sexta-feira, 17 de julho de 2015

Plantel 2015-16




Guarda Redes
Parece estar fechado com Júlio César, Ederson Moraes e Paulo Lopes

Defesa Direito
Sílvio parece ser o grande beneficiário da saída de Pereira e dá garantias. André Almeida é um polivalente que cumpre bem defensivamente mas fala-se que poderá sair. Nélson Semedo é um dos do “grupo de 6” da formação com os quais se conta como extras para ganharem experiência e suprirem alguma necessidade temporária. Ainda assim, Semedo parece-me bom tecnicamente e veloz com e sem bola o que augura bons futuros.
Ficaríamos bem com estes 3 mas se entrar alguém tem que ser para titular e para suprir uma eventual saída de Almeida.

Defesa Esquerdo
Parece estar fechado com Eliseu e Marçal mas muito se tem falado da contratação de mais um jogador para esta posição. Eliseu é rápido, forte e bom ofensivamente mas peca pelo desastroso posicionamento defensivo. Não conheço o suficiente de Marçal para saber se é uma boa alternativa. Fico na expectativa.

Defesa Central
Com o empréstimo do jovem promissor César, parece que a posição fica fechada com Luisão, Jardel, Lisandro e Lindelof. Temos uma dupla de centrais experientes e com muita qualidade e um primeiro suplente com capacidade para ser titular. Estamos bem servidos e, pelo que conheço de Lindelof, não vejo lacunas nesta posição.

Médio Defensivo
Parece que Pelé não conta e deverá ser emprestado nos próximos dias. Samaris revelou-se, na época passada, um jogador de altíssimo talento logo que ultrapassou a necessária fase de adaptação. Fejsa é mais físico mas igualmente bom. Cristante é um talento puro com um potencial fantástico, daqueles jogadores que vai ser alguém no topo do futebol mundial. Em breve subirá na hierarquia até porque Samaris poderá não ficar muito mais tempo na Luz. Mesmo saindo o grego temos qualidade e quantidade para não precisar de contratar ninguém (não esquecer que André Almeida também faz a posição).

Médio Centro
Rúben Amorim parece ter um pé fora da Luz. Sou um fã das suas qualidade técnicas e táticas mas a pouco velocidade que mete no jogo já não se coaduna com o futebol moderno. É com tristeza que o vejo sair, se se confirmar. Sobram Pizzi e mais dois do “grupo de 6”, Guzzo e Teixeira.
Gosto muito de Pizzi, faz o jogo fluir com rapidez, tem cultura tática que lhe permite ser eficaz no momento defensivo e na transição defensiva e é capaz de colocar a bola milimetricamente a distâncias longas, para além de que é o nosso marcador de livres e cantos e não é por acaso. Não sou apreciador do João Teixeira. Não que não ache que tenha qualidade mas não suporto ver um jogador perder bolas constantemente e é isso que vejo nele. Do Guzzo apenas sei que é muito talentoso com a bola nos pés mas isso não é tudo e como pouco mais conheço dele, vou ficar à espera para ver mais.
É fundamental contratar um jogador para esta posição e estou convencido que, assim que Gaitán saia, será a primeira posição a ser reforçada.

Médio Ofensivo
No tempo de Jesus esta posição não existia mas quando ganhámos no Porto na época passado fizemo-lo com Talisca atrás de Lima. Bem pode Jesus dizer que Talisca é avançado as vezes que quiser, a verdade é que ganhámos lá, onde Jesus tantas vezes perdeu, a jogar em 4x3x3.
Talisca será o talento a potenciar nesta época e, na minha opinião, será o dono do lugar. É um jogador fantástico que me faz lembrar Rivaldo, sem tirar nem pôr! Dizem que Taarabt não lhe fica atrás, que é fabuloso, que é um daqueles mágicos... não o conheço além do que vi poucas vezes no Milan. Acredito que em forma (física e psico-emocional) possa ser uma grande mais valia. Djuricic é um jogador com um perfil diferente, um 10 mais clássico. No futebol moderno estes jogadores têm sucesso quando descem um pouco no terreno e aceitam missões mais táticas e defensivas potenciando a organização do jogo de trás e de longe. Foi isso que aconteceu a Pizzi e vejo em Djuricic algumas das características que se conhecem em Modric. Será esta a contratação para médio centro? Se sim ótimo, se não pode ser que saia do plantel. De qualquer das formas não precisamos de mais ninguém para esta posição.

Extremo
Gaitán deverá sair, nem vou contar com ele. Mukhtar não seguiu para as Américas. Não estando lesionado, tudo leva a crer que será dispensado. Acho que tem um grande potencial e, a confirmar-se a saída, não a entendo! Salvio é sobejamente conhecido mas não está disponível até Janeiro. Restam Ola John, Mehdi Carcela, Nuno Santo e Gonçalo Guedes. Fala-se ainda que Bilal Ould-Chikh começará na equipa B, tal como Zivkovic que ainda nem é uma contratação confirmada.
Fala-se que a saída de John está eminente o que me deixa desiludido. Apesar da opinião geral em desfavor do holandês, acho que tem um talento enorme, é forte fisicamente, rápido, explosivo, desconcertante quando embalado e excelente tecnicamente. É verdade que, não sendo fraco, pode melhorar no remate mas, principalmente, parece perder-se do jogo, nomeadamente, quando está sem bola. No entanto, John ainda é muito novo e com a saída de Gaitán tem as condições ideais para se afirmar. Espero que fique.
Carcela parece estar a mostrar toda a qualidade que tem e será o substituto natural de Salvio. Santos e Guedes são mais dois miúdos do “grupo de 6” embora, na minha opinião, Guedes deixe de o ser rapidamente. Tem tudo para ser um super crack e vai mostrá-lo muito em breve. Santos é um bom jogador mas não acredito que vingue na primeira equipa do Benfica.
Parece-me claro que é necessário reforçar esta posição com mais um jogador que passará a dois se a eventual saída de John se confirmar. Com Mukhtar no plantel não precisaríamos de mais ninguém e esta é mais uma razão pela qual não percebo esta dispensa!

