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sábado, 25 de abril de 2015

25 de Abril para recordar

Hoje é dia de recordar o 25 de Abril de 2010.

Parece que o recorde de assistência estabelecido nesse jogo para uma partida de futsal na Europa foi agora batido, no entanto, esse jogo tem muito mais de especial. Espero que um dia o SL Benfica também tenha uma segunda oportunidade de organizar a fase final da competição, na primeira foi assim:

A melhor equipa da história do futsal português tornou-se campeã da Europa! Com um ambiente de impressionar no pavilhão. Contra o seu maior rival europeu. Um dos maiores clássicos do futsal europeu. 

Que não passe que esta equipa só ganhou porque a fase final foi disputada em Lisboa! É certo que o apoio dos adeptos à equipa foi fenomenal e também eles devem sentir a vitória como sua. No entanto, não se esqueçam que até lá nunca nenhuma equipa organizadora tinha vencido a competição e após apenas o FC Barcelona o conseguiu, apesar de organizar a competição em Lérida - o que torna o SL Benfica o único clube a vencer a competição na sua cidade, com excepção das 4 edições em que a final se disputou a duas mãos (onde o Playas de Castellón FS também o conseguiu). Em 10 edições com organizações entregues a clubes apenas 3 atingiram a final, 2 venceram-na. Esta magnífica equipa soube estar à altura do acontecimento:

Bebé
Zé Carlos
Zé Maria
Davi
Pedro Costa
Arnaldo
Gonçalo Alves
Ricardinho
Marinho
César Paulo
Joel Queirós
Rúben Simões 
Anilton

Ainda:
Pedrinho
Carlos Paulo

Equipa Técnica:
André Lima
Nelito
Nelson Coelho

Foi um bonito dia vermelho. Ainda hoje me emociono ao recordá-lo.

Obrigado, campeões!

De referir ainda que Lisboa é a única cidade com mais que uma organização e as 3 edições nela disputadas tornam Portugal no país onde mais vezes se jogou a fase final da competição, mas só uma vez houve uma festa como esta:




quinta-feira, 26 de março de 2015

SL Benfica 3-0 GS Porto Robur Costa (Ravenna) - CEV Callenge Cup meia-final

Ontem o SL Benfica jogou a primeira mão da meia-final da CEV Challenge Cup (terceira competição da Europa), em casa contra o GS Porto Robur Costa (Ravenna) - sucessor de um clube campeão do mundo, tri-campeão europeu, vencedor de uma Taça CEV, equivalente a esta Challenge Cup, portanto um gigante da modalidade; é o actual 7º classificado do campeonato italiano.

O que assisti no pavilhão ainda hoje me enche o espírito, foi a melhor exibição a que assisti a uma equipa de voleibol do SL Benfica. Poucos foram os erros, mesmo os mais frequentes na equipa foram evitados neste jogo, por exemplo apenas 5 dos serviços foram falhados.

À primeira vista a equipa italiana impunha respeito, os seus jogadores são mais altos (impressionam os 2,17 metros do brasileiro Renan, quando lhe colocam a bola em boas condições sai um míssil indefenssável), muitos são internacionais e jogam num campeonato sempre muito competitivo, enquanto o SL Benfica joga num campeonato com uma equipa do seu nível, outras duas de nível médio e as restantes muitos furos abaixo das primeiras. O GS Porto Robur Costa (Ravenna) até começou bem o jogo mas a qualidade, talvez inesperada, do SL Benfica e o ambiente no pavilhão levaram a equipa a cometer alguns erros, passando a supremacia no jogo para o SL Benfica.

A qualidade do jogo do SL Benfica esteve sempre tão elevada que o treinador José Jardim apenas efectuou, durante pouco tempo uma substituição táctica, com a entrada de João Oliveira, mantiveram-se brilhantemente em jogo Honoré, Flávio Cruz, Roberto Reis, Hugo Gaspar, Zelão, Perini e o líbero Ivo Casas. Destaco o enorme jogo de Honoré, que esteve fatal nos ataques centrais, e também Flávio Cruz e Roberto Reis, numa equipa que esteve toda no seu melhor nível. Foi no mais importante jogo da história do voleibol do SL Benfica que os seus jogadores jogaram melhor, ou seja, quando mais interessava. Contudo, o próximo jogo será mais uma vez o mais importante da história do voleibol do SL Benfica e só com um nível muito semelhante se alcançará o objectivo.

Esta equipa italiana mostrou ser habilidosa, não apenas no jogo jogado mas também nos truques. muito semelhantes aos utilizados por cá pelo SC Espinho. Foram constantes as tentativas de pressão sobre a equipa de arbitragem para tentar obter erros a seu favor, protestavam mesmo quando era óbvio que não tinham razão, apenas para deixar o árbitro na dúvida após tantas tentativas, no entanto, o árbitro principal manteve-se firme e importunável. Em Itália, perante uma assistência que deverá encher o pavilhão de cerca de 3 500 lugares, será mais complicado resistir a tácticas semelhantes, que deverão persistir.

