Ao ver o 131º episódio do programa Vitórias e Património, alusivo
à vitória do Benfica em Roma, ante a Roma, na época de 1982/83, a contar para a
Taça UEFA, que o Benfica haveria de ser finalista, lembrei-me de comparar essa “gloriosa”
época que permanece na memória de todos os benfiquistas com a “malfadada” época
que há pouco mais de um mês terminou. Não nos esqueçamos que Jesus é visto por
muitos como o culpado desta época falhada e Eriksson como um dos melhores
treinadores da história do Benfica, senão o melhor. Concordo com a segunda, não
concordo com a primeira.
A equipa de Eriksson para a época 1982/83
Campeonato nacional
1982/83 - Campeão
30 jornadas, 22 vitórias
7 empates (Casa – Setúbal e Rio Ave. Fora – Alcobaça,
Boavista, Varzim, Guimarães e Porto)
1 derrota (Fora – Sporting)
2012/13 – 2º classificado
30 jornadas, 24 vitórias
5 empates (Casa – Braga, Porto e Estoril. Fora – Académica e
Nacional)
1 derrota (Fora – Porto)
Observações:
Em 1982/83 o Benfica foi campeão com menor aproveitamento de
pontos relativamente à época que agora terminou.
Em 1982/83 não havia um sistema de corrupção e tráfico de
influências instalado como existe atualmente em favor do porto.
Não me parece que a prestação da última época tenha sido
pior do que a de 1982/83, antes pelo contrário, no entanto, não ganhámos o
campeonato ao contrário de há 30 anos.
Competições europeias
Taça UEFA 1982/83 - Finalista
1ª ronda – Betis, Esp – (2-1), (2-1)
2ª ronda – Lokeren, Bel – (2-1), (2-0)
3ª ronda – Zurich, Sui – (1-1), (4-0)
¼ final – Roma, Ita – (2-1), (1-1)
½ final –
Univ Craiova, Rom – (0-0), (1-1)
Final –
Anderlecht, Bel – (0-1), (1-1)
Liga Europa 2012/13 - Finalista
2ª ronda – Leverkusen, Ale – (1-0), (2-1)
3ª ronda – Bordéus, Fra – (1-0), (3-2)
¼ final –
Newcastle, Ing – (3-1), (1-1)
½ final –
Fenerbahçe, Tur – (0-1), (3-1)
Final –
Chelsea, Ing – (1-2)
Observações:
Não estão contabilizados os jogos da Liga dos Campeões
2012/13.
Em ambas as épocas o Benfica ultrapassou adversários muito difíceis
em que se destacam Roma e Leverkusen.
Em 1982/83 o Benfica chegou à final com 6 vitórias e 4
empates. Na última época chegou à final com 6 vitórias, 1 empate e uma derrota.
Em 1982/83 a final foi jogada a duas mãos. Na primeira mão
perdemos, fora. Na segunda mão começámos a ganhar com um golo de Shéu aos 30
minutos e o adversário empatou aos 38 minutos por Lozano. Precisávamos de
marcar 2 golos para vencer a competição.
Na última época estivemos a perder e empatámos o jogo. O
golo da vitória foi marcado já em descontos o que impediu o prolongamento.
Acho que posso dizer, sem grande polémica, que as prestações
foram idênticas até porque tanto Chelsea como Anderlecht são das melhores
equipas da Europa na respetiva época.
Taça de Portugal
1982/83 - Vencedor
2ª ronda (casa) – Campinense (8-1)
3ª ronda (fora) – Atlético (6-0)
4ª ronda (fora) – Paços de Ferreira (5-1)
5ª ronda (fora) – Leixões (2-1)
¼ final (casa) – Sporting (3-0)
½ final (casa) – Portimonense (2-0)
Final – Porto (1-0)
2012/13 - Finalista
3ª ronda (fora) – Freamunde (4-0)
4ª ronda (fora) – Moreirense (2-0)
5ª ronda (casa) – Aves (6-0)
¼ final (fora) – Académica (4-0)
½ final – Paços de ferreira (2-0), (1-1)
Final – Guimarães (1-2)
Observações:
Na caminhada para a final de 1982/83 tivemos uma deslocação difícil
a Leixões e eliminámos o campeão em título Sporting. Na final eliminámos o
porto. Na época passada tivemos uma deslocação difícil a Paços de Ferreira que
foi amenizada pelo facto da eliminatória ser jogada a duas mãos. Não jogámos
com Sporting nem Porto (nem Braga).
A Taça de 1982/83 foi uma competição jogada com mais mérito
da parte do Benfica do que a da última época, não só por termos vencido como
também pelo nível de dificuldade dos adversários.
Será que se na final de 1982/83 o Porto tivesse marcado um
golo marcado em fora de jogo, que tivesse sido validado pelo árbitro, teria
conseguido vencer a taça? Nunca saberemos!
Conclusão
Se descontarmos os roubos que sofremos e a corrupção
instalada atualmente no futebol português, não vejo como se pode dizer que o
falhanço no cumprimento dos objetivos para esta época tenha sido responsabilidade
do treinador (ou pelo menos só dele), até porque a forma como o Benfica joga
não envergonha nenhum de nós e rivaliza com qualquer equipa do nosso passado. Isto, apesar de algum erros próprios que podem ser corrigidos mas que, certamente, também existiram nos anos de Eriksson.
Por razões óbvias, tenho que dizer que um jogo não são
jogos. Refiro-me ao triste espetáculo que demos no Jamor este ano que
contrastou com tudo o que foi feito durante o resto da época.
