Avançado
Apesar de Rui Vitória garantir que o 4x3x3 não é o sistema tático único que idealiza para o Benfica, duvido que jogue com Lima e Jonas em simultâneo a não ser em situações de desespero no fim de algum jogo de resultado inconveniente. Dito isto, temos Lima e Jonas, que dispensam apresentações, a lutar por um lugar e Jonathan Rodríguez como terceira opção, para ganhar experiência, potenciar-se e, quem sabe, aproveitar algum azar dos consagrados. Vi alguns jogos deste uruguaio na equipa B e gostei bastante. Rápido, forte, combativo e com faro de golo. As comparações com Suárez parecem-me absurdas tanto em qualidade como em estilo de jogo!
Há ainda Rui Fonte e Nelson Oliveira que deverão ser dispensados.

Conclusão
Precisamos de contratar apenas dois ou três jogadores, um médio centro e um ou dois extremos. Se, como eu gostaria que acontecesse, Djuricic tivesse capacidade para se adaptar bem à posição de médio centro, então só precisaríamos dos extremos que até seriam dispensáveis se Mukhtar e John ficassem no plantel. Ou seja, podíamos bem trabalhar com o que já temos.
Acredito na qualidade dos jovens e na experiência/qualidade dos mais jogados. Acredito que este plantel tem condições muito favoráveis para lutar pelo título e acredito que o vamos conseguir.

Rumo ao 35!!!
Saudações gloriosas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Querer justiça ou querer ser beneficiado?

Hoje foi dia de comunicado, já era esperado; gostava de ver tanto apelo à verdade desportiva quando ganham como quando perdem - e neste último caso o apelo nem é verdadeiro, é um apelo para que sejam beneficiados.

Já tinha intenção de escrever sobre a vergonha que foi a final da Taça de Portugal, agora numa situação com algumas semelhanças vou comentar também sobre a final do Campeonato de futsal.

Primeiro transcrevo a parte do comunicado que diz respeito aos jogos em que o SL Benfica - ou como se diz no Sporting CP, a "equipa visitante" - foi interveniente.

"2 - Final da Taça de Portugal hóquei em patins:
Uma arbitragem desastrosa que colocou o SCP a jogar várias vezes com menos atletas que o adversário. Chegou mesmo a só estarem em ringue o guarda-redes e mais dois jogadores. Mas no hóquei se alguém se der ao trabalho de analisar todos os jogos e quem são os árbitros dos mesmos podem descobrir um "fantástico mundo desconhecido" com um enredo ao mais elevado estilo de Hollywood;

3 - Jogo de hoje da final do campeonato de futsal:
Depois de várias decisões duvidosas durante o jogo, chegamos aos penáltis. Por duas vezes o nosso guarda-redes defendeu e os árbitros mandaram repetir. E mandaram repetir porquê? Porque o André estava adiantado perante a linha... Como diz o povo "uma imagem vale mais que mil palavras"... Vejam as fotos e descubram as diferenças se conseguirem."

Em relação ao jogo de hóquei em patins, o Sporting CP devia ter vergonha da representação que teve nesse jogo, se tiveram tantas vezes com jogadores a menos foi porque os mesmos não se souberam comportar. Foram para o jogo para provocar, atirar-se para o chão e distribuir porrada; perante uma equipa muito superior e num pavilhão com poucas condições para a prática desportiva, foi a forma (pouco honesta) que encontraram para equilibrar o jogo, com desestabilização do adversário, como era óbvio mesmo assim a tarefa era complicada e só não foram humilhados com mais uma goleada porque o seu guarda-redes foi a estrela do jogo. De um finalista da Taça espera-se mais que ter uma ocasião de golo num livre directo, espera-se que passe ao meio campo adversário mais algumas vezes. 

A principal questão que se podia colocar à justiça da arbitragem seria o porquê do João Pinto nunca ter visto um cartão azul, ele que mereceu ser expulso várias vezes. 

Ainda vi com um adepto sportinguista acenar com umas notas ao árbitro, o que pareceu ser uma tentativa de corrupção...

A fraca prestação foi justificada - como parecia ser estratégia - com a actuação da arbitragem. Para o Sporting CP o "fantástico mundo desconhecido" parecem ser as regras do hóquei em patins; e também o foram as regras de respeito com os outros intervenientes no espectáculo e também de boa educação - provocaram desacatos, pressionaram e ofenderam os árbitros, não ficaram para receber as medalhas de finalista, nem para a entrega da Taça ao justíssimo vencedor. A frio pedia-se que, em vez de recordar este episódio como um ataque ao Sporting CP, se retratassem da vergonha que deveriam ter.

Quanto ao jogo de hoje, têm razão na queixa que fazem sobre os penaltis, também o Juanjo se adiantou quando defendeu o penalti Fábio Lima. No entanto, também devem referir que o penalti do Xande devia ter sido repetido pela segunda vez. Mas, é justa a queixa. Quanto às outras decisões estranhas, deve-lhes convir não dizer quais foram.

Estranho é não terem apelado à verdade desportiva após o segundo jogo da final. Nessa altura os erros foram convenientes. O golo mal invalidado ao SL Benfica no início do jogo e aquelas faltas perdoadas ao Sporting CP quando já tinham 5 na segunda parte assentaram mesmo bem na vitória do Sporting CP. Também habituados a erros de arbitragem estiveram nas duas últimas épocas (especialmente na primeira destas), mas neste caso pela positiva, certamente, é que não me lembro das críticas da altura, aí exaltou-se que ganhou a melhor equipa. Hoje também ganhou a melhor equipa.

Tal como no hóquei em patins, no futsal os responsáveis do Sporting CP não se souberam comportar e o mau exemplo veio também do presidente. Este comunicado é a continuação da falta de respeito.

Ficava bem ter dado os parabéns à "equipa visitante" ou se preferirem campeão sem derrotas nos 40 minutos (31 vitórias, 6 empates).

Como se diz agora "the dogs bark and the caravan goes by".