No próximo domingo joga-se em Itália a segunda mão da meia-final, num ambiente hostil ao SL Benfica. Para se qualificar o SL Benfica (que fez 3 pontos na eliminatória) precisa de:
- vencer;
- perder vencendo 2 sets (recebe 1 ponto na eliminatória que terminaria 4-2); ou
- caso perca por 3-0 ou 3-1 (recebe 0 pontos na eliminatória e esta termina 3-3), vencer o golden set (disputado até aos 15 pontos).
Sabe-se que receber em casa o jogo da segunda mão é uma vantagem, estas regras ainda beneficiam o nosso que pode vencer 3-1 (depois de perder 3-0) e disputar perante o seu público um golden set depois de uma vitória que seria moralizadora.

Vi uma equipa do SL Benfica muito moralizada, concentrada e sempre com grande entrega ao jogo, acredito que em Itália continuarão assim.

O SL Benfica é a única equipa que ainda não perdeu nesta Taça Challenge, segue numa série de 7 vitórias seguidas, o seu recorde em competições europeias, o anterior máximo eram 3, neste momento tenho pena que o CV Andorra tenha desistido na primeira eliminatória. Anteriormente a esta época, tinham sido vencidos 12 dos 38 jogos europeus disputados.

Parabéns ao professor José Jardim por este feito, ainda há muito trabalho pela frente mas já merece realce. Ainda me lembro quando após 3 vice-campeonatos se pedia (nalguns sectores das bancadas) a demissão do homem que tem foi o principal obreiro do voleibol do SL Benfica desde o regresso à competição em 1996/97, dos escalões inferiores até aos títulos nacionais e agora meia-final europeia.

Dados estatísticos do site da CEV: aqui.

Resultado: 25-20 26-24 25-19

Resumo do jogo:

Estou orgulhoso desta exibição.

Destaco também a boa afluência de público que criou um bom ambiente no pavilhão, isto apesar de os bilhetes só terem sido colocados à venda no próprio dia e ser bastante nítida a presença de convidados de escolas. Facto esse que levou a que nuns sectores atrás dos bancos o apoio fosse menor e até ter que ouvir uma jovem aplaudir todos os pontos do adversário, dizendo mesmo constantemente "eu não gosto do Benfica". É de pensar uma estratégia diferente por parte do SL Benfica, é preferível ter benfiquistas que até gostariam de estar presentes e apoiar o seu clube do que convidados amorfos ou mal agradecidos. Se se pretender encher o pavilhão, nem que seja com convidados, deve dar-se primeiro oportunidades aos benfiquistas de dar indícios que vão ou não encher o pavilhão. Também a ter em conta é a abertura da bilheteira para quem paga a Quota das Modalidades com antecedência em relação aos outros sócios e adeptos, eles pagam para ajudar as modalidades, merecem ter esse privilégio.

domingo, 15 de março de 2015

Equipa feminina de hóquei em patins: Campeã da Europa!


A equipa feminina do Sport Lisboa e Benfica venceu, brilhantemente, a Taça Europeia de hóquei em Patins. É o primeiro título europeu de uma equipa portuguesa em desportos colectivos femininos.

Esta manhã, em Manlleu (Catalunha, Espanha), as meninas do SL Benfica venceram a equipa francesa do US Coutras por 5-2, depois de ontem terem eliminado a equipa da casa, o CP Manleu, por 4-2.

Na 9ª edição da prova o SL Benfica conseguiu eliminar a equipa da casa e impedir o pleno de vitórias espanholas na competição. Nas oito edições anteriores apenas dois finalistas não eram de Espanha.

Se ontem o SL Benfica fez mais um jogo de cautela defensiva - e bem, tendo em conta o valor do adversário, que jogava em casa, e depois do resultado com o CP Voltregà nos quartos-de-final -, hoje a equipa assumiu o controlo do jogo e conseguiu marcar cedo. Foi sempre um jogo em que a equipa do SL Benfica mostrou que era a melhor equipa e nunca pareceu perigar a sua vitória.

Merece destaque a Marlene Sousa que marcou 4 golos e mostrou mais uma vez que é craque.

Esta vitória não foi apenas fruto do SL Benfica ter a melhor equipa da Europa, é fruto de preparação para o sucesso. Não me esqueço que depois do final de um jogo da Zona Sul do Campeonato Nacional, a que fui assistir, sem tempo para descanso a equipa fez um pequeno jogo treino entre si - 5 contra 5 -, em que a competitividade e intensidade do jogo foram maiores que o jogo do Campeonato Nacional. 

