quinta-feira, 20 de junho de 2013

No topo da memória: Jean-Jacques

Jean-Jacques Nzadi da Conceição, foi certamente o melhor power forward que passou pelo basquetebol português, como já estava anunciado há algum tempo, foi introduzido nesta quarta-feira no FIBA Hall of Fame. É o primeiro jogador africano a receber esta honra. O primeiro jogador do SL Benfica! O primeiro que passou pelo basquetebol português. Depois de em 2011 ter sido considerado, no cinquentenário da FIBA Africa, como o melhor jogador africano de sempre.

Que privilégio vê-lo jogar! Que privilégio tê-lo visto no SL Benfica! É daqueles jogadores que podemos dizer: é nosso! Tem a sua carreira muito ligada ao SL Benfica, é com a nossa camisola que é mais recordado.

Chegou em 1988, vindo do CD Primeiro de Agosto, para jogar durante 8 épocas numa equipa que consigo ganhou 7 campeonatos consecutivos, 5 Taças de Portugal, 6 Taças da Liga e 4 Supertaças nacionais. Tendo também capacidades para derrotar as melhores equipas do mundo, como fizeram quando em 1993/94 derrotaram, em Badalona, o CB Juventut Badalona, que viria a vencer a Euroliga nessa época, na mesma época eliminaram o KK Olimpija Ljubljana da Euroliga, iriam ganhar a FIBA European Cup, em 1995/96 derrotaram o Panathinaikos BSA, que viria a vencer a Euroliga nessa época, e ainda outros grandes nomes do basquetebol europeu, como o Virtus P Bologna, o CSKA BC, o Hapoel Tel-Aviv BC, entre outros.

Essas equipas tinham grandes jogadores como Mike Plowden, Steve Rocha, José Carlos Guimarães, Henrique Vieira, Pedro Miguel, Luís Silva e, claro, Carlos Lisboa, formaram uma época dourada no basquetebol benfiquista, aquela que todos recordamos com saudade. Uma equipa como nunca houve em Portugal. O tipo de equipas que engrandece um clube, não só pelas vitórias mas também pela arte. Equipas que são relembradas. Essa conjugação de grandes jogadores e grandes treinadores tornou-os ainda mais famosos. Mas mesmo nas grandes equipas há aqueles que sobressaem, depois de Carlos Lisboa, os benfiquistas recordam com saudade os lances de Jean-Jacques.

Começou por ser treinado por Tim Shea, que formou esta grande equipa, depois por Mário Palma, que brilhou com a equipa. Em 8 anos apenas não ganhou o campeonato no seu último ano, aquele que marcou também a despedida de outro grande ídolo - Carlos Lisboa. Foi jogar para França, para o CSP Limoges, equipa que 4 anos antes havia sido campeã europeia, jogou ainda no CB Unicaja Málaga e volltou a Portugal para terminar a carreira na equipa da Portugal Telecom, onde ganhou mais três campeonatos. Com a sua selecção participou em 2 Jogos Olímpicos e foi 7 vezes campeão africano (recorde).

Era um poderosíssimo jogador defensivo, mas sobretudo, o tipo de jogador, que devido à sua espectacularidade, os adeptos querem pagar para ver jogar, como Carlos Lisboa, Panchito Velázquez, Ricardinho ou Pablo Aimar, quando tocava na bola sentia-se que o valor do bilhete estava garantido. 

É com orgulho benfiquista que o vejo no Hall of Fame da FIFA. Está também no Hall of Fame da memória de muitos de nós.

Termino a mostrar-vos uma das suas jogadas mais famosas e mais importantes. Em Almada, na vitória contra o Panathinaikos BSA, fez este estrondoso afundanço contra a lenda da NBA Dominique Wilkins:

terça-feira, 18 de junho de 2013

O que é uma ditadura senhor presidente?

Não pude participar na última Assembleia Geral do SL Benfica mas participou um sócio que colocou algumas perguntas com as quais me identificava.

Eis a sua intervenção - que foi distribuída aos membros da direcção, porque muitas vezes se esquecem de responder aos sócios -, a vermelho está a resposta da direcção:


Lisboa, dia 14 de Junho de 2013


Intervenção do Sócio – Jorge David Ferreira Basto na Assembleia-geral do Sport Lisboa e Benfica a 14 de Junho de 2013.




Relativamente ao orçamento para a próxima época desportiva 2013/2014 gostaria de ver esclarecidas as seguintes dúvidas.

Distribuição da Receita de Quotização 75/25% e Politica de Preços Quotas e Bilhetes

1.      No orçamento para a próxima época, o clube prevê ter uma receita de 13M€ na rubrica Quotização. Um decréscimo de 10% comparativamente ao valor apresentado no último R&C referente à época de 2011-2012 chumbado na última AG em Setembro do Ano passado.
Perguntas: Que medidas tencionam tomar para revitalizar e dar um novo impulso à adesão ao Cartão de Sócio? Questão subjacente, para quando uma revisão dos preços das quotizações de forma a travar essa queda abrupta da receita relativas às quotizações? Relembro que nas últimas eleições do ano passado uma das promessas de campanha foi justamente baixar os preços das quotas e também dos bilhetes.
Resposta do Vice-presidente Nuno Gaioso Ribeiro:
Basicamente disse que existiam estudos que apontavam para Aumento do valor das quotizações para manter o nível das receitas de quotizações e outros estudos que apontavam no sentido inverso para uma redução do valor. Não houve nenhuma medida concreta anunciada relativamente a este tema.

Já agora uma pequena nota relativamente aos preços dos bilhetes. Na última época decidi não renovar o meu lugar de RedPass ao ver que o meu lugar tinha aumentado de 25€ por época (sei que foi derivado do aumento do IVA). Mas cansado de pagar antecipadamente e ver depois ofertas e “borlas” de bilhetes no decorrer da época. Decidi então comprar bilhetes jogo a jogo. Fiz as contas, fui a 10 jogos em 15 para o Campeonato. Paguei o meu bilhete em 6 jogos (valores de 9€ a 20€ nos jogos contra o FCP e SCP) e fui a 4 jogos com bilhetes de oferta para a bancada Meo do Piso 1. No total gastei 90EUR o que dá então uma média de 9€/jogo. Se tivesse renovado o meu RedPass teria pago 195€ o que daria em média 13€/jogo supondo que teria assistido aos 15 jogos do campeonato (o que nunca consegui fazer falhando sempre 2 ou 3 jogos por época por motivos pessoais e profissionais).
Perguntas: Qual a vantagem de comprar RedPass se todas as épocas temos Ofertas de bilhetes ou por ter Debito directo ou por qualquer outro motivo? Porque manter preços desajustados da realidade económica que o país atravessa para depois oferecer borlas?
Resposta do Vice-presidente Nuno Gaioso Ribeiro:
Sendo este tema competência da Benfica SAD, no entanto foi adiantado em primeira-mão durante a AG de que haverá novidades brevemente sobre este tema levando a querer supor que haverá redução dos preços dos Bilhetes.

2.      Segundo aspecto que gostaria de mencionar diz respeito à Percentagem de transferência da Quotização liquida para a Benfica SAD. Vejo no orçamento que este valor passou de 75% para 25%.
Perguntas: Gostaria de saber se esta medida é temporária e qual o motivo para esta alteração de percentagem?
O Departamento de Modalidades Desportivas irá manter os mesmos 10% da receita líquida das Quotizações, como tal para que fins estão destinados esses 6,5M€? O Benfica Clube ira transferir para a Benfica SAD 2,4M€ em vez de 9M€ na época passada
Finalmente, como esta medida representa um decréscimo de 6,5M€ na receita para a Benfica SAD. Gostaria de saber quais os impactos e medidas compensatórias na Benfica SAD para colmatar essa perda de receita?
Resposta do Vice-presidente Nuno Gaioso Ribeiro:
Mais uma vez, resposta dada pelo Vice-presidente foi muito pouca detalhada e explícita. Referiu que serviria para pagar umas dívidas do Benfica Clube a outras sociedades participadas do Clube. Mas neste caso pergunto eu porque não foi apresentado nesse orçamento na parte das Despesas esses pagamentos a efectuar, já que o orçamento apresenta um resultado líquido de mais de 5M€. Concluindo, tudo muito vago, não sabemos ao certo onde e como irão aplicar esse dinheiro.