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Jesus, Vieira, Benfica e Sporting

Até ontem nem acreditava no que a imprensa dizia sobre a transferência de JJ para o Sporting. Não acreditava porque a imprensa portuguesa é adestrada e mentirosa. Agora que parece que a transferência é um facto, tenho alguns comentários a fazer sobre o tema:

Sporting e Bruno Carvalho
O presidente do Sporting tem mostrado ser uma pessoa sem sentido institucional da posição que tem mas isso não incomoda os sportinguistas e eu percebo. Tão depressa destrata publicamente a sua equipa de futebol como anda com jogadores às cavalitas no fim dos jogos. Tão depressa mente descaradamente sobre conversas tidas com dirigentes de outros clubes como se vitimiza por ter sido desconsiderado nas eleições da Liga. Assiste a todas as finais (e outros jogos) das modalidades e vai para o banco nos jogos de futebol mas comporta-se como um adepto de sangue quente, inclusive em conversas com árbitros. Na essência é um populista mas defende o clube e já conseguiu alguns bons acordos como os da dívida com BES e o da vinda do Nani. Além disso reorganizou o clube e contratou sempre treinadores competentes que lhe garantiram épocas acima do que a qualidade do plantel fazia prever. Parece que agora terá contratado Jesus e o seu mérito é o de ter conseguido encontrar fundos para esta operação, não tanto ter roubado o treinador ao Benfica porque, ao que parece, terá sido o Benfica a não querer a continuação do seu treinador. Veremos se esta estratégia do Sporting não acabará por deixar o controlo da SAD fora da mão dos sócios!

Jorge Jesus
Para que não haja dúvidas, sou um adepto deste treinador desde que, após ter chegado ao Benfica, percebi a diferença que incutiu no futebol da nossa equipa. Nunca quis que se fosse embora, nem quando perdeu tudo em 2012.
Há uns tempos mudou de empresário e juntou-se ao afamado Jorge Mendes. Desde aí que não vemos outra coisa na imprensa que não a facilidade que Jesus teria em treinar qualquer equipa de topo da Europa, esquecendo-se sempre (e convenientemente) de referir os seus problemas comunicacionais, sobejamente conhecidos. Afinal, parece que o objetivo dessa mensagem, repetida até à exaustão, era sacar mais uns €€ ao Benfica ou, pelo menos, manter um nível salarial já principesco e não sair de Portugal porque, quando confrontado com a libertação do contrato que tinha com o Benfica, aceitou menos dinheiro de um clube com um plantel menos valioso e com menos garantias de qualidade nos reforços. Será que é no Sporting que Jesus vai ganhar a Champions? Será que passa a pré eliminatória? Será que dois galos (alucinados) vão coexistir bem na mesma capoeira? Veremos!

Benfica e Luís Filipe Vieira
Ao que parece Vieira queria mesmo mudar a estratégia de fornecimento de jogadores à equipa principal e não via em Jesus a pessoa capaz de assumir esse novo rumo. Jesus queria altos voos europeus e Vieira, que tem e sempre teve os pés bem assentes no chão, quer consolidar um domínio interno alicerçado em finanças competitivas e um plantel identificado com o clube. Para isso a “fábrica seixalense” é fundamental e há que ser rentabilizada. Jesus queria (com toda a propriedade) êxito imediato e substituição dos craques por jogadores de igual valia e não meninos com dois ou três anos de formação pela frente até poderem ser competitivos e regulares. Concordo com a estratégia de Vieira de médio prazo mas este processo foi, claramente, mal gerido. Vieira forçou a saída de Jesus e deu-se mal com o resultado. Jesus é daqueles treinadores que dá garantias e vai dar garantias para um rival que tanto precisava. No imediato vamo-nos agarrar a um treinador que ainda não está testado. Mal por mal preferia Marco Silva.

Jorge Jesus e Rui Vitória
Volto a dizer, sou um fã indefetível de Jorge Jesus e tudo o que não seja Jesus é pior. Dito isto, Jesus vai para pior, para muito pior! No Benfica teve equipas recheadas de talentos e sempre reforçadas com o melhor que passou nos relevados portugueses nestes últimos seis anos. No Sporting tem o Cédric e o Adrien e o André Martins. O Sporting vai melhorar muito, o Jesus vai ficar aquém do que fez no Benfica.
Jesus é um treinador de ataque, de espetáculo, de vertigem ofensiva mas terá no Sporting o que tinha no Benfica em 2009? Não. E terá ele o cuidado (para não dizer humildade) para montar uma equipa de trás para a frente com reforço no meio campo para não desproteger um setor defensivo algo frágil, pelo menos em relação ao que tem estado habituado. Quando Jesus chegou ao Benfica tinha Maxi, Luisão, David Luiz e Coentrão com Javi Garcia no apoio. No Sporting tem Cédric, Paulo Oliveira, Ewerton e Jefferson com William no apoio. Não sendo maus jogadores penso que é óbvia a diferença de qualidade!
Vitória é mais do mesmo no panorama nacional. Aquele 4x2x3x1 em que todos jogam e a que todos Jesus ganhou! Vai ter ao seu dispor um Ferrari mas terá unhas para o aguentar? Não sei! E não sei porque o maior teste que teve foi treinar um Vitória de Guimarães em crise financeira sem grandes exigências desportivas de tal forma que, ao cabo de quatro épocas, teve três classificações discretas e uma normal, este ano, atrás do maior rival. É claro que não me esqueci da Taça de Portugal mas a Académica também ganhou uma uns anos antes e o Vitória de Setúbal outra. Tem o valor que tem! Não tenho confiança nas qualidades de Vitória mas tenho-a nas decisões de Vieira e quando contratou Jesus também torci o nariz. Veremos o que o futuro tratará na certeza de que a estrutura do Benfica é a mais forte e também de que Vitória, não sendo Jesus, também não será acéfalo!

Resumindo, quem vai sair a perder no meio disto tudo é Jorge Jesus. O Benfica não geriu isto da melhor forma e arrisca-se a ter dissabores imediatos mas confio que no médio prazo sairá por cima.

sábado, 23 de maio de 2015

Gostamos de ganhar

Gostamos de dizer que somos campeões! Mas o futebol não chega - e ainda bem! -, também queremos ganhar em todas as modalidades. No final desta época queremos dizer que ganhámos a dobradinha em quatro modalidades de pavilhão. Se acontecer, iremos dizê-lo e cantá-lo.

Mas o que fizemos por isso?

Ir a uma final a um sócio do SL Benfica custa 2€. Não compreendo que uma final da Liga de basquetebol não esteja com o pavilhão completamente cheio. Três horas antes de um jogo de futebol que vai ter mais de 60 000 benfiquistas. Ao jogo de futebol onde vai ser feita a festa toda a gente quer ir. Mas temos que nos perguntar: o que fizemos para ter estas vitórias?

Temos que as merecer.

O apoio e a obrigação de ganhar

Na última quarta-feira a equipa de basquetebol do SL Benfica "goleou" a equipa da AD Ovarense e qualificou-se para a final da Liga. Já na bancada os adeptos perderam claramente para os que vieram de Ovar.