A equipa alinhou de início com Ana Santos (GR), Marlene Sousa, Inês Vieira, Rute Lopes e Rita Lopes, são também campeãs Celeste Vieira (GR), Raquel Abreu, Andreia Dâmaso, Marta Vieira e Sofia Vicente, treinadas pelo glorioso Paulo Almeida.

Note-se que este é apenas o terceiro ano de competição da equipa feminina de hóquei em patins. Desde o início a equipa só perdeu uma competição, vencendo já: a Taça Europeia, 2 campeonatos nacionais, 1 Taça de Portugal, 2 Supertaças, 3 Torneios de Abertura da AP Lisboa. Na época passada o SL Benfica inscreveu-se na Taça Europeia mas acabou por não participar, supostamente porque não havia condições financeiras para a participação.

Percurso do SL Benfica na Taça Europeia de hóquei em patins feminino:


Podem (re)ver a final aqui:

Ficha do jogo, retirada do site http://hoqueipatins.pt/live/tef.html

domingo, 9 de junho de 2013

Dragonaço - o nosso Maracanazo!

É verdade que o SL Benfica já tinha conquistado um troféu prestigiante que o consagrava como a melhor equipa da europa (a Taça das Nações de 1961, entre campeões dos principais campeonatos europeus), no entanto, faltava ao palmarés do clube a Taça dos Clubes Campeões Europeus/Liga Europeia. Duas Taças CERS e cinco finais da principal competição (não quatro como discursou o presidente) eram um prémio pequeno para o clube que pratica a modalidade há mais tempo.

Para que se tenha uma noção do que era o hóquei em patins europeu do SL Benfica nas últimas épocas antes do Luís Sénica, relembro-vos das nossas participações. Depois de três Final 4 entre 2000 e 2002, em 2003 vencemos dois jogos e perdemos quatro na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2004 perdemos todos os jogos na fase de grupos (dois grupos de quatro), em 2005 na Taça CERS fomos eliminados em Itália pelo AP Follonica Hockey depois de termos sido perdulários em Lisboa (na minha opinião com a equipa mal conduzida por Paulo Garrido; o AP Follonica Hockey acabou por ganhar a competição), em 2006 fomos eliminados na pré-eliminatória da Liga Europeia pelo CP Vic, não voltámos a ter participações europeias desde aí até à chegada do Luís Sénica – apenas participámos na época seguinte no Campeonato do Mundo, onde fomos terceiros.

Com Luís Sénica – é, no entanto, inegável que o conseguiu com grandes equipas -, em 2010 fomos à Final 4 da Taça CERS, em 2011 ganhámos a Taça CERS (em casa do outro finalista), em 2012 fomos à Final 8 da Liga Europeia (eliminados por equipa superior mas por demasiados golos), em 2013…

Fomos jogar a Final 4 da Liga Europeia ao Porto, ao Dragão Caixa. Contra três equipas consideradas superiores à nossa; se pedissem para juntar uma quarta a estas três para formar o conjunto das melhores, provavelmente, a maioria dos conhecedores deste desporto escolheria o HC Liceo.

Na meia-final derrotámos o adversário mais difícil da Europa, historicamente e também no contexto actual. Das nossas 36 participações em competições europeias fomos eliminados pelo FC Barcelona oito vezes (ainda que uma em fase de grupos com dois apurados), foi a segunda vez que os eliminámos (a anterior aconteceu epicamente nos quartos-de-final da Taça dos Campeões de 1994/95). Antes deste jogo contávamos com 17 jogos contra o eneadeca-campeão europeu, com 4 vitórias, 2 empates e 11 derrotas (uma em prolongamento), juntámos mais um empate muito vitorioso.

A diferença entre o sucesso e o insucesso é muito escassa; foi assim em muitas das nossas derrotas, foi assim em muitas vitórias de outros, foi assim nesta nossa vitória. Contra o Barcelona no último minuto o SL Benfica dispôs de um livre directo, que podia ser a última oportunidade para empatar o jogo a quatro, foi marcar o experiente Carlos López; não conseguiu enganar o guarda-redes Sergi Fernandez; faltava pouco tempo, bastava apenas o desespero; e esse desespero foi compensado, quando a poucos segundos do fim o mesmo jogador, com marcação defensiva, recebeu a bola no canto superior da área, e se virou para rematar à baliza não podemos falar em calma mas em vontade de ganhar. Esse remate cheio de vontade de Carlos López saiu contra o guarda-redes e ressaltou para dentro da baliza; o insucesso esteve à vista em cada momento desta jogada até que a bola entrou na baliza.