Museu (Previsão de Receitas /Custo da Obra)
3.      Terceira dúvida que gostaria de ver esclarecida é relativa ao Museu. Na rubrica Receita Visitas Estádio e Museu, para a próxima época não temos nenhuma receita de prevista quando existiam receitas orçamentadas nos anos anteriores.
 Perguntas: Existe alguma explicação para tal? No primeiro ano de funcionamento o Museu irá ser grátis? Ou as receitas do novo Museu estarão afectas à Benfica Estádio?
Por outro será possível saber o custo global para a construção deste Museu?


Resposta do Vice-presidente Nuno Gaioso Ribeiro:
O Vice-presidente confirmou de que por uma razão fiscal, as receitas do Museu iria ficar na participada Benfica Estádio detida pela Benfica SAD.


Investimento nas Modalidades Desportivas
4.      Finalmente em relação às Modalidades Desportivas, o orçamento para a próxima época prevê uma descida de 7% na Receita e de 3% na Despesa. Menos do que anunciado pelo Vice-Presidente para as Modalidades o Sr. Domingos Lima.
Perguntas: Como tal gostaria de perguntar se a aposta nas Modalidades irá manter-se com equipas competitivas e com capacidade para lutar por todos os troféus Nacionais em disputa? Por outro gostaria de saber se o Basquetebol e Voleibol irão participar nas competições Europeias à imagem do que acontece com o Andebol, Hóquei em Patins, Atletismo e Futsal? Porque estas duas modalidades não participam nas competições Europeias de forma a justificar o investimento nas modalidades e ajudar ao crescimento de Atletas e divulgando o nome do clube por essa Europa fora?
Resposta do Vice-presidente Nuno Gaioso Ribeiro:

O Vice-presidente em nome do vice Domingos Lima, disse estar neste momento em análise esta questão sobre as participações nas competições Europeias. Essencialmente dependente de patrocinadores.



Em relação ao primeiro ponto, novidades para breve foi em tempo de eleições, entretanto já eu tinha pagado o aumento do RedPass. Promessas leva-as o vento... O terceiro ponto teve a resposta esperada. O quarto ponto foi-nos desmentido, nessa mesma noite, por uma fonte com bastante informação - a equipa de basquetebol não vai jogar nas competições europeias.

Gostava que tivesse sido perguntado ao senhor presidente da mesa da AG porque razão, depois de ter dito no final da última AG que havia quem tivesse votado mais que uma vez, ainda se continua a utilizar o sistema primitivo de voto com o papel no ar! Quando o próprio Luís Nazaré disse que ia mudar o sistema - sistema esse que além de gerar confusão pode ter resultados dúbios. Mais importante, gostava que lhe tivesse sido perguntado porque achou que tinha condições para se recandidatar ao cargo depois de ter dito que tinha entrado gente na última AG que nem sócio era. Se não tem capacidades para controlar a AG, não consegue manter uma votação regular e permite que os estatutos sejam violados, não pode continuar e deve dar o lugar a outro que o possa fazer.

Mais uma vez houve confusão na AG, a certo ponto alguns sócios (o Luís Nazaré não deve ter a certeza) acusaram a direcção de impor uma ditadura, e parece que o presidente da mesa da AG berrou "vocês sabem lá o que é uma ditadura!". Ameaçou acabar com a AG. Quando o Bruno de Carvalho se dirigia para falar aos sócios, respondendo à intervenção do presidente, esse direito foi-lhe negado e com maior confusão ainda o presidente da AG terminou-a (tal como havia feito na anterior) sem que os sócios tivessem direito a contrapor respostas da direcção ou debater outros assuntos.

As AGs servem para debater os assuntos que os sócios querem ver discutidos sobre o SL Benfica, é o espaço que têm para o fazer - não foi feito. Servem para os sócios pedirem esclarecimentos sobre o orçamento à direcção e vê-los devidamente respondidos - não foi feito. Servem para que haja uma votação clara - não acontece. Servem para que caso a votação vá contra a proposta apresentada esta não seja aplicada - não aconteceu na penúltima AG. Neste momento os sócios não têm como apresentar propostas a votação, pois o senhor presidente da AG tem as terminado sem que isso possa acontecer. Preocupa-se muito com a duração das mesmas e di-lo, essa não deve ser a sua preocupação, enquanto houver assuntos a discutir elas devem demorar. Uma ditadura não é só o que o Estado Novo foi, ditaduras já houve muitas, ainda as há, há-as sobre diversas formas.

sábado, 15 de junho de 2013

Futebol – Benfica derrotado nos "descontos"

Chegou o momento de trazer aqui o palmarés que mais interessa aos benfiquistas, o do futebol.
Já muito se disse sobre a época do Benfica e repeti-lo seria redundante. Cada um terá a sua opinião e nisto do futebol todos somos treinadores! Volto a dizer que houve um pouco de tudo e ser fundamentalista é apenas uma expressão de raiva e/ou revolta e não uma explicação da realidade. A culpa não foi toda do Jesus. A culpa não foi toda do Artur. A culpa não foi toda do Martins. A culpa não foi toda do Melgarejo. A culpa não foi toda do Vieira. A culpa não foi toda dos árbitros. A culpa não foi toda dos corruptos. A culpa não foi toda do azar. A culpa não foi toda do que quer que seja!
Como em qualquer outro clube de futebol, a realidade é complexa e o trabalho de equipa vale mais do que o da soma das partes. Ainda assim, como tenho dito sempre, acredito que os dois últimos campeonatos fariam parte do palmarés do Benfica se não houvesse imoralidade e ilegalidades no futebol português, pese embora os erros próprios que existiram e existem sempre que alguém se propõem a fazer algo, ou seja, errar é humano mas nós errámos muito menos do que a nossa concorrência nestas últimas duas épocas. Não tendo tido jogos oferecidos em Coimbra, Paços de Ferreira e Madeira (norte), tivemos Xistralhada em Coimbra, Proençada na Madeira (norte) e SoaresDiasada na Luz com o Braga! Só isto dava o campeonato antes de jogar com o Estoril e nem me esforcei muito para ir buscar coisas muito rebuscadas. Enquanto esta podridão se mantiver o Benfica vai ganhar campeonatos a cada 5 anos, de aflitos, no último minuto da última jornada, isto se tiver equipa para ser campeão europeu (ligeiro exagero!).


Para a história fica uma equipa melhor do que todos os adversários no campo, no jogo, principalmente no campeonato nacional. Uma equipa que maravilhou na Europa (não sempre mas quase). Que mereceu estar na final e que mostrou ser superior ao campeão europeu em título. Uma equipa que passou todas as eliminatórias da Taça de Portugal como se estivesse a jogar sempre contra adversários de divisões inferiores, até que se deu à morte no Jamor contra um Vitória de Guimarães tão medíocre que ainda precisou que o Jorge Sousa lhes desse um empurrão! Mas também fica para a história como a equipa que mais mereceu e que menos conseguiu. A equipa que nos últimos 4 jogos da época só podia perder um e foi esse que ganhou, perdendo os restantes.


O porto voltou a inscrever o seu nome na imundice nacional, como lhe assenta melhor. O Chelsea voltou a ganhar uma competição europeia sem deslumbrar, sem encantar, diria até, sem sequer saber como! O Vitória de Guimarães inscreveu o seu nome, pela primeira vez no seu historial, na lista de vencedores da Taça de Portugal. Já merecia mas já mereceu muito mais do que este ano!
O Sporting fez o pior campeonato da sua história, fez uma primeira metade de época miserável e não se qualificou para as competições europeias como resultado de políticas suicidas e do beija mão à gente corrupta. O Braga conquistou a Taça da Liga que não serviu para amenizar a desilusão da não qualificação para a Liga dos Campeões. O Paços de Ferreira encostou-se à imundice e corre agora lado a lado com Braga, Nacional e Académica, só para referir alguns. O Estoril fez o que lhe competia, acima das expectativas, e foi remunerado com vendas de jogadores! O Beira Mar e o Moreirense desceram de divisão enquanto o Olhanense se mantém à custa de salários em atraso e dívidas que não consegue pagar. O futebol português é aviltante!