Um jogo importantíssimo, que decidia a passagem aos jogos que decidem o título, não teve a presença das claques do SL Benfica... Apenas pouco mais que uma meia dúzia marcaram presença, portanto, pouco é de estranhar que durante quase todo o jogo tenha sido a claque vareira a fazer a festa.

A quantidade de público até era bastante razoável, no entanto, o apoio foi diminuto, tento em conta que jogávamos em casa. 

Também há a registar que existem adeptos que cantam mais fora do recinto desportivo que durante os jogos - já no futebol assim é -, quer seja antes ou depois dos jogos. 

Há aqueles que nem vão apoiar a equipa porque esta tem "obrigação de ganhar"! Vão ao último jogo para fazer a festa. Equipas com "obrigação de ganhar" já eu vi muitas a perder, nem sempre ganha a melhor equipa, há muitos factores que influenciam no desporto, a motivação é um deles. Sem o apoio dos adeptos baixamos a motivação da nossa equipa, ao contrário do adversário que aumenta a sua, nós adeptos estamos a aproximar o valor das equipas quando não apoiamos devidamente os nossos.

Na nossa vida pessoal e na nossa vida profissional também temos obrigação de fazer muitas coisas bem, o certo é que nem sempre conseguimos. Se calhar devíamos dar também um pouco mais pelas nossas equipas para ajudar ao seu sucesso. Temos tão bons exemplos daquilo que podemos fazer, um dos que mais me diz é final da CEV Challenge Cup, pudessem as nossas equipas ter sempre aquele apoio.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Lendas e Narrativas

Findo o campeonato e conquistado mais um título para o Glorioso, é tempo de preparar a final da Taça da Liga, que nos permitirá atingir isolado o maior número de títulos (reconhecidos pela FIFA) obtidos por um clube português.

Mas não sendo só de glórias nacionais feito este palmarés, interessa também analisar um mito que surgiu algures durante esta época — mesmo se oriundo dos adeptos do F.C. Porto, o principal rival do nosso Benfica.

Falo, portanto, da "narrativa" mais em voga entre as hostes portistas, e que simultaneamente minimiza as conquistas nacionais do Benfica e relativiza os fracassos internos do Porto, clamando por uma clara distinção entre os dois clubes a nível europeu. Naturalmente, esta interpretação ajuda à desculpabilização de tudo em torno do Apito Dourado, anos em que o Porto se consagrou na Europa.

Mas e depois? Depois da vitória nortista na Liga dos Campeões de 2003-04 seguiram-se, vamos lá a ver... dez temporadas, é isso. E o que aconteceu nessas dez temporadas que suporte a tal superioridade europeia tão propalada entre os adeptos azuis?

Para analisar a questão adianto a tabela abaixo, onde são apresentados os melhores resultados europeus do Benfica e Porto desde então: note-se que não discrimino entre acesso à Liga Europa por eliminação na fase de grupos da Liga dos Campeões ou por não qualificação para esta última (que, por sua vez, se pode dever a a eliminação na fase anterior ou não obtenção do lugar necessário no campeonato nacional).

Ano
S. L. Benfica
F. C. Porto
2004
EL 16: 1-3 CSKA
8: 2-4 Inter
2005
4: 0-2 Barcelona
G: 4º
2006
EL 4: 2-3 Espanyol
8: 2-3 Chelsea
2007
EL 8: 1-3 Getafe
8: 1-1 Schalke 04
2008
EL G: 5º
4: 2-3 M. United
2009
EL 4: 3-5 Liverpool
8: 2-6 Arsenal
2010
EL 2: 2-2 Braga
EL V: 1-0 Braga 
2011
4: 1-3 Chelsea
EL 16: 1-6 M. City
2012
EL F: 1-2 Chelsea
8: 1-2 Málaga
2013
EL F: 0-0 Sevilha
EL 4: 2-4 Sevilha
2014
G: 4º
4: 4-7 Bayern M.
Total
EL: G 16 8 4 4 2 F F 
CL: G 4 4
EL: 16 4 V
CL: G 8 8 8 8 8 4 4

Legenda
EL: Liga Europa (na ausência, refere-se à Liga dos Campeões)
16, 8, 4, 2: dezasseis-avos, oitavos, quartos ou semi-final
F: finalista vencido
V: vencedor
G: fase de grupos

Atentando aos dados acima, julgo que o Benfica tem falta de competitividade na Liga dos Campeões: assim a interpreto, sem atenuantes. E considero que a compensou com excelentes prestações na Liga Europa: uma semi-final e duas finais consecutivas.

Dito isto, infelizmente, um benfiquista racional tem de admitir que o Porto tem melhor prestação europeia que nós, graças à sua presença regular na fase eliminatória da Liga dos Campeões e uma Liga Europa conquistada. Mantenho esta opinião mesmo restringindo a análise ao período de regeneração benfiquista que muitos associam com Jorge Jesus, de 2009 para a frente.

No entanto, o mito não defende que o Porto é melhor que o Benfica na Europa: defende que é muito melhor, claramente de outro nível, e com prestações que mostram que pertence à elite europeia. Por isso, constatar que o Porto tem tido mais capacidade europeia que o Benfica não é suficiente para comprovar a narrativa que motivou este texto: é preciso que seja muito superior!

E essa superioridade não existe: o melhor que conseguiu foi realmente a conquista da Liga Europa, mas as duas finais do Benfica não mostram uma diferença de espécie, apenas de grau.

Ademais, a tese portista defende que a Liga Europa é, por si só, mostra de inferioridade competitiva, já que apenas ao panteão do futebol está reservado o Olímpo da Champions. Assim se desvalorizam as prestações honrosas do Benfica, com mais dois quartos de final e uma semi-final na segunda prova europeia.

E realmente sucede que o F. C. Porto assegurou sete passagens à fase eliminatória da Liga dos Campeões, contra apenas duas do S. L. Benfica... Mas, pasme-se: com tantas oportunidades de mostrar o seu carácter divino, ombreando com Real Madrid, Barcelona, Bayern Munique e outros que tais, o que conseguiram os dragões na última década? Exactamente o mesmo que as águias: duas presenças nos quartos de final.

Desportivamente (e futebol é desporto, não negócio), o Benfica transformou as suas más prestações em desempenhos desportivos na Liga Europa que só honram a sua história, conseguindo assim alcançar o sexto lugar no ranking da UEFA.