O jogo seguiu até aos penáltis onde tudo pode acontecer, todos podem sonhar ganhar aos melhores do mundo. Aí os jogadores do SL Benfica foram mais competentes (apesar do João Rodrigues ter deixado passar o tempo para rematar o penálti...), sobretudo o guarda-redes Pedro Henriques que defendeu quatro dos cinco penáltis para colocar a equipa na final.

Seguiu-se o adversário que tem dominado o hóquei em patins nacional e muito perto tem ficado de alcançar o grande troféu europeu. Desde a criação da Liga Europeia (em 1996/97), o FC Porto havia participado em seis finais, perdeu-as todas, quatro delas por apenas um golo (outra num grupo final de 4 equipas). Haviam sido jogadas 11 partidas europeias contra o FC Porto antes desta final, 1 vitória, 3 empates e 7 derrotas, tínhamos conseguido eliminá-los uma vez (em fase de grupos) e tínhamos sido eliminados cinco vezes (duas em fase de grupos). Já tínhamos jogado uma final europeia contra o FC Porto (a Taça das Taças de 1983) e tínhamo-la perdido em Lisboa 5-6, depois de um empate a dois no Porto. Este adversário impôs-nos a nossa maior derrota europeia de sempre (1-13, em 1987). Na única Final 4 da Liga Europeia em que o SL Benfica tinha defrontado o FC Porto havia perdido por 1-4, na vergonhosa edição de 2000 no Porto. Já não ganhávamos no pavilhão do FC Porto desde um dos jogos para o campeonato em 2004. Este ano tínhamos perdido os dois jogos contra eles, o último duas semanas antes da Final 4 da Liga Europeia, por 3-7.

Nós ganhámos o mais saboroso e importante de todos.

Muitos podem tentar desvalorizar esta vitória com os resultados da equipa de futebol mas os resultados do futebol nada têm a ver com o hóquei em patins. É possível gostar de mais desportos para além do futebol, é possível gostar mais desses desportos que de futebol. Não é o meu caso, apesar disso não consigo discernir se comecei a gostar do SL Benfica mais devido ao futebol, ao hóquei em patins ou ao basquetebol. Esta era uma competição que queria ver o meu SL Benfica ganhar desde que me lembro de ver desporto, mais que qualquer campeonato nacional de futebol.

Convém não esquecer que o SL Benfica anunciou que não iria comparecer na final, devido à distribuição de bilhetes e, sobretudo, às condições de segurança que colocavam em perigo os adeptos (e equipa) benfiquistas. Que o desportivismo dos jogadores do FC Porto na final não apague o clima infernal que os adeptos benfiquistas tiveram que suportar, a preparação que estava a ser feita para ainda mais actos de terrorismo, como os que aconteceram em 2000, também na Final 4 da Liga Europeia de hóquei em patins, quando as equipas do SL Benfica na meia-final e do FC Barcelona foram alvos da ira cega dos adeptos portistas, sem o devido apoio policial. Após a final os jogadores do FC Barcelona foram agredidos e não puderam receber a Taça no campo. Não tenho muitas dúvidas que se o SL Benfica não tivesse tomado medidas o mesmo (ou muito pior) estaria preparado, caso o principal rival (no entender deles: inimigo) ganhasse a principal competição - e que tanto eles têm tentado ganhar - da modalidade que o seu presidente e a maioria dos seus adeptos mais gostam, em sua casa. Estes actos vergonhosos têm o patrocínio do senhor que inventou a guerra Norte-Sul para promover o crescimento do seu clube, um crescimento que tem sido criado através do ódio. Tivemos que ir jogar a um ambiente hostil criado por um clube que não olha a meios para ganhar. Congratulo a direcção do meu clube que conseguiu combater esta violência sem recorrer à mesma e promovendo a segurança dos intervenientes no espectáculo (que deve ser sempre) do desporto.

Quanto ao jogo foi um grande espectáculo de hóquei em patins entre duas das melhores equipas do mundo, em que qualquer dos 10 jogadores pode certamente ter orgulho de pertencer devido à sua influência na equipa. O FC Porto embalado pelo apoio do seu público chegou cedo a uma vantagem de dois golos e com possibilidade de a aumentar. A equipa do SL Benfica não ficou visivelmente abalada e conseguiu manter-se a uma distância recuperável, com consciência que não eram necessárias medidas drásticas para tentar recuperar a desvantagem. A meio da segunda parte o SL Benfica conseguiu mesmo passar para a frente e pareceu querer controlar calmamente o jogo, mas perante a poderosa equipa do FC Porto isso não foi possível. O 5-5 no final dos 50 minutos era um resultado justo, qualquer equipa poderia ter vencido e terminaria como um campeão muito meritório. Foi o tipo de jogo que se quer numa grande final, com alternâncias no líder do jogo, com golos, com jogadas bonitas. Esperava-se que a esta altura o SL Benfica já não tivesse aguentado o poderio atacante do FC Porto, que a jogar em casa era claríssimo favorito. Mas a nossa equipa foi brava e soube jogar a final. No prolongamento numa jogada ensaiada, pedida pelo treinador, o Diogo Rafael rematou de longe e o João Rodrigues desviou a bola para o golo de ouro. 