O palmarés da modalidade fica assim atualizado:

Palmarés global

Campeonatos Nacionais

Taças de Portugal

Supertaças

Taças FPF

Taças da Liga

Competições Internacionais

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Corruptolândia em contra ataque desesperado

Tem sido noticiado nos meios de comunicação afetos ao Benfica, nomeadamente na Benfica TV, o acordo que a Controlinveste (de Joaquim Oliveira), a ZON e a PT/MEO fizeram no momento da transferência de parte do capital social da SportTv da ZON para a PT, ou melhor, a cláusula de exclusão de outros fornecedores de conteúdos desportivos que não a SportTv. O resultado seria (digo seria porque acredito que nem em Portugal isto pode passar) o controlo tripartido da SportTv, 50% da Controlinveste e 25% tanto para a PT como para a ZON, sendo que a PT e a ZON representam mais de 90% do mercado de distribuição de sinal TV. Com isto, a Benfica TV estaria arredada das duas plataformas que representam a quase totalidade do mercado de TV.

Algumas observações em relação a este assunto:
  • Fica provado que há corrupção e tráfico de influências na comunicação social em Portugal por não terem divulgado esta noticia que é, de facto, notícia mas que coloca a nu o jogo sujo dos corruptos.
  • Fica também provado que, em Portugal, tudo e todos estão à venda. A crise que atravessamos não é uma crise financeira, é uma crise de valores! Digo isto porque não percebo como é que a ZON mas principalmente a PT se deixam engolir por esta gente nojenta. Sabemos que a PT tinha interesse na SportTv mas vale tudo? E a ZON, ainda estaremos para descobrir o que vai ganhar com isto! Sim, porque tudo se paga e não há almoços gratuitos.
  • Disse em cima que acreditava que isto não pode passar e digo-o porque (ainda) existe uma lei da concorrência em Portugal. A verdade é que os corruptos a norte nunca precisaram de meter a unha nesta lei e agora talvez precisem! Será que se manterá? Depois de ver toda a estrutura institucional do futebol em Portugal corrompida, poder político corrompido, poder judicial corrompido, polícia corrompida, de modo geral, tudo e todos os que são necessários comprados, não sei o que acontecerá a esta lei ou aos membros da Autoridade da Concorrência!
  • No cenário esquizofrénico desta realidade se confirmar, acredito que a Vodafone, o maior distribuidor a seguir à PT e ZON, teria um crescimento exponêncial de assinantes tal como a PT/MEO teve quando conseguiu chegar a acordo para transmitir a Benfica TV em exclusividade relativamente à ZON. Esta seria mais uma oportunidade para se sentir a força do Benfica num país que não tem dimensão, nem física nem moral, para um clube tão grandioso e glorioso como é o Sport Lisboa e Benfica.


Manuel Seabra expõe a situação ao MAI (a partir do minuto 3:58)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Novas contratações para 2013-14 (continuação)


Como outras contratações do Benfica para esta época, chegam mais 5 jogadores jovens e com grande potencial de valorização. Destes, um é já uma estrela em ascensão e tinha meia Europa a correr para a sua contratação. Mais uma vez, o Benfica antecipou-se e firmou contrato com Lazar Markovic, o Benfica paga 10 milhões ao Partizan e o jogador fica com uma clausula de rescisão de 50 milhões. Este sérvio é avançado e pode descair para as alas, pelo menos é assim que o caracterizam. Na verdade é um jogador que pode fazer 3 posições no ataque dando várias opções a Jorge Jesus, como este gosta. Pode ser uma opção a Salvio no lado direito, tal como Enzo também é e nenhum outro. Pode também jogar à esquerda onde temos Ola John, Gaitan (que deverá ser vendido) e Urreta que ainda não se firmou em absoluto (embora eu acredite que tem grande qualidade e é jogador para o Benfica). Mas a posição onde parece estar mais à vontade é a de segundo avançado e, sendo assim, veio para a equipa certa porque há poucas na Europa que jogam num 4-4-2 tão vincado como o Benfica. Aqui jogará no lugar que já foi de Saviola, Aimar, Martins, Gaitan, Rodrigo ou Lima nestes 4 anos de Jorge Jesus e terá a concorrência de Sulejmani e Djuricic. Vejo-o como um novo Saviola com menos ratice (experiência) mas mais técnica e, principalmente, mais velocidade.

Lazar Markovic

Com Lazar chega também o seu irmão mais velho (21 anos) Filip Markovic. É médio, pode jogar no lado direito e também atuava no Partizan. Não tem a qualidade nem o mediatismo do irmão e deverá ser um reforço da equipa B. Nunca ouvi falar deste jogador e será, à partida, apenas companhia de viagem do seu irmão.

Os irmão Markovic - Filip à esquerda e Lazar à direita

Para a posição de defesa central, o Benfica foi buscar outro sérvio, este a jogar num clube de meio de tabela da Bélgica, o Kortrijk. Tem 23 anos e ajudou a sua equipa a fazer um campeonato acima das expectativas. Tem 1,89 metros de altura e espera-se que integre a equipa B com a expectativa de, rapidamente, mostrar que tem qualidade para jogar na equipa principal. O valor da sua transferência terá sido cerca de 1 milhão de euros.
Ainda para o centro da defesa, o Benfica contratou também Marcos Valente ao Penafiel. Este central de 19 anos, com 1,95 metros de altura, jogou apenas 4 jogos na 2ª liga esta época e nenhum contra a equipa B do Benfica mas terá suscitado o interesse dos responsáveis encarnados que vêm nele potencial. Será um reforço da equipa B na próxima época.

Centrais para a equipa B - Mitrovic à esquerda e Valente à direita

Por último, um jogador que já tinha treinado à experiência no Benfica e que agora se vincula definitivamente é Uros Matic, o irmão de Nemanja Matic. Mais um para engrossar o filão sérvio do Benfica, este esquerdino centro campista é mais ofensivo do que o irmão, menos alto, tem 1,85 metros, e uma ano mais novo. Ao que parece terá impressionado ao ponto de assinarem um contrato de 1 ano renovável por mais 5. Uros Matic veio do Kosice da Eslováquia, onde o seu irmão também tinha jogado, e o Benfica nada pagou pela sua transferência.

O irmão de Matic - Uros

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Uma forma de vida

Como se costuma dizer: "chama-lhe puta antes que ela to chame a ti!"

E quem melhor para perceber de putas que o clube da fruta? Não estou a ver.

Já muitas foram as vezes em que os fruteiros se queixaram que o SL Benfica abordava jogadores antes de jogos importantes contra a equipa dos ditos. Serviu de farpa quando o SL Benfica ficou a precisar urgentemente de um defesa central e foi contratar o Jardel (o melhor disponível) ao SC Olhanense. Tem-se levantado a questão mesmo quando não passam de boatos. 

Apenas para reflectir, como contraponto, a contratação do actual treinador da fruta. Para treinador do clube da fruta qualquer um serve - é o que se diz -, ora se assim é, porque não, em situação de aperto, contratar um que dá bastante jeito?! Paga-se o mesmo que a outro qualquer, custa menos que uma renovação e poupa-se em fruta (o que não parece ter sido o caso).

Há um par de anos, num campeonato de hóquei em patins em que duas equipas estavam bastante equilibradas também foi contratado o treinador da equipa que se defrontava na última jornada. (Coincidências!) Era o décimo campeonato consecutivo, um número muito bonito, convinha ganhar. Esse campeonato terminou empatado em número de pontos, os senhores da fruta ganharam porque venceram facilmente à equipa do seu futuro treinador. Desta vez o anuncio foi mais discreto, foi feito após o final do campeonato.

domingo, 9 de junho de 2013

Dragonaço - o nosso Maracanazo!

É verdade que o SL Benfica já tinha conquistado um troféu prestigiante que o consagrava como a melhor equipa da europa (a Taça das Nações de 1961, entre campeões dos principais campeonatos europeus), no entanto, faltava ao palmarés do clube a Taça dos Clubes Campeões Europeus/Liga Europeia. Duas Taças CERS e cinco finais da principal competição (não quatro como discursou o presidente) eram um prémio pequeno para o clube que pratica a modalidade há mais tempo.

