissão dos próprios jogos no canal do clube, serão fundações estruturantes para um engrandecimento crescente do clube, algo que nos interessa a todos.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Basquetebol – Benfica dominador


A modalidade ficou menos competitiva sem o nosso maior rival e isso nota-se nas assistências aos jogos no pavilhão. O Porto contava, no ano passado, com 3 modalidades de pavilhão e o Basquetebol era a única em que não conseguia exercer influência sobre a arbitragem. Resultado, aproveitou a situação complicada em que se encontrava, com ordenados em atraso há muitos meses nas várias modalidades, e acabou com esta secção em detrimento doutras onde manipula arbitragens de forma a ganhar campeonatos de forma vergonhosa, como é disso exemplo claro e há muitos anos o hóquei em patins. Mas não o fez sem antes lançar suspeitas cobardes sofre a Federação, típico do comportamento dos seus dirigentes.

O que se passou este ano foi uma superioridade bem evidenciada pelo Benfica . Superioridade essa que começou com a conquista das duas provas mais importantes do início de época, o Troféu António Pratas e a Supertaça. Daí seguiu para conquistar a Taça Hugo dos Santos ou Taça da Liga. Entretanto foi mantendo a liderança na fase regular do campeonato sem derrotas. A primeira, e única, derrota na fase regular surgiu à 12ª jornada, em casa, com o CAB Madeira que haveria de se classificar em 2º. A final da Taça de Portugal chegou em Março e representou o único desaire do Benfica este ano, uma derrota frente ao Vitória de Guimarães em Fafe. Não deixa de ser uma desilusão por ser uma prova que o Benfica não conquista há 17 anos (!) e também porque fez com que não fosse possível realizar o pleno das provas nacionais. Nos play-off do campeonato vencemos o Lusitânia dos Açores por 3-0 nos quartos de final, a Ovarense nas meias pelos mesmos 3-0 e a Académica por 3-1 na final.
Não deixa de ser curioso que o Benfica disputou a final de 5 competições, venceu quatro defrontando sempre a Académica e perdeu a única competição em que este adversário não atingiu a final, a Taça de Portugal.


Nas competições internas o Benfica realizou, este ano, 42 encontros ganhando 39 e perdendo apenas 3 com um aproveitamento total de 93%. Esse aproveitamento baixa para 80% se considerarmos apenas as competições ganhas relativamente às jogadas. Isto são números impressionante mesmo tendo em conta a baixa de competitividade.

Seria interessante colocar esta equipa à prova em competições internacionais. Não sei se vai ou não haver Supertaça Lusófona na próxima época mas penso que a inscrição em provas europeias é exigível tendo em conta a redução da competitividade interna. Por um lado para promover a assistência aos jogos da modalidade e por outro para motivar os jogadores e aumentar a qualidade do seu nível competitivo.

O palmarés da modalidade fica assim atualizado:

Palmarés global

Campeonatos Nacionais

Taças de Portugal

Supertaças

Taças da Liga

Troféus António Pratas

Taças da Federação

Torneios dos Campeões

 Campeonatos Metropolitanos

Competições Internacionais (Supertaça Luso-Angolana)