Estava concretizado o nosso Maracanazo! A equipa do SL Benfica terminou como campeã, mereceu-o, os jogadores estiveram psicologicamente num nível muito elevado, não sucumbindo às adversidades de ambos os jogos e provaram que muito trabalho foi feito para se conseguir este enorme sucesso – mérito da equipa técnica.

As grandes vitórias costumam ter heróis que se destacam dos outros e brilham naquele momento decisivo. Esta enorme vitória – os dois jogos – teve muitos momentos que podem ser considerados decisivos, tivemos muitos heróis. O Ricardo Silva (guarda-redes por vezes pouco amado) fez defesas que mantiveram a equipa na discussão do resultado, não existe nenhuma grande equipa campeã que o seja sem grande intervenção do seu guarda-redes, especialmente em jogos tão equilibrados como os desta Final 4. Ao contrário do que tem acontecido muitas vezes a marcação de penáltis foi decisiva a nosso favor, o nosso melhor marcador (sempre o vi assim), Luís Viana, dispôs de quatro penáltis na Final 4 e transformou-os em 4 golos (fortíssimo!). Do outro lado, Pedro Henriques, o guarda-redes suplente que foi chamado para evitar os golos de livres directos e penáltis esteve brilhante, defendeu um livre directo no prolongamento contra o FC Barcelona evitando a nossa eliminação. O Marc Coy, que durante a época não conseguiu fazer esquecer a saída do Sérgio Silva, marcou um dos penáltis da meia-final e um golo importantíssimo na segunda parte da final. O Cacau que marcou de forma brilhante (que calma e concentração!) o livre directo que nos deu o primeiro golo da final, quando a margem de erro começava a escassear. O Carlos López que marcou o golo no fim do jogo da meia-final, com enorme crer demonstrado pela forma como festejou contra a sua antiga equipa; venceu a sua sexta Liga Europeia (uma no HC Liceo, quatro no FC Barcelona), também já ganhou o Sul-Americano de Clubes (pelo Unión Vecinal de Trinidad, UVT), e se não me engano é o primeiro jogador a ganhar a competição por três clubes diferentes. Os jovens João Rodrigues e Diogo Rafael, que espero sejam a base desta equipa por muitos anos, e marcaram em conjunto o golo de ouro da final, remate do Diogo com desvio do João. (Ao Diogo disse uma vez que era o único dos jogadores actuais que tinha lugar nas grandes equipas dos anos 90, entretanto surgiram vários jovens que vão trazer muitas glórias ao hóquei em patins português, mas ele tem tudo para ser o líder desta nova geração.) Sem esquecer o Tuco (que marcou penálti na meia-final e é sempre importante nos remates de longe) e o capitão Valter Neves que são a base defensiva desta equipa que esteve muito bem organizada em quase todos os momentos da Final 4.

O percurso para esta grande vitória europeia começou em 2009/2010 com a chegada de Luís Sénica, nesse ano, depois de muitas peripécias, ficámos em 5º no campeonato, ganhámos a Taça e fomos à Final 4 da CERS - o suficiente para muitos considerarem que não servia para o SL Benfica -, no ano seguinte ganhámos a Supertaça, terminámos o campeonato com os mesmos pontos do primeiro (que ganhou facilmente à UD Oliveirense na última jornada, treinada pelo seu futuro treinador Tó Neves; apenas empatámos um jogo e perdemos dois) e ganhámos a Taça CERS, no ano seguinte ganhámos a Taça Continental (sem jogar) e o campeonato que nos fugia há muito tempo (com dois empates e uma derrota), este ano já tínhamos ganhado a Supertaça, terminámos o campeonato com quatro empates e duas derrotas. Para se obter este nível de resultados foi necessário manter uma base estável de jogadores desde que foi construída a equipa que venceu a Taça CERS; dessa equipa, que tinha 11 jogadores, saíram: o grandíssimo Ricardo Pereira, o Caio e o Tiago Rafael; entraram: os experientes Sérgio Silva e Carlos López. Para esta época saiu o Sérgio Silva e entrou o Marc Coy, o que parecia ter deixado a equipa um pouco menos forte. 