Para que se tenha uma noção do que era o hóquei em patins europeu do SL Benfica nas últimas épocas antes do Luís Sénica, relembro-vos das nossas participações. Depois de três Final 4 entre 2000 e 2002, em 2003 vencemos dois jogos e perdemos quatro na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2004 perdemos todos os jogos na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2005 na Taça CERS fomos eliminados em Itália pelo AP Follonica Hockey depois de termos sido perdulários em Lisboa (na minha opinião com a equipa mal conduzida por Paulo Garrido; o AP Follonica Hockey acabou por ganhar a competição), em 2006 fomos eliminados na pré-eliminatória da Liga Europeia pelo CP Vic, não voltámos a ter participações europeias desde aí até à chegada do Luís Sénica – apenas participámos na época seguinte no Campeonato do Mundo, onde fomos terceiros.

Com Luís Sénica – é, no entanto, inegável que o conseguiu com grandes equipas -, em 2010 fomos à Final 4 da Taça CERS, em 2011 ganhámos a Taça CERS (em casa do outro finalista), em 2012 fomos à Final 8 da Liga Europeia (eliminados por equipa superior mas por demasiados golos), em 2013…

Fomos jogar a Final 4 da Liga Europeia ao Porto, ao Dragão Caixa. Contra três equipas consideradas superiores à nossa; se pedissem para juntar uma quarta a estas três para formar o conjunto das melhores, provavelmente, a maioria dos conhecedores deste desporto escolheria o HC Liceo.

Na meia-final derrotámos o adversário mais difícil da Europa, historicamente e também no contexto actual. Das nossas 36 participações em competições europeias fomos eliminados pelo FC Barcelona oito vezes (ainda que uma em fase de grupos com dois apurados), foi a segunda vez que os eliminámos (a anterior aconteceu epicamente nos quartos-de-final da Taça dos Campeões de 1994/95). Antes deste jogo contávamos com 17 jogos contra o eneadeca-campeão europeu, com 4 vitórias, 2 empates e 11 derrotas (uma em prolongamento), juntámos mais um empate muito vitorioso.

A diferença entre o sucesso e o insucesso é muito escassa; foi assim em muitas das nossas derrotas, foi assim em muitas vitórias de outros, foi assim nesta nossa vitória. Contra o Barcelona no último minuto o SL Benfica dispôs de um livre directo, que podia ser a última oportunidade para empatar o jogo a quatro, foi marcar o experiente Carlos López; não conseguiu enganar o guarda-redes Sergi Fernandez; faltava pouco tempo, bastava apenas o desespero; e esse desespero foi compensado, quando a poucos segundos do fim o mesmo jogador, com marcação defensiva, recebeu a bola no canto superior da área, e se virou para rematar à baliza não podemos falar em calma mas em vontade de ganhar. Esse remate cheio de vontade de Carlos López saiu contra o guarda-redes e ressaltou para dentro da baliza; o insucesso esteve à vista em cada momento desta jogada até que a bola entrou na baliza.

O jogo seguiu até aos penáltis onde tudo pode acontecer, todos podem sonhar ganhar aos melhores do mundo. Aí os jogadores do SL Benfica foram mais competentes (apesar do João Rodrigues ter deixado passar o tempo para rematar o penálti...), sobretudo o guarda-redes Pedro Henriques que defendeu quatro dos cinco penáltis para colocar a equipa na final.

Seguiu-se o adversário que tem dominado o hóquei em patins nacional e muito perto tem ficado de alcançar o grande troféu europeu. Desde a criação da Liga Europeia (em 1996/97), o FC Porto havia participado em seis finais, perdeu-as todas, quatro delas por apenas um golo (outra num grupo final de 4 equipas). Haviam sido jogadas 11 partidas europeias contra o FC Porto antes desta final, 1 vitória, 3 empates e 7 derrotas, tínhamos conseguido eliminá-los uma vez (em fase de grupos) e tínhamos sido eliminados cinco vezes (duas em fase de grupos). Já tínhamos jogado uma final europeia contra o FC Porto (a Taça das Taças de 1983) e tínhamo-la perdido em Lisboa 5-6, depois de um empate a dois no Porto. Este adversário impôs-nos a nossa maior derrota europeia de sempre (1-13, em 1987). Na única Final 4 da Liga Europeia em que o SL Benfica tinha defrontado o FC Porto havia perdido por 1-4, na vergonhosa edição de 2000 no Porto. Já não ganhávamos no pavilhão do FC Porto desde um dos jogos para o campeonato em 2004. Este ano tínhamos perdido os dois jogos contra eles, o último duas semanas antes da Final 4 da Liga Europeia, por 3-7.

Nós ganhámos o mais saboroso e importante de todos.

Muitos podem tentar desvalorizar esta vitória com os resultados da equipa de futebol mas os resultados do futebol nada têm a ver com o hóquei em patins. É possível gostar de mais desportos para além do futebol, é possível gostar mais desses desportos que de futebol. Não é o meu caso, apesar disso não consigo discernir se comecei a gostar do SL Benfica mais devido ao futebol, ao hóquei em patins ou ao basquetebol. Esta era uma competição que queria ver o meu SL Benfica ganhar desde que me lembro de ver desporto, mais que qualquer campeonato nacional de futebol.

Convém não esquecer que o SL Benfica anunciou que não iria comparecer na final, devido à distribuição de bilhetes e, sobretudo, às condições de segurança que colocavam em perigo os adeptos (e equipa) benfiquistas. Que o desportivismo dos jogadores do FC Porto na final não apague o clima infernal que os adeptos benfiquistas tiveram que suportar, a preparação que estava a ser feita para ainda mais actos de terrorismo, como os que aconteceram em 2000, também na Final 4 da Liga Europeia de hóquei em patins, quando as equipas do SL Benfica na meia-final e do FC Barcelona foram alvos da ira cega dos adeptos portistas, sem o devido apoio policial. Após a final os jogadores do FC Barcelona foram agredidos e não puderam receber a Taça no campo. Não tenho muitas dúvidas que se o SL Benfica não tivesse tomado medidas o mesmo (ou muito pior) estaria preparado, caso o principal rival (no entender deles: inimigo) ganhasse a principal competição - e que tanto eles têm tentado ganhar - da modalidade que o seu presidente e a maioria dos seus adeptos mais gostam, em sua casa. Estes actos vergonhosos têm o patrocínio do senhor que inventou a guerra Norte-Sul para promover o crescimento do seu clube, um crescimento que tem sido criado através do ódio. Tivemos que ir jogar a um ambiente hostil criado por um clube que não olha a meios para ganhar. Congratulo a direcção do meu clube que conseguiu combater esta violência sem recorrer à mesma e promovendo a segurança dos intervenientes no espectáculo (que deve ser sempre) do desporto.

Quanto ao jogo foi um grande espectáculo de hóquei em patins entre duas das melhores equipas do mundo, em que qualquer dos 10 jogadores pode certamente ter orgulho de pertencer devido à sua influência na equipa. O FC Porto embalado pelo apoio do seu público chegou cedo a uma vantagem de dois golos e com possibilidade de a aumentar. A equipa do SL Benfica não ficou visivelmente abalada e conseguiu manter-se a uma distância recuperável, com consciência que não eram necessárias medidas drásticas para tentar recuperar a desvantagem. A meio da segunda parte o SL Benfica conseguiu mesmo passar para a frente e pareceu querer controlar calmamente o jogo, mas perante a poderosa equipa do FC Porto isso não foi possível. O 5-5 no final dos 50 minutos era um resultado justo, qualquer equipa poderia ter vencido e terminaria como um campeão muito meritório. Foi o tipo de jogo que se quer numa grande final, com alternâncias no líder do jogo, com golos, com jogadas bonitas. Esperava-se que a esta altura o SL Benfica já não tivesse aguentado o poderio atacante do FC Porto, que a jogar em casa era claríssimo favorito. Mas a nossa equipa foi brava e soube jogar a final. No prolongamento numa jogada ensaiada, pedida pelo treinador, o Diogo Rafael rematou de longe e o João Rodrigues desviou a bola para o golo de ouro. 

Estava concretizado o nosso Maracanazo! A equipa do SL Benfica terminou como campeã, mereceu-o, os jogadores estiveram psicologicamente num nível muito elevado, não sucumbindo às adversidades de ambos os jogos e provaram que muito trabalho foi feito para se conseguir este enorme sucesso – mérito da equipa técnica.