É razoável dizer que o Porto é realmente melhor que o Benfica na Europa? Talvez, mas não muito melhor: conquista mais acessos aos jogos "a doer", amealhando com isso mais receitas, mas a sua capacidade regular de picar o ponto nas eliminatórias só lhe garantiu o oitavo lugar do mesmo ranking... abaixo do Benfica!

Podemos por isso aceitar para a advocacia diabólica deste escriba, ou confiar cegamente nas estatísticas da UEFA: mas não temos de nos preocupar com histórias mitológicas de dragões e champinhões, que servem o mesmo propósito que Marx anunciava para a religião — ser utilizada pelos oligarcas da Torre das Antas para anestesiar o povo portista com a mais potente droga de todas: o orgulho.

Felizmente, os que lerem isto são maioritariamente crentes noutro deus: o dos golos reais, vitórias reais e campeonatos reais! Que os adeptos azuis se mantenham ignorantes e com uma soberba desmedida... enquanto comissões são desviadas, património alienado e conquistas reduzidas. A glória de ontem é para sempre, mas recordar não é viver: como os anos 60 encarnados, a cada dia que passa 1987 e 2004 pertencem mais e mais ao passado.

domingo, 26 de abril de 2015

Ainda os assobios

Muito se falou dos assobios que alguns adeptos musicaram após o golo do CD Nacional na Luz. Normalmente sou contra assobios durante os jogos, mas esses nem me incomodaram: estávamos a jogar bem.

Tenho um amigo que (também não assobia mas) é a favor dos assobios, não pode estar presente nesse jogo mas deu-me a sua opinião:

Para ele, um sócio tem sempre razão, paga, apoia e quando vê que é preciso dar um abanão, dizer basta, ou acordem deve expressá-lo. Jogadores e treinador têm que estar preparados para isto e aceitar, não gostou de ouvir o Jorge Jesus criticar no final do jogo os adeptos... Aceitá-lo-ia se no final do jogo em Vila do Conde tivesse pedido desculpa aos adeptos que encheram o estádio. Não aceita que um profissional que ganha 4M/época critique alguém que por vezes se sacrifica faz centenas de km para ir ver a sua equipa. É preciso saber aceitar a crítica. Se contra o CD Nacional houve relaxamento, sofremos um golo, e logo de seguida jogada parecida com remate cruzado... Aí alguns assobiaram como que a dizer "'bora lá acordar e não relaxar!"... Relaxar, aconteceu em Vila do Conde por exemplo e deu mau resultado. Para ele foi naquele contexto em que a equipa relaxou e a coisa começou a apertar, foi como que um abanão... Jogadores e treinador só têm que acordar. Jorge Jesus que se concentre a ganhar este título e não o deixe escapar nos jogos fora onde a equipa não joga nem metade do que faz em casa. E falta de apoio nem tem faltado fora de casa. Não é por falta de apoio dos adeptos que o SL Benfica se pode queixar. Jorge Jesus que aponte baterias para outro lado. 

Esta é a opinião dele.

Compreendo. 

A minha opinião é diferente. Não assobio a minha equipa durante os jogos porque creio que isso não melhora o estado de espírito dos jogadores, antes pelo contrário, até pode afundar a moral da equipa.

Normalmente, sou contra os assobios, mas contra o CD Nacional até os aceito: estávamos a jogar tão bem! É uma bela manifestação de benfiquismo assobiar quando a equipa faz um grande jogo. Como quem diz: jogamos muito bem, mas isso não chega!!!! É para que os jogadores percebam. Quando jogam mal precisam de apoio, quando jogam muito bem têm que perceber que isso ainda é pouco! Podemos estar satisfeitos mas queremos sempre mais.

Hoje o jogo é importantíssimo. A equipa tem jogado muito bem na Luz, mas hoje tem que jogar ainda mais! Espero que hoje haja assobios como os que houve contra o CD Nacional, não assobios de tempos que nem gosto de lembrar. 

No entanto, relembro: na Luz são sempre mais os que aplaudem que os que assobiam. Se o jogo correr mal eu vou tentar apoiar mais alto.

sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril para recordar

Hoje é dia de recordar o 25 de Abril de 2010.

Parece que o recorde de assistência estabelecido nesse jogo para uma partida de futsal na Europa foi agora batido, no entanto, esse jogo tem muito mais de especial. Espero que um dia o SL Benfica também tenha uma segunda oportunidade de organizar a fase final da competição, na primeira foi assim:

A melhor equipa da história do futsal português tornou-se campeã da Europa! Com um ambiente de impressionar no pavilhão. Contra o seu maior rival europeu. Um dos maiores clássicos do futsal europeu. 

Que não passe que esta equipa só ganhou porque a fase final foi disputada em Lisboa! É certo que o apoio dos adeptos à equipa foi fenomenal e também eles devem sentir a vitória como sua. No entanto, não se esqueçam que até lá nunca nenhuma equipa organizadora tinha vencido a competição e após apenas o FC Barcelona o conseguiu, apesar de organizar a competição em Lérida - o que torna o SL Benfica o único clube a vencer a competição na sua cidade, com excepção das 4 edições em que a final se disputou a duas mãos (onde o Playas de Castellón FS também o conseguiu). Em 10 edições com organizações entregues a clubes apenas 3 atingiram a final, 2 venceram-na. Esta magnífica equipa soube estar à altura do acontecimento:

Bebé
Zé Carlos
Zé Maria
Davi
Pedro Costa
Arnaldo
Gonçalo Alves
Ricardinho
Marinho
César Paulo
Joel Queirós
Rúben Simões 
Anilton

Ainda:
Pedrinho
Carlos Paulo

Equipa Técnica:
André Lima
Nelito
Nelson Coelho

Foi um bonito dia vermelho. Ainda hoje me emociono ao recordá-lo.

Obrigado, campeões!