Nestes quatro anos a equipa sempre se mostrou forte a nível europeu, especialmente em casa onde conseguiu 9 vitórias, 2 empates e não consentiu derrotas. No total foram 18 vitórias (uma em golo de ouro), 5 empates (uma com vitória em penáltis) e 5 derrotas (uma em golo de ouro); três troféus.

Há quem diga que os benfiquistas só se lembram do hóquei agora que ganhámos a Liga Europeia, eu não sou desses, fui a dois dos quatro jogos em casa nesta competição, não fui aos outros dois porque não pude. Sinto-me campeão desta Liga Europeia, quando pude fui dar o meu contributo. Fui receber a equipa à 1:00 ao Pavilhão da Luz, porque acho que mereci festejar com a equipa. Talvez algumas daquelas cerca de mil pessoas não tenham presenciado um jogo sequer esta época, espero que o façam a partir de agora, o hóquei em patins do SL Benfica merece.

Para concluir o agradecimento à equipa fui ver o último jogo em casa para o campeonato, contra o Sporting CP. Saúdo com agrado a guarda-de-honra com que os jogadores do Sporting CP receberam os campeões europeus. E também o desportivismo da claque oficial das modalidades do Sporting - algo que não conseguem ensinar à claque principal, que foi para o pavilhão para provocar. Foi o tipo de jogo que conquista adeptos para a modalidade, a equipa do Sporting CP mostrou que merecia evitar a despromoção e a do SL Benfica tentou sempre jogar bonito para brindar os adeptos com uma grande exibição; foi conseguido e com vitória por 10-4. Ambas as equipas mereceram e levaram aplausos no final. Congratulo o Sporting CP pela permanência; o ambiente que tem um jogo com o Sporting CP não se consegue normalmente contra o HC "os Tigres" de Almeirim, tem muita piada ir para o pavilhão gritar aos adeptos do Sporting CP "vais para a segunda", mas tem mais piada fazê-lo todas as épocas. Foi a despedida do Ricardo Silva, que nem sempre agradou a todos, mas a meu ver foi sempre mais o que fez de bom que o que não conseguiu fazer bem. O Luís Viana esteve, mais uma vez, brilhante e marcou 5 golos, o comportamento soou a despedida dos adeptos, espero que não se concretize; não é fácil arranjar jogadores de área como ele e Ricardo Pereira. Parece também que vamos ficar sem o treinador campeão europeu, lamento, os que ganham o que ele ganhou são de manter.

OBRIGADO E PARABÉNS CAMPEÕES!

(Cliquem sobre as imagens para ver as animações, produzidas pelo user Darkboy do fórum Serbenfiquista. Frases em itálico têm ligação para vídeo.)

domingo, 2 de junho de 2013

Final da Liga Europeia de Hóquei em Patins

Se calhar não devíamos ter participado num jogo manchado pelo clima de terror, que ainda por cima parecia encomendado, após as indicações da meia-final. Especialmente, depois de termos dito que não o iríamos fazer.

Mas fomos a jogo, sem medo!

Inventaram duas faltas e duas grandes penalidades no início do jogo, daquelas que nem o Vítor Bruno - que tanto asco causa, com os seus comentários, desde os anos 90 - conseguia explicar... Foi sempre mais fácil marcar faltas à equipa do SL Benfica. No entanto, não foi o escândalo que eu esperava e vi noutros anos. Se tivéssemos perdido (e eu pensei que fosse acontecer) a responsabilidade da arbitragem não seria notória.

Estranho as poucas repetições dos lances de maior destaque (houve golos sem repetição), gostava de ter visto a repetição do terceiro golo do FC Porto, quando o Reinaldo Ventura marca golo e abre a cabeça do Carlos López.

Grande ambiente criado pelos adeptos do FC Porto, como eu gostava de ver na Luz, o que não parece possível porque há muitos que vão principalmente para estar contra as nossas equipas. De aplaudir o apoio à sua equipa mesmo no momento da derrota; uma derrota muito difícil de digerir: numa competição que perseguem há muito tempo, contra os principais rivais, na sua casa. Mas também lhes devia servir de lição: em casa contra os melhores todos podem perder; podem festejar fora mas os outros também podem festejar na casa deles; perder finais europeias, mesmo que em casa, não é vergonha para ninguém. Que isto nos sirva de lição também a nós. A vitória mais saborosa (a da competição mais importante) foi conseguida por nós na casa do FC Porto, mas para mim podia ter sido em qualquer local do mundo que significaria o mesmo.

Inadmissível os adeptos do SL Benfica apenas entrarem numa final europeia para ver a sua equipa na segunda parte.