As grandes vitórias costumam ter heróis que se destacam dos outros e brilham naquele momento decisivo. Esta enorme vitória – os dois jogos – teve muitos momentos que podem ser considerados decisivos, tivemos muitos heróis. O Ricardo Silva (guarda-redes por vezes pouco amado) fez defesas que mantiveram a equipa na discussão do resultado, não existe nenhuma grande equipa campeã que o seja sem grande intervenção do seu guarda-redes, especialmente em jogos tão equilibrados como os desta Final 4. Ao contrário do que tem acontecido muitas vezes a marcação de penáltis foi decisiva a nosso favor, o nosso melhor marcador (sempre o vi assim), Luís Viana, dispôs de quatro penáltis na Final 4 e transformou-os em 4 golos (fortíssimo!). Do outro lado, Pedro Henriques, o guarda-redes suplente que foi chamado para evitar os golos de livres directos e penáltis esteve brilhante, defendeu um livre directo no prolongamento contra o FC Barcelona evitando a nossa eliminação. O Marc Coy, que durante a época não conseguiu fazer esquecer a saída do Sérgio Silva, marcou um dos penáltis da meia-final e um golo importantíssimo na segunda parte da final. O Cacau que marcou de forma brilhante (que calma e concentração!) o livre directo que nos deu o primeiro golo da final, quando a margem de erro começava a escassear. O Carlos López que marcou o golo no fim do jogo da meia-final, com enorme crer demonstrado pela forma como festejou contra a sua antiga equipa; venceu a sua sexta Liga Europeia (uma no HC Liceo, quatro no FC Barcelona), também já ganhou o Sul-Americano de Clubes (pelo Unión Vecinal de Trinidad, UVT), e se não me engano é o primeiro jogador a ganhar a competição por três clubes diferentes. Os jovens João Rodrigues e Diogo Rafael, que espero sejam a base desta equipa por muitos anos, e marcaram em conjunto o golo de ouro da final, remate do Diogo com desvio do João. (Ao Diogo disse uma vez que era o único dos jogadores actuais que tinha lugar nas grandes equipas dos anos 90, entretanto surgiram vários jovens que vão trazer muitas glórias ao hóquei em patins português, mas ele tem tudo para ser o líder desta nova geração.) Sem esquecer o Tuco (que marcou penálti na meia-final e é sempre importante nos remates de longe) e o capitão Valter Neves que são a base defensiva desta equipa que esteve muito bem organizada em quase todos os momentos da Final 4.

O percurso para esta grande vitória europeia começou em 2009/2010 com a chegada de Luís Sénica, nesse ano, depois de muitas peripécias, ficámos em 5º no campeonato, ganhámos a Taça e fomos à Final 4 da CERS - o suficiente para muitos considerarem que não servia para o SL Benfica -, no ano seguinte ganhámos a Supertaça, terminámos o campeonato com os mesmos pontos do primeiro (que ganhou facilmente à UD Oliveirense na última jornada, treinada pelo seu futuro treinador Tó Neves; apenas empatámos um jogo e perdemos dois) e ganhámos a Taça CERS, no ano seguinte ganhámos a Taça Continental (sem jogar) e o campeonato que nos fugia há muito tempo (com dois empates e uma derrota), este ano já tínhamos ganhado a Supertaça, terminámos o campeonato com quatro empates e duas derrotas. Para se obter este nível de resultados foi necessário manter uma base estável de jogadores desde que foi construída a equipa que venceu a Taça CERS; dessa equipa, que tinha 11 jogadores, saíram: o grandíssimo Ricardo Pereira, o Caio e o Tiago Rafael; entraram: os experientes Sérgio Silva e Carlos López. Para esta época saiu o Sérgio Silva e entrou o Marc Coy, o que parecia ter deixado a equipa um pouco menos forte. 

Nestes quatro anos a equipa sempre se mostrou forte a nível europeu, especialmente em casa onde conseguiu 9 vitórias, 2 empates e não consentiu derrotas. No total foram 18 vitórias (uma em golo de ouro), 5 empates (uma com vitória em penáltis) e 5 derrotas (uma em golo de ouro); três troféus.

Há quem diga que os benfiquistas só se lembram do hóquei agora que ganhámos a Liga Europeia, eu não sou desses, fui a dois dos quatro jogos em casa nesta competição, não fui aos outros dois porque não pude. Sinto-me campeão desta Liga Europeia, quando pude fui dar o meu contributo. Fui receber a equipa à 1:00 ao Pavilhão da Luz, porque acho que mereci festejar com a equipa. Talvez algumas daquelas cerca de mil pessoas não tenham presenciado um jogo sequer esta época, espero que o façam a partir de agora, o hóquei em patins do SL Benfica merece.

Para concluir o agradecimento à equipa fui ver o último jogo em casa para o campeonato, contra o Sporting CP. Saúdo com agrado a guarda-de-honra com que os jogadores do Sporting CP receberam os campeões europeus. E também o desportivismo da claque oficial das modalidades do Sporting - algo que não conseguem ensinar à claque principal, que foi para o pavilhão para provocar. Foi o tipo de jogo que conquista adeptos para a modalidade, a equipa do Sporting CP mostrou que merecia evitar a despromoção e a do SL Benfica tentou sempre jogar bonito para brindar os adeptos com uma grande exibição; foi conseguido e com vitória por 10-4. Ambas as equipas mereceram e levaram aplausos no final. Congratulo o Sporting CP pela permanência; o ambiente que tem um jogo com o Sporting CP não se consegue normalmente contra o HC "os Tigres" de Almeirim, tem muita piada ir para o pavilhão gritar aos adeptos do Sporting CP "vais para a segunda", mas tem mais piada fazê-lo todas as épocas. Foi a despedida do Ricardo Silva, que nem sempre agradou a todos, mas a meu ver foi sempre mais o que fez de bom que o que não conseguiu fazer bem. O Luís Viana esteve, mais uma vez, brilhante e marcou 5 golos, o comportamento soou a despedida dos adeptos, espero que não se concretize; não é fácil arranjar jogadores de área como ele e Ricardo Pereira. Parece também que vamos ficar sem o treinador campeão europeu, lamento, os que ganham o que ele ganhou são de manter.

OBRIGADO E PARABÉNS CAMPEÕES!

(Cliquem sobre as imagens para ver as animações, produzidas pelo user Darkboy do fórum Serbenfiquista. Frases em itálico têm ligação para vídeo.)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pablo Aimar renovou contrato

É verdade, parece que El Mago terá mesmo renovado contrato com o Benfica. Segundo consta, o contrato é vitalício, assim foi o que ficou escrito no nosso coração! Como vai ser bom continuar a vê-lo no meio de nós...

Gracias El Mago

Pablo, Pablito Aimar
Que a glória voltará
Como Eusébio ou Rui Costa
Outro 10 imortal

Força, força Benfica
 Clube do meu coração
A jogar assim à bola
Tu serás o campeão

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Andebol – Melhores mas... ainda atrás


O Andebol é uma modalidade que pratiquei durante muitos anos e que, por isso, vejo com outros olhos. Entristece-me saber que é a modalidade com maior atraso no que respeita à evolução das leis do jogo e, consequentemente, ao comportamento dos árbitros em campo. As regras continuam, de modo geral, muito subjetivas fazendo com que o critério dos árbitros seja, muita vezes, inconstante e, por isso, difícil de perceber e criticável. Este é um problema da modalidade, ou seja, não é um exclusivo em Portugal. O problema em Portugal é usarem esta debilidade em favor dum só há muitos anos! Há, no entanto, que ser sério e reconhecer que a vitória do Porto no campeonato deste ano não advém de corrupção, como no Hóquei em Patins ou no Futebol, mas da qualidade superior que evidenciaram.