De referir ainda que Lisboa é a única cidade com mais que uma organização e as 3 edições nela disputadas tornam Portugal no país onde mais vezes se jogou a fase final da competição, mas só uma vez houve uma festa como esta:




terça-feira, 31 de março de 2015

Maior feito do voleibol do SL Benfica - análise

Depois da vitória na primeira mão por 3-0 contra o GS Porto Robur Costa (Ravenna), o SL Benfica voltou a conseguir o melhor resultado da sua história ao vencer em Itália por 3-2, isto depois de estar a perder por 2-0 em dois sets equilibradíssimos perdidos pela margem mínima. Em grande destaque neste jogo esteve Hugo Gaspar que obteve 22 pontos e foi muito referido no site da CEV. Após a obtenção do 2-2 e com a qualificação já conseguida, o treinador José Jardim colocou os jogadores suplentes para o quinto set e mesmo assim a equipa saiu vencedora do set com alguma facilidade, isto também foi uma demonstração de força da equipa. Com mais esta vitória correram-se todos os adversários a 6-2 e aumentou-se o recorde do SL Benfica para 8 vitórias consecutivas em jogos das competições da CEV - um número que fica apenas uma vitória aquém do recorde nacional do SC Espinho entre 2001 e 2002.

A competição 

A CEV Challenge Cup é a terceira competição europeia (C3), segue a CEV Champions League (C1) e a CEV Cup (C2). Já li disparates como comparar as competições europeias de voleibol com as de futebol (que é sempre a bitola de comparação), chegando-se ao ponto de dizer que a Taça Challenge equivaleria à antiga Taça Intertoto, à antiga Taça das Taças ou à actual Liga Europa, nenhuma delas faz sentido. Não pode ser equiparável à Taça Intertoto porque essa prova não era mais que uma fase de qualificação para a Taça UEFA, tendo vários vencedores, a Taça Challenge da CEV é uma competição europeia a sério, não é uma prova de pré-época nem serve de qualificação para outra prova. A Taça das Taças era uma competição para vencedores de Taças nacionais, a Taça Challenge é uma competição em que entram vencedores de Taças nacionais, campeões nacionais e equipas de topo das ligas nacionais. A Liga Europa da UEFA é a competição que mais se assemelha à Taça Challenge, mas a Liga Europa é a segunda competição europeia, enquanto a Taça Challenge é a terceira, a Liga Europa recebe equipas eliminadas da Liga dos Campeões da UEFA, enquanto a Taça Challenge recebe equipas eliminadas da Taça CEV (que por sua vez recebe equipas eliminadas da Liga dos Campeões da CEV). Além de que nas competições da CEV os campeões nacionais não têm todos direito a entrar na principal competição, depende do ranking, por exemplo o SL Benfica, campeão nacional, apenas pode entrar na terceira competição. 

As competições de clubes da CEV também não têm equivalência com as da EHF, que são outro termo de comparação devido a terem os mesmos nomes nas competições mas, a Taça Challenge da CEV difere da Taça Challenge porque na CEV nunca existiram mais que 3 competições, desde a criação da Taça Challenge (na altura Taça CEV) esta sempre foi a terceira competição europeia, a Taça Challenge da EHF quando foi criada (como Taça das Cidades) era a quarta competição e apenas há 3 épocas passou a ser a 3ª competição, quando se deu a fusão entre a Taça EHF e a Taça dos Vencedores de Taças da EHF, o que levou à participação de menos clubes nas competições da EHF. Contudo, a principal diferença é que na Taça Challenge da CEV podem participar equipas de todas as Federações filiadas, na Taça Challenge da EHF as equipas dos primeiros 6 países do ranking de clubes não podem participar na competição, logo esta é restricta a clubes de menor dimensão. 
Este ano participaram nas competições europeias 91 clubes assim distribuídos: 

Liga dos Campeões da CEV (anterior Taça dos Clubes Campeões Europeus)- 28 clubes (4 eliminados na fase de grupos jogam a Challenge Round da Taça CEV contra os vencedores dos quartos-de-final desta competição); 

Taça CEV (antiga Taça das Taças e Taça dos Clubes de Topo) - 32 clubes (os 16 eliminados da primeira eliminatória desta competição jogam os desasseis-avos-de-final da Taça Challenge; recebe 4 clubes da Liga dos Campeões após os quartos-de-final); 

Taça Challenge da CEV (antiga Taça CEV) - 31 clubes (recebe mais 16 clubes da Taça CEV). 

Em 2000/01 foi criada a Liga dos Campeões e a Taça dos Vencedores de Taças foi reformulada como Taça dos Clubes de Topo. 
Em 2007/08 a Taça dos Clubes de Topo passou a chamar-se Taça CEV e a antiga Taça CEV passou a chamar-se Taça Challenge (sim, esta decisão parva foi tomada!). 

A valia do adversário das meias-finais 

As equipas italianas têm sido as grandes dominadoras das competições europeias, venceram cerca de 46% de todas as (132) edições já disputadas (contando com a CEV Champions League desta época, que terminou com a vitória da equipa russa do Zenith Kazan): 
- C1 - 56 edições - 18 vitórias - 32 finalistas - as equipas russas, recentemente, voltaram a tomar a supremacia desta competição com 20 vitórias (26 finalistas); 
- C2 - 42 edições - 18 vitórias - 28 finalistas - seguem-se as equipas russas com 7 vitórias e 9 finalistas - a final desta época será disputada entre uma equipa russa e uma equipa italiana; 
- C3 - 34 edições - 25 vitórias - 40 finalistas. 

No campeonato do mundo de clubes os clubes italianos venceram 8 das 10 edições disputadas.

Nesta competição, em que o SL Benfica eliminou uma equipa italiana, as equipas italianas venceram cerca de 71% das edições (já contando a actual que não podem ganhar). 

Participaram este ano nas competições da CEV 5 equipas italianas, 3 na Champions League, 1 na CEV Cup e 1 na Challenge Cup; as 3 primeiras foram semifinalistas da liga italiana da época passada, o participante da CEV foi apurado na Taça de Itália e o GS Porto Robur Costa (Ravenna), apesar de ter sido 9º classificado e falhado a qualificação para os play-off do título, venceu a eliminatória (no mesmo formato do play-off) jogada entre todas as equipas que ainda não estavam qualificadas para as competições europeias. Portanto, ganhou o direito desportivo de ser a quinta equipa italiana nas competições europeias. Este ano, a equipa encontra-se no sétimo lugar, estando em posição de acesso aos play-off. 

Esta foi a primeira vez que uma equipa portuguesa eliminou uma equipa italiana em competições da CEV, foi também a primeira vitória em casa e a primeira vitória fora, até agora os melhores resultados eram derrotas por 2-3 em casa (de GC Esmoriz, GC Câstelo da Maia e SC Espinho) e 1-3 fora (de SC Espinho). Note-se que não consegui apurar o resultado do jogo do FC Porto em casa contra a equipa italiana em 1976, no entanto, a vitória do clube português seria um feito bastante registado, tendo em conta o historial das equipas de ambos os países e mesmo do FC Porto, que apesar das muitas participações que teve em competições da CEV não lhe encontrei nenhuma vitória. O registo de equipas portuguesas contra equipas italianas, antes desta eliminatória, estava em 0-18 (com apenas 11 sets conquistados). 