Foi um grande jogo de hóquei em patins. Ganhámos e somos campeões europeus! Esperava isto há cerca de 20 anos quando comecei a acompanhar a modalidade. Ainda tenho memória da final a duas mãos que perdemos contra o Igualada HC, em 1995, e da minha desilusão por aquela grande equipa não ter sido campeã da Europa. Não sei se era do meu jovem olhar distorcido pelo amor mas, senti que nos tinham roubado a Taça - depois de termos eliminado epicamente o FC Barcelona, eliminado o HC Novara e termos sido superiores ao Igualada HC.

Desta vez não senti que tínhamos a melhor equipa do Mundo, nem da Europa, nem sequer de Portugal. Acho até que tínhamos a equipa com menos capacidades da Final Four. Mas o meu sentimento é o de sempre, prefiro ser campeão, a ser o melhor. Ser campeão é muito superior a ser-se o melhor, os campeões ficam para sempre nos registos da história, têm o sabor da vitória final, o objectivo com que todos sonham. Neste momento somos campeões!

Gostei das palavras do Sénica no final, deviam ser ouvidas e aprendidas por muitos benfiquistas, depois de termos perdido no Dragão para o campeonato não perdemos dignidade. Não são só os vencedores que saem com dignidade, acredito que qualquer que fosse o resultado esta equipa teria sido muito digna de vestir a camisola do SL Benfica.

(Não compreendo a ausência do presidente do clube neste momento importante.)

SL BENFICA – FC Porto  6-5, golo de ouro (3-4; 5-5; 1-0)
Golos: 0-1, 1’.35” Silva (P), 0-2, 6’38”: Ventura pen. (P), 1-2, 7’.03” Filho (B), 1-3, 9’.10” Ventura (P), 2-3, 10’.09” Viana pen.(B), 3-3, 19’.29” Rafael (B), 3-4, 21’.58” Nunes (P) - intervalo - 4-4, 5’11” Coy (B), 5-4, 15’.15” Viana pen. (B), 19’.05” Ventura (P) - prolongamento - 1’.32” Rafael (B).

SL Benfica:  Ricardo Silva (Pedro Henriques), Valter Neves (capitão), Diogo Rafael, Cláudio Filho "Cacau", Esteban Abalos "Tuco", Marc Coy, João Rodrigues, Carlos López, Luís Viana. Treinador: Luis Sénica.

FC Porto: Edo Bosh (Nélson Magalhães), Pedro Moreira, Ricardo Oliveira, Tiago Santos, Vítor Hugo, Jorge Silva, Reinaldo Ventura, Ricardo Barreiros, Hélder Nunes. Trienador: Tó Neves

Faltas: Benfica 14 – Porto 9
Árbitros: Valverde e Garcia (Espanha)

Ganhámos o jogo muito em parte devido à correcção de um dos principais problemas das últimas épocas, a marcação de grandes penalidades e livres directos.

Colocaram o SL Benfica num lugar que certamente merece, o de campeão europeu. Era uma lacuna que havia na nossa história! Somos o clube a praticar a modalidade há mais tempo, depois de termos sido convidados a representar Portugal num Europeu de Nações, de termos ganho a Taça das Nações (Torneio de Montreux) num ano em que participaram clubes campeões nacionais, de termos ganho duas Taças CERS, de termos perdido 5 finais da Taça dos Campeões e mais duas da Taça das Taças, finalmente ganhámos o maior prémio.

Já fui muitas vezes critico deles, hoje deixo o meu agradecimento aos Diabos Vermelhos por não terem deixado morrer esta modalidade, que tanto gosto, no Sport Lisboa e Benfica. Ajudaram a manter a grandeza do nosso clube.

(Hoje voltei a chorar de alegria pelo SL Benfica, como em 2010 com o Futsal.)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Mais uma vez, parabéns e obrigado campeões!

Hoje é o aniversário de um dos meus jogos preferidos do SL Benfica, um que faz a diferença na nossa história.

Vou recuperar um texto que escrevi sobre ele neste mesmo dia em 2006:

http://1001jogoshistoricos.blogspot.pt/2006/05/lutar-e-sofrer-em-berna-futebol.html

Lutar e sofrer em Berna

31 de Maio de 1961, Estádio Wankdorf em Berna (Suíça)
SL Benfica 3-2 CF Barcelona

Árbitro: Dienst (Suíça)
SL Benfica: Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Neto, Germano e Cruz; José Augusto, Santana, Águas (cap.), Coluna e Cávem. Treinador: Bela Guttmann
Barcelona CF: Ramallets; Foncho e Gracia; Vergés, Gensana e Garay; Kubala, Kocsis, Evaristo, Suarez e Czibor. Treinador: Orizaola
Golos: 0-1 Kocsis (20’), 1-1 Águas (30’), 2-1 Vergés (pb, 32’), 3-1 Coluna (55’), Czibor (75’).