Este campeonato começou com um Sporting muito abaixo do seu potencial. Um bom trabalho permitiu-lhes acabarem a época mais próximo do que realmente valem conseguindo mesmo impor derrotas ao Porto e ao Benfica na fase final. O ABC e o Madeira SAD, vítimas do desinvestimento e da crise, nunca foram candidatos ao título, nem sequer se aproximaram. O Águas Santas acabou por ser a surpresa pelo bom andebol praticado, pela boa classificação, ficando logo atrás dos 3 grandes, e por ter sido a equipa que se bateu de forma mais estóica contra Porto e Benfica, acabando por decidir o campeonato por ter ganho ao Benfica na fase final e, logo de seguida, ter perdido com o Porto pela margem mínima com um golo sofrido no último segundo!
A história de Benfica e Porto é diferente das dos restantes. Na primeira fase só perderam um contra o outro, na casa do adversário e por um golo de diferença. Para além da única derrota, o Benfica tem ainda a registar um empate em Braga, contra o ABC, que não teria acontecido com uma arbitragem isenta. O Porto não perdeu mais pontos. Na fase final o Benfica entrou forte com 4 vitórias seguidas, incluindo contra o Porto, mas rapidamente se viu que a equipa parecia cansada e começaram a aparecer as derrotas, fora com o Águas Santas, Sporting e Porto, onde perdemos a possibilidade de voltar a ser campeões. O Porto, que tinha perdido na Luz, só voltou a perder em Odivelas, contra o Sporting, revalidando o título.

Benfica vencedor da Supertaça em Fafe a 2 de Setembro de 2012

Além do campeonato, a época começou com o Benfica e vencer a final four da Supertaça derrotando o Porto na meia final e o Sporting na final. E acabou com o Sporting a vencer a final four da Taça de Portugal derrotando o Benfica na meia final e o Porto na final.
Esta acabou, então, por ser uma época de revalidações, ou seja, ficou tudo na mesma em relação à época anterior. Tanto Benfica como Porto e Sporting acabaram por revalidar os títulos que já tinham conquistado um ano antes o que não deixa de ser um pouco amargo para nós na medida em que a competição que ganhámos é a menos prestigiante.

Falta apenas dizer que o Porto tem um conjunto de jogadores de formação própria, ou que chegaram ainda novos ao clube, que serão brevemente a base da seleção nacional e que sentem a camisola. Já o Benfica tem 7 jogadores da formação do ABC e muitos deles em fim de carreira. A nossa equipa é muito competitiva e provou-o na Taça EHF onde chegou aos últimos 16 perdendo por apenas 2 golos de diferença, em duas mãos, contra aquele que viria a ser o finalista vencido da prova, o HBC Nantes, mas os nossos jogadores (não todos, naturalmente) não encaram o clube da mesma forma que os do Porto fazem. Já tarda a chegada de jogadores de qualidade da formação do Benfica para a equipa principal!

O palmarés da modalidade fica assim atualizado:

Palmarés global

Campeonatos Nacionais

Taças de Portugal

Supertaças

Taças do Presidente da República

Competições Internacionais (Taça Challenge)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Uma vida de benfiquismo

Há que admirar este rapaz. Apesar de um estilo algo alucinado, diz o que tem a dizer e quase sempre de forma muito assertiva. Bem hajam os adeptos deste grande clube, um clube de gente humilde, um clube do povo e para o povo, um clube que não se limita a uma região ou a um estrato social, um clube que não existe para ser contra algo ou alguém e que por isso mesmo é e continuará a ser o maior clube do mundo!

Paulo Parreira em discurso direto

domingo, 2 de junho de 2013

Final da Liga Europeia de Hóquei em Patins

Se calhar não devíamos ter participado num jogo manchado pelo clima de terror, que ainda por cima parecia encomendado, após as indicações da meia-final. Especialmente, depois de termos dito que não o iríamos fazer.

Mas fomos a jogo, sem medo!

Inventaram duas faltas e duas grandes penalidades no início do jogo, daquelas que nem o Vítor Bruno - que tanto asco causa, com os seus comentários, desde os anos 90 - conseguia explicar... Foi sempre mais fácil marcar faltas à equipa do SL Benfica. No entanto, não foi o escândalo que eu esperava e vi noutros anos. Se tivéssemos perdido (e eu pensei que fosse acontecer) a responsabilidade da arbitragem não seria notória.

Estranho as poucas repetições dos lances de maior destaque (houve golos sem repetição), gostava de ter visto a repetição do terceiro golo do FC Porto, quando o Reinaldo Ventura marca golo e abre a cabeça do Carlos López.

Grande ambiente criado pelos adeptos do FC Porto, como eu gostava de ver na Luz, o que não parece possível porque há muitos que vão principalmente para estar contra as nossas equipas. De aplaudir o apoio à sua equipa mesmo no momento da derrota; uma derrota muito difícil de digerir: numa competição que perseguem há muito tempo, contra os principais rivais, na sua casa. Mas também lhes devia servir de lição: em casa contra os melhores todos podem perder; podem festejar fora mas os outros também podem festejar na casa deles; perder finais europeias, mesmo que em casa, não é vergonha para ninguém. Que isto nos sirva de lição também a nós. A vitória mais saborosa (a da competição mais importante) foi conseguida por nós na casa do FC Porto, mas para mim podia ter sido em qualquer local do mundo que significaria o mesmo.

Inadmissível os adeptos do SL Benfica apenas entrarem numa final europeia para ver a sua equipa na segunda parte.

Foi um grande jogo de hóquei em patins. Ganhámos e somos campeões europeus! Esperava isto há cerca de 20 anos quando comecei a acompanhar a modalidade. Ainda tenho memória da final a duas mãos que perdemos contra o Igualada HC, em 1995, e da minha desilusão por aquela grande equipa não ter sido campeã da Europa. Não sei se era do meu jovem olhar distorcido pelo amor mas, senti que nos tinham roubado a Taça - depois de termos eliminado epicamente o FC Barcelona, eliminado o HC Novara e termos sido superiores ao Igualada HC.

Desta vez não senti que tínhamos a melhor equipa do Mundo, nem da Europa, nem sequer de Portugal. Acho até que tínhamos a equipa com menos capacidades da Final Four. Mas o meu sentimento é o de sempre, prefiro ser campeão, a ser o melhor. Ser campeão é muito superior a ser-se o melhor, os campeões ficam para sempre nos registos da história, têm o sabor da vitória final, o objectivo com que todos sonham. Neste momento somos campeões!

Gostei das palavras do Sénica no final, deviam ser ouvidas e aprendidas por muitos benfiquistas, depois de termos perdido no Dragão para o campeonato não perdemos dignidade. Não são só os vencedores que saem com dignidade, acredito que qualquer que fosse o resultado esta equipa teria sido muito digna de vestir a camisola do SL Benfica.

(Não compreendo a ausência do presidente do clube neste momento importante.)

SL BENFICA – FC Porto  6-5, golo de ouro (3-4; 5-5; 1-0)
Golos: 0-1, 1’.35” Silva (P), 0-2, 6’38”: Ventura pen. (P), 1-2, 7’.03” Filho (B), 1-3, 9’.10” Ventura (P), 2-3, 10’.09” Viana pen.(B), 3-3, 19’.29” Rafael (B), 3-4, 21’.58” Nunes (P) - intervalo - 4-4, 5’11” Coy (B), 5-4, 15’.15” Viana pen. (B), 19’.05” Ventura (P) - prolongamento - 1’.32” Rafael (B).

SL Benfica:  Ricardo Silva (Pedro Henriques), Valter Neves (capitão), Diogo Rafael, Cláudio Filho "Cacau", Esteban Abalos "Tuco", Marc Coy, João Rodrigues, Carlos López, Luís Viana. Treinador: Luis Sénica.

FC Porto: Edo Bosh (Nélson Magalhães), Pedro Moreira, Ricardo Oliveira, Tiago Santos, Vítor Hugo, Jorge Silva, Reinaldo Ventura, Ricardo Barreiros, Hélder Nunes. Trienador: Tó Neves

Faltas: Benfica 14 – Porto 9
Árbitros: Valverde e Garcia (Espanha)

Ganhámos o jogo muito em parte devido à correcção de um dos principais problemas das últimas épocas, a marcação de grandes penalidades e livres directos.

Colocaram o SL Benfica num lugar que certamente merece, o de campeão europeu. Era uma lacuna que havia na nossa história! Somos o clube a praticar a modalidade há mais tempo, depois de termos sido convidados a representar Portugal num Europeu de Nações, de termos ganho a Taça das Nações (Torneio de Montreux) num ano em que participaram clubes campeões nacionais, de termos ganho duas Taças CERS, de termos perdido 5 finais da Taça dos Campeões e mais duas da Taça das Taças, finalmente ganhámos o maior prémio.