Resultados das equipas portuguesas contra equipas italianas nas competições da CEV, sem referência às equipas adversárias nem a datas concretas, pois não são dados relevantes:

TCCE
1968
AE IS Técnico0-30-3
TCCE
1976
FC Porto0-3?
TCCE
1981
Leixões SC0-32-3
CEV
1986
GC Esmoriz0-30-3
CEV
1988
AA São Mamede0-30-3
TVT
1992
Sporting CP0-30-3
CEV
1997
SC Espinho1-31-3
TVT
1998
GC Câstelo da Maia1-3casa
TCCE
1999
SC Espinho2-3casa
TVT
2000
GC Câstelo da Maia2-3casa
TTC
2006
GC Esmoriz0-3neutro

É ainda importante referir o historial deste clube que é sucessor do Porto Ravenna Volley que conseguiu vencer 1 Campeonato do Mundo, 3 Ligas dos Campeões, 1 Taça CEV (actual Challenge) e 2 Supertaças europeias. Depois de uma crise económica no ano de 2000 cedeu o seu direito desportivo a participar na Série A e voltou apenas na época 2009/10, foi com a fusão com o GS Robur Angelo Costa que se chegou ao objectivo de chegar à Série A e devolver a glória ao voleibol de Ravenna.

O maior feito 

Este é, sem dúvida, o maior feito do voleibol Benfiquista, no entanto, não é o maior feito do voleibol de clubes a nível nacional, nem que o SL Benfica vença a competição - ao contrário do que já li. Esta foi a quinta presença de uma equipa portuguesa em meias-finais europeias, depois das duas do GC Câstelo da Maia e das duas do SC Espinho, todas na segunda competição mais importante, enquanto o GC Câstelo da Maia foi eliminado em ambas, o SC Espinho qualificou-se para a final da primeira Taça dos Clubes de Topo em 2000/01 e venceu-a, qualificou-se também para a final da época seguinte. Essa vitória do SC Espinho é o maior feito de clubes portugueses em competições europeias - já encontrei quem a quisesse desvalorizar porque não participaram equipas italianas na prova, no entanto, a estrutura das competições europeias desse ano assim o proporcionou, mas a Taça dos Clubes de Topo não deixou de ser justamente a segunda competição europeia de clubes, com tanto mérito para o vencedor como qualquer outra: 
- na Liga dos Campeões participaram 16 equipas de 12 países, os quatro primeiros países do ranking colocavam 2 representantes;
- nas 2 principais competições europeias de clubes cada país foi representado no máximo por 2 equipas, a Itália, a França, a Alemanha e a Grécia atingiram esse número na Liga dos Campeões;
- participaram 41 clubes de 29 países;
- a vitória do SC Espinho terminou com uma final contra a segunda equipa russa (a primeira participou na Liga dos Campeões);
- com o alargamento da Liga dos Campeões a equipa a quem o SC Espinho ganhou na final jogaria nos dias de hoje na Liga dos Campeões (onde só participaram 16 equipas).

Talvez, individualmente, a vitória do SC Espinho na final contra a segunda equipa russa (que não representava um dos 4 primeiros países do ranking) não seja tão importante como vitória do SL Benfica em Itália contra o quinto representante italiano (primeiro do ranking), essa questão já é mais complicada, mas a vitória do SC Espinho não tem por onde ser desvalorizada.

O adversário da final

O próximo adversário do SL Benfica, o OK Vojvodina de Novi Sad (secção de voleibol do SD Vojvodina), é um dos maiores clubes sérvios (assim como já era no tempo da Jugoslávia e da Sérvia Montenegro). Foi o vencedor do grupo do SL Benfica na Taça de Equipas de Topo na última presença do SL Benfica nas competições europeias (em 2005/06), na altura este adversário venceu 2-3 em Lisboa e 1-3 em Novi Sad, ficou também em segundo lugar do grupo do SC Espinho quando este venceu a Taça dos Clubes de Topo.

Como medida do valor deste adversário temos os resultados do SL Benfica e do GS Porto Robur Costa (Ravenna) contra equipas sérvias; o SL Benfica já esta época eliminou o líder invicto do campeonato sérvio com um duplo 3-1 (o OK Partizan, secção de voleibol do JSD Partizan), o GS Porto Robur Costa (Ravenna) eliminou o OK Crvena Zvezda (secção de voleibol do SD Crvena Zvezda, conhecido como Estrela Vermelha em português), segundo classificado do campeonato sérvio, por 2-3 e 3-0. O OK Vojvodina (Novi Sad) ficou em 3º lugar da fase regular com 4 derrotas, mais uma que o VK Crvena Zvezda, todas estas equipas estão já qualificadas para as meias-finais do campeonato.

Estes resultados apontam claramente para o favoritismo do SL Benfica nesta final, ao contrário do que apontavam na meia-final, até porque disputa a primeira mão fora (a 8 de Abril) e disputa a segunda mão em casa (a 12 de Abril), aquela onde se pode jogar um golden set decisivo. Claro que os favoritismos de nada valem, especialmente em finais, as vitórias conquistam-se com o trabalho demonstrado nos jogos. No entanto, esta equipa do SL Benfica tem demonstrado uma força psicológica que faz jus à sua qualidade técnica, guiando os adeptos para uma grande onda de confiança nesta equipa.

Estatística do jogo: aqui.

Resultado: 23-25 25-27 25-20 25-18 15-10

Resumo do jogo:

Adeptos na final

É sabido que na altura das finais há sempre mais benfiquistas, espero que o SL Benfica saiba premiar aqueles que acreditam sempre nas equipas e contribuem com o seu apoio para o sucesso das equipas. Esta época apenas me lembro de um jogo em que os adeptos com quota das modalidades (aqueles que contribuem todo o ano para as modalidades) foram premiados, como deveriam ser sempre, com a venda de bilhetes com antecedência em relação aos outros sócios. É um privilégio que deviam ter como adquirido. Neste momento aparecem adeptos que só agora souberam que o SL Benfica participava nesta competição e se a organização não for a correcta podem "roubar" lugares a adeptos que assistiram a todos os jogos, como eu que fui assistir a todas as eliminatórias! É de esperar algum bom senso por parte dos responsáveis do SL Benfica para não oferecerem bilhetes a escolas quando os benfiquistas conseguem perfeitamente encher mais que a capacidade do pavilhão nº 2, um erro que aconteceu na meia-final e tivemos que assistir a sectores com pouco entusiasmo perante uma tão importante meia-final europeia. A meu ver, o jogo até poderia ser na Praça de Touros do Campo Pequeno que tem maior capacidade e boas condições para os adeptos.