Faz hoje 45 anos que o Sport Lisboa e Benfica venceu a sua primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus e assim se tornou um dos primeiros clubes a inscrever o seu nome entre os grandes clubes mundiais. É com o jogo final desta brilhante campanha europeia que início a rúbrica do 1001Desportos sobre jogos históricos.

O Barcelona CF apresentava-se na final como claro favorito depois de ter eliminado a grande equipa do Real Madrid CF, que tinha vencido as 5 edições anteriores da Taça, numa eliminatória muito polémica, o Barcelona CF tinha vencido também as duas edições já realizadas da Taça das Cidades com Feira. A equipa espanhola contava com um ataque dos mais fortes da história do futebol, contando com os geniais húngaros Kubala, Kocsis e Czibor, o brasileiro Evaristo e o espanhol Luiz Suarez. Do lado do SL Benfica a peça mais importante era o seu carismático treinador, o húngaro Bela Guttmann, ele estruturou uma equipa muito organizada em que o colectivo é que vencia os jogos, incutiu uma mentalidade vencedora nos jogadores que fez com que jogassem com muita “garra” e nunca desistissem do jogo, na história do futebol europeu (UEFA) ainda não se tinha visto uma equipa onde o treinador fosse tão importante para a equipa e talvez só voltasse a acontecer de forma tão explícita cerca de 60 anos depois. Cabia ao SL Benfica tentar contrariar o favoritismo do adversário que representava o domínio do futebol espanhol de clubes na Europa, o Barcelona CF sentia que a vitória já era sua depois de ter eliminado o poderosíssimo Real Madrid CF e até ofereceu ao SL Benfica, antes do jogo, uma Taça que seviria de prémio de consolação para a equipa portuguesa.


O jogo começou com ambas as equipas a tentarem sair para o ataque ainda que de forma algo atabalhoada, mas aos 3 minutos o ataque do Barcelona CF conduziu uma boa jogada que foi parar à esquerda do seu ataque onde Czibor efectuou um cruzamento para o centro da área onde depois de um corte de Germano um dos seus avançados efectuou um pontapé de bicicleta salvo por Mário João sobre a linha de golo. Seguiu-se um período de equilíbrio onde as equipas mostravam mais vontade que qualidade para chegar ao golo e as ocasiões de golo naturalmente não surgiam apesar do esforço de ambas as equipas, apenas se registaram sem perigo remates de Suarez e Coluna. Até que a cerca dos 10 minutos de jogo aconteceu algo que lançou o pânico entre as hostes portuguesas, após um choque de cabeças Coluna (o organizador do jogo do SL Benfica) fica estendido inanimado no chão tendo que sair do terreno de jogo ajudado pela equipa médica e Cávem, como na altura não haviam substituições o SL Benfica ficou a jogar com 10 contra o poderosíssimo Barcelona CF. O próximo lance de perigo surgiu num remate frontal de fora da área por Evaristo. Três minutos após ter saído Coluna regressa ao jogo. Após um período algo adormecido de jogo volta a acontecer perigo junto de uma das balizas com Kubala a desmarcar Kocsis para esta rematar à figura de Costa Pereira, o SL Benfica responde com um lance de perigo dentro da área adversária mas que termina sem um remate à baliza, seguindo-se pouco tempo depois novo lance de perigo por parte da equipa portuguesa com um cruzamento de Coluna na direita para a cabeça de Águas que à entrada da área rodeado por dois adversários cabeceia acabando a jogada nas mãos de Ramallets, foi um período de curto domínio benfiquista. A isto seguiu-se a melhor jogada do encontro até aí com a bola a passar por vários jogadores na direita do ataque do Barcelona CF e culminou com o cruzamento de Suarez para o golo de cabeça de Kocsis depois da bola ter sobrevoado a defesa benfiquista. O SL Benfica respondeu com um cruzamento perigosíssimo de Cávem para a área onde Águas não conseguiu desferir o cabeceamento. Após uma fase mexida de bola cá bola lá o Barcelona CF tem mais uma jogada de grande perigo onde as triangulações do seu ataque levam a um remate de Evaristo para uma grande defesa de Costa Pereira, o SL Benfica passou por momentos de algum sufoco junto da sua área após este lance. Quando se libertou da pressão do Barcelona CF, que procurava o segundo golo, lançou um contra-ataque com Coluna a desmarcar pela esquerda Cávem que remata à saída de Ramallets a bola ainda não se dirigia para a baliza até que surgiu Águas oportunista a empurrar a bola para o golo, o SL Benfica tinha conseguido surpreender o Barcelona CF e a equipa animada continuou a atacar, até que surgiu certamente um dos golos mais estranhos das finais europeias depois de um cruzamento central de Neto para a área do Barcelona CF Vergés corta de cabeça a bola descreve um