Já fui muitas vezes critico deles, hoje deixo o meu agradecimento aos Diabos Vermelhos por não terem deixado morrer esta modalidade, que tanto gosto, no Sport Lisboa e Benfica. Ajudaram a manter a grandeza do nosso clube.

(Hoje voltei a chorar de alegria pelo SL Benfica, como em 2010 com o Futsal.)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais uma vez, parabéns e obrigado campeões!

Hoje é o aniversário de um dos meus jogos preferidos do SL Benfica, um que faz a diferença na nossa história.

Vou recuperar um texto que escrevi sobre ele neste mesmo dia em 2006:

http://1001jogoshistoricos.blogspot.pt/2006/05/lutar-e-sofrer-em-berna-futebol.html

Lutar e sofrer em Berna

31 de Maio de 1961, Estádio Wankdorf em Berna (Suíça)
SL Benfica 3-2 CF Barcelona

Árbitro: Dienst (Suíça)
SL Benfica: Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Neto, Germano e Cruz; José Augusto, Santana, Águas (cap.), Coluna e Cávem. Treinador: Bela Guttmann
Barcelona CF: Ramallets; Foncho e Gracia; Vergés, Gensana e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor. Treinador: Orizaola
Golos: 0-1 Kocsis (20’), 1-1 Águas (30’), 2-1 Vergés (pb, 32’), 3-1 Coluna (55’), Czibor (75’).

Faz hoje 45 anos que o Sport Lisboa e Benfica venceu a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus e assim se tornou um dos primeiros clubes a inscrever o seu nome entre os grandes clubes mundiais. É com o jogo final desta brilhante campanha europeia que início a rúbrica do 1001Desportos sobre jogos históricos.

O Barcelona CF apresentava-se na final como claro favorito depois de ter eliminado a grande equipa do Real Madrid CF, que tinha vencido as 5 edições anteriores da Taça, numa eliminatória muito polémica, o Barcelona CF tinha vencido também as duas edições já realizadas da Taça das Cidades com Feira. A equipa espanhola contava com um ataque dos mais fortes da história do futebol, contando com os geniais húngaros Kubala, Kocsis e Czibor, o brasileiro Evaristo e o espanhol Luiz Suarez. Do lado do SL Benfica a peça mais importante era o seu carismático treinador, o húngaro Bela Guttmann, ele estruturou uma equipa muito organizada em que o colectivo é que vencia os jogos, incutiu uma mentalidade vencedora nos jogadores que fez com que jogassem com muita “garra” e nunca desistissem do jogo, na história do futebol europeu (UEFA) ainda não se tinha visto uma equipa onde o treinador fosse tão importante para a equipa e talvez só voltasse a acontecer de forma tão explícita cerca de 60 anos depois. Cabia ao SL Benfica tentar contrariar o favoritismo do adversário que representava o domínio do futebol espanhol de clubes na Europa, o Barcelona CF sentia que a vitória já era sua depois de ter eliminado o poderosíssimo Real Madrid CF e até ofereceu ao SL Benfica, antes do jogo, uma Taça que seviria de prémio de consolação para a equipa portuguesa.


O jogo começou com ambas as equipas a tentarem sair para o ataque ainda que de forma algo atabalhoada, mas aos 3 minutos o ataque do Barcelona CF conduziu uma boa jogada que foi parar à esquerda do seu ataque onde Czibor efectuou um cruzamento para o centro da área onde depois de um corte de Germano um dos seus avançados efectuou um pontapé de bicicleta salvo por Mário João sobre a linha de golo. Seguiu-se um período de equilíbrio onde as equipas mostravam mais vontade que qualidade para chegar ao golo e as ocasiões de golo naturalmente não surgiam apesar do esforço de ambas as equipas, apenas se registaram sem perigo remates de Suarez e Coluna. Até que a cerca dos 10 minutos de jogo aconteceu algo que lançou o pânico entre as hostes portuguesas, após um choque de cabeças Coluna (o organizador do jogo do SL Benfica) fica estendido inanimado no chão tendo que sair do terreno de jogo ajudado pela equipa médica e Cávem, como na altura não haviam substituições o SL Benfica ficou a jogar com 10 contra o poderosíssimo Barcelona CF. O próximo lance de perigo surgiu num remate frontal de fora da área por Evaristo. Três minutos após ter saído Coluna regressa ao jogo. Após um período algo adormecido de jogo volta a acontecer perigo junto de uma das balizas com Kubala a desmarcar Kocsis para esta rematar à figura de Costa Pereira, o SL Benfica responde com um lance de perigo dentro da área adversária mas que termina sem um remate à baliza, seguindo-se pouco tempo depois novo lance de perigo por parte da equipa portuguesa com um cruzamento de Coluna na direita para a cabeça de Águas que à entrada da área rodeado por dois adversários cabeceia acabando a jogada nas mãos de Ramallets, foi um período de curto domínio benfiquista. A isto seguiu-se a melhor jogada do encontro até aí com a bola a passar por vários jogadores na direita do ataque do Barcelona CF e culminou com o cruzamento de Suarez para o golo de cabeça de Kocsis depois da bola ter sobrevoado a defesa benfiquista. O SL Benfica respondeu com um cruzamento perigosíssimo de Cávem para a área onde Águas não conseguiu desferir o cabeceamento. Após uma fase mexida de bola cá bola lá o Barcelona CF tem mais uma jogada de grande perigo onde as triangulações do seu ataque levam a um remate de Evaristo para uma grande defesa de Costa Pereira, o SL Benfica passou por momentos de algum sufoco junto da sua área após este lance. Quando se libertou da pressão do Barcelona CF, que procurava o segundo golo, lançou um contra-ataque com Coluna a desmarcar pela esquerda Cávem que remata à saída de Ramallets a bola ainda não se dirigia para a baliza até que surgiu Águas oportunista a empurrar a bola para o golo, o SL Benfica tinha conseguido surpreender o Barcelona CF e a equipa animada continuou a atacar, até que surgiu certamente um dos golos mais estranhos das finais europeias depois de um cruzamento central de Neto para a área do Barcelona CF Vergés corta de cabeça a bola descreve um arco acentuado para a sua baliza onde Ramallets vai tocar a bola contra o poste esta entra na baliza e sai imediatamente deslizando sobre a linha de golo, Santana ainda vai perseguir a bola para tentar marcar golo mas o árbitro já tinha assinalado golo do SL Benfica face aos protestos dos barcelonistas que inconformados alegavam erradamente que a bola não tinha entrado, em 2 minutos o SL Benfica tinha virado o jogo a seu favor . A partir daí o SL Benfica continuou a ser a melhor equipa em campo e conseguia manter quase exclusivamente o jogo no meio-campo adversário e todas as tentativas do Barcelona CF caíam aos pés de Germano ou na falta de eficácia dos seus jogadores, até que já perto do intervalo a equipa espanhola consegue entrar na área benfiquista e Suarez cruza para o mergulho de cabeça de Kocsis e com Costa Pereira já batido é novamente Mário João que salva o golo, desta feita com a coxa. A resposta surgiu pouco depois por José Augusto, naquele que foi o único esforço em que mostra a sua classe, ilude o seu adversário com uma finta e consegue penetrar na área rematando já apertado para a defesa de Ramallets. O intervalo chegou com o SL Benfica em vantagem no marcador num jogo equilibrado e que apesar de nem sempre bem jogado estava movimentado e emocionante, o resultado beneficiava a equipa que tinha sido bafejada com um pouquinho mais de sorte, castigando a equipa que jogou com mais rispidez.