Que as decisões do SL Benfica sejam as melhores para os seus adeptos!

quinta-feira, 26 de março de 2015

SL Benfica 3-0 GS Porto Robur Costa (Ravenna) - CEV Callenge Cup meia-final

Ontem o SL Benfica jogou a primeira mão da meia-final da CEV Challenge Cup (terceira competição da Europa), em casa contra o GS Porto Robur Costa (Ravenna) - sucessor de um clube campeão do mundo, tri-campeão europeu, vencedor de uma Taça CEV, equivalente a esta Challenge Cup, portanto um gigante da modalidade; é o actual 7º classificado do campeonato italiano.

O que assisti no pavilhão ainda hoje me enche o espírito, foi a melhor exibição a que assisti a uma equipa de voleibol do SL Benfica. Poucos foram os erros, mesmo os mais frequentes na equipa foram evitados neste jogo, por exemplo apenas 5 dos serviços foram falhados.

À primeira vista a equipa italiana impunha respeito, os seus jogadores são mais altos (impressionam os 2,17 metros do brasileiro Renan, quando lhe colocam a bola em boas condições sai um míssil indefenssável), muitos são internacionais e jogam num campeonato sempre muito competitivo, enquanto o SL Benfica joga num campeonato com uma equipa do seu nível, outras duas de nível médio e as restantes muitos furos abaixo das primeiras. O GS Porto Robur Costa (Ravenna) até começou bem o jogo mas a qualidade, talvez inesperada, do SL Benfica e o ambiente no pavilhão levaram a equipa a cometer alguns erros, passando a supremacia no jogo para o SL Benfica.

A qualidade do jogo do SL Benfica esteve sempre tão elevada que o treinador José Jardim apenas efectuou, durante pouco tempo uma substituição táctica, com a entrada de João Oliveira, mantiveram-se brilhantemente em jogo Honoré, Flávio Cruz, Roberto Reis, Hugo Gaspar, Zelão, Perini e o líbero Ivo Casas. Destaco o enorme jogo de Honoré, que esteve fatal nos ataques centrais, e também Flávio Cruz e Roberto Reis, numa equipa que esteve toda no seu melhor nível. Foi no mais importante jogo da história do voleibol do SL Benfica que os seus jogadores jogaram melhor, ou seja, quando mais interessava. Contudo, o próximo jogo será mais uma vez o mais importante da história do voleibol do SL Benfica e só com um nível muito semelhante se alcançará o objectivo.

Esta equipa italiana mostrou ser habilidosa, não apenas no jogo jogado mas também nos truques. muito semelhantes aos utilizados por cá pelo SC Espinho. Foram constantes as tentativas de pressão sobre a equipa de arbitragem para tentar obter erros a seu favor, protestavam mesmo quando era óbvio que não tinham razão, apenas para deixar o árbitro na dúvida após tantas tentativas, no entanto, o árbitro principal manteve-se firme e importunável. Em Itália, perante uma assistência que deverá encher o pavilhão de cerca de 3 500 lugares, será mais complicado resistir a tácticas semelhantes, que deverão persistir.

No próximo domingo joga-se em Itália a segunda mão da meia-final, num ambiente hostil ao SL Benfica. Para se qualificar o SL Benfica (que fez 3 pontos na eliminatória) precisa de:
- vencer;
- perder vencendo 2 sets (recebe 1 ponto na eliminatória que terminaria 4-2); ou
- caso perca por 3-0 ou 3-1 (recebe 0 pontos na eliminatória e esta termina 3-3), vencer o golden set (disputado até aos 15 pontos).
Sabe-se que receber em casa o jogo da segunda mão é uma vantagem, estas regras ainda beneficiam o nosso que pode vencer 3-1 (depois de perder 3-0) e disputar perante o seu público um golden set depois de uma vitória que seria moralizadora.

Vi uma equipa do SL Benfica muito moralizada, concentrada e sempre com grande entrega ao jogo, acredito que em Itália continuarão assim.

O SL Benfica é a única equipa que ainda não perdeu nesta Taça Challenge, segue numa série de 7 vitórias seguidas, o seu recorde em competições europeias, o anterior máximo eram 3, neste momento tenho pena que o CV Andorra tenha desistido na primeira eliminatória. Anteriormente a esta época, tinham sido vencidos 12 dos 38 jogos europeus disputados.

Parabéns ao professor José Jardim por este feito, ainda há muito trabalho pela frente mas já merece realce. Ainda me lembro quando após 3 vice-campeonatos se pedia (nalguns sectores das bancadas) a demissão do homem que tem foi o principal obreiro do voleibol do SL Benfica desde o regresso à competição em 1996/97, dos escalões inferiores até aos títulos nacionais e agora meia-final europeia.

Dados estatísticos do site da CEV: aqui.

Resultado: 25-20 26-24 25-19

Resumo do jogo:

Estou orgulhoso desta exibição.

Destaco também a boa afluência de público que criou um bom ambiente no pavilhão, isto apesar de os bilhetes só terem sido colocados à venda no próprio dia e ser bastante nítida a presença de convidados de escolas. Facto esse que levou a que nuns sectores atrás dos bancos o apoio fosse menor e até ter que ouvir uma jovem aplaudir todos os pontos do adversário, dizendo mesmo constantemente "eu não gosto do Benfica". É de pensar uma estratégia diferente por parte do SL Benfica, é preferível ter benfiquistas que até gostariam de estar presentes e apoiar o seu clube do que convidados amorfos ou mal agradecidos. Se se pretender encher o pavilhão, nem que seja com convidados, deve dar-se primeiro oportunidades aos benfiquistas de dar indícios que vão ou não encher o pavilhão. Também a ter em conta é a abertura da bilheteira para quem paga a Quota das Modalidades com antecedência em relação aos outros sócios e adeptos, eles pagam para ajudar as modalidades, merecem ter esse privilégio.