O SL Benfica inicia a segunda parte ao ataque e depois de um cruzamento longo para a área Águas ganha uma bola de cabeça aos defesas e guarda-redes do Barcelona CF deixando à disposição do pé esquerdo de Santana mas o remate saiu desajeitado ao lado. No seguimento o Barcelona CF obrigou o SL Benfica a defender com toda a equipa no seu meio-campo, algo que soube fazer bem. Contudo o SL Benfica não se manteve uma equipa defensiva e continuava a tentar criar as suas ocasiões de golo. Num outro lance de ataque da equipa espanhola Mário João volta a cortar um lance em que a bola se dirigia para a baliza e na recarga a bola cai nas mãos de Costa Pereira. A pressão sobre o SL Benfica continuava sem que os jogadores portugueses perdessem a orientação e pouco tempo depois Santana desmarca José Augusto para um remate forte mas muito por cima. Coluna iniciou poderosíssimo uma jogada de ataque passa para o cruzamento de Cávem, a bola é cabeceada por um defesa do Barcelona CF para fora da área onde Coluna sem deixar a bola cair no chão remata potentíssimo para o canto inferior direito da baliza de Ramallets, ele que já nesta parte tinha ameaçado com um disparo para fora fez um golo muito belo. Notava-se na alegria dos jogadores benfiquistas e na festa que os portugueses faziam no estádio e em todo o Império que a vitória já se sentia nos seus corações, depois de tudo o que se timha passado até então com o SL Benfica a conseguir realizar um grande jogo e quase a conseguir neutralizar o adversário o impensável no início da época já era visto como uma realidade, no entanto muito estava ainda para acontecer e os rasgos de brilhantismo da equipa espanhola poderiam surgir a qualquer momento, esses corações iriam sentir ainda muitos apertos. E isso provou-se na jogada imediata ao golo com Kubala a aparecer livre de marcação na direita do seu ataque e a desferir um grande remate para grande defesa de Costa Pereira. Mas por momentos ainda continuou a ser o SL Benfica a dominar o jogo e depois de mais uma boa jogada de ataque Santana rematou de fora da área em arco por cima da baliza, passado pouco tempo novo remate do mesmo jogador desta feita numa recarga dentro da área mas fraco à figura do guarda-redes. Depois de o SL Benfica não ter conseguido arrumar definitivamente a questão foi a vez do Barcelona CF ter o domínio do jogo sem contudo materializar em ocasiões de golo, o SL Benfica continuava a defender muito bem. Até que a cerca de 20 minutos do final uma bola é bombardeada para a área do SL Benfica e o cabeceamento de Germano é efectuado em chapéu para trás sobre o seu guarda-redes parando na cabeça de Kocsis que atira ao poste, Ângelo é que acaba o sufoco cedendo canto. Passado poucos minutos Kubala remata forte de fora da área com a bola a ir embater nos dois postes e a ir parar nas mãos de Costa Pereira, quando os da Cidade Condal já festejavam golo. O SL Benfica tentava sacudir a pressão essencialmente através das investidas de Coluna que se mantinha incansável e continuava a carregar a equipa para a frente. Contudo o domínio dos de Barcelona acentuava-se procurando desesperadamente o golo que acabou por surgir num lance genial de Czibor a rematar de fora da área ao ângulo superior direito da baliza benfiquista sem que Costa Pereira tivesse qualquer hipótese, que ainda se atirou muito bem à bola, se este golo premiava as tentativas dos barcelonistas em chegar ao golo castigava mais injustamente o esforço defensivo dos benfiquistas. Este golo é certamente um dos mais belos marcados em finais europeias. O jogo continuou bom com ambas as equipas a criar perigo ao adversário, notava-se muito esforço por parte dos atacantes do SL Benfica para continuar a atacar a baliza contrária. Mas numa jogada de muita envolvência dos atacantes do Barcelona CF dentro da área do SL Benfica Kubala volta a rematar ao poste, apesar de continuar a jogar bem já se temia o pior entre os benfiquistas. As peças fundamentais do futebol benfiquista conseguiram manter-se tranquilas e iam queimando tempo com a bola nos pés dificultando a missão dos barcelonistas, estes quando tinham a bola nos pés eram rapidíssimos e tentavam a todo o custo criar ocasiões de golo, mas nas poucas vezes que o conseguiam deparavam-se com um Costa Pereira em grande forma ou um dos seus defesas a compensar o seu guarda-redes. O SL Benfica ainda dispôs de uma grande ocasião de golo com Santana a correr todo o meio-campo adversário isolado mas a faltarem-lhe as forças na altura do remate. Após esse lance o jogo caminhou para o seu final sem que o Barcelona CF conseguisse voltar a ameaçar a baliza benfiquista. Quando o árbitro suíço apitou para o final do jogo foi a loucura entre os portugueses, deu-se a pacífica invasão de campo e os jogadores fotram levados em ombros pelos adeptos. Tinha ganho a equipa que mais mereceu levar o troféu para casa.



A Águia voou alto na Europa!


O Mundo acabara de conhecer o poder futebolístico do SL Benfica, que tinha ganho com muito esforço e qualidade futebolística. O clube português trouxe as duas Taças para casa e tornou-se o primeiro clube a ser campeão europeu apenas com jogadores nacionais e o único até à vitória do FC Steaua Bucuresti em 1985/86, também contra o FC Barcelona. Quem não tinha ficado ainda convencido com a vitória benfiquista era o Barcelona CF, que alegava azar para ter sido derrotado e que tinha melhor equipa que o SL Benfica, para tirar dúvidas o SL Benfica aceitou disputar um jogo particular em casa do adversário, esse jogo terminou empatado 1-1 e foi o reconhecimento internacional do SL Benfica como melhor equipa da Europa na época 1960/61, a Taça que o SL Benfica tinha recebido do Barcelona CF antes do jogo de Berna ficou como símbolo desse reconhecimento, inclusive por parte do Barcelona CF.

A equipa do SL Benfica era constituída por duas partes: a parte da defesa e do meio-campo, composta por trabalhadores e a do ataque composta por artistas. Mário Coluna fazia a transição entre os trabalhadores e os artistas, pois pertencia a ambos sendo provavelmente o melhor nas duas funções. Os primeiros tinham como missão o jogo da equipa adversária e entregar aos restantes que tentariam então criar jogo para marcar golos. O grande destaque, peça fundamental e talvez mais importante da vitória do SL Benfica foi Mário João, este jogador foi um trabalhador incansável, nunca deu tréguas aos adversário, correu o jogo todo atirando-se a todos os lances com emoção, muitos foram os carrinhos, os cortes de cabeça deste baixo jogador e ainda salvou dois golos em cima da linha, ele que até este encontro tinha jogado apenas 5 vezes. Era admirável a sua determinação e entrega ao jogo, ao vê-lo jogar não seria de estranhar que os seus companheiros de equipa pensassem em ganhar o jogo para lhe dedicar a vitória. Para mim jogar à Benfica é jogar à Mário João. Outra peça fundamental na vitória do SL Benfica e sem a qual esta ainda mais dificilmente aconteceria foi Mário Coluna que conduziu muito bem o jogo do SL Benfica, marcou um golo fantástico e soube controlar o jogo quando foi necessário. Destaque ainda para Germano, na defesa onde era um dos melhores jogadores mundiais, e no ataque para Santana um jogador muito tecnicista. De referir ainda, por outro lado, que José Augusto não se encontrou nos seus melhores dias e ficou aquém das expectativas, raramente conseguindo superiorizar-se aos defesas do Barcelona CF. Sobretudo o que fez o SL Benfica ganhar o jogo foi o espírito de equipa. Foi uma vitória de uma equipa bem organizada e com espírito de sacríficio. O adversário também valorizou muito a vitória benfiquista, com a excelente equipa que tinha o Barcelona CF fez um grande jogo criando um rol imenso de oportunidades de golo.

A questão a colocar no final do jogo era se teria sido uma vitória casual e esporádica de uma equipa combativa com muita qualidade no ataque mas com apenas um grande desequilibrador (Mário Coluna), mas no ano seguinte dois jovens jogadores (Simões e Eusébio), especialmente aquele ainda hoje considerado dos melhores futebolistas de sempre, vieram mostrar que este clube marcaria uma época no futebol europeu.

A primeira vez que vi o jogo não lhe dei o devido valor e apesar do seu significado vi-o como um jogo com falta de algumas qualidades, mas ao revê-lo vi para além dos passes falhados, de algumas jogadas inconsequentes e observei um jogo com muitos momentos bons e com jogadores que tinham verdadeiro espírito desportivo, davam o seu melhor em campo. Esta equipa com o seu esforço e dedicação conquistou mutitos admiradores pelo mundo, alargou a grandeza e glória do seu clube, ainda hoje ajuda a conquistar adeptos... como eu que sou um grande admirador da equipa de Futebol do SL Benfica 1960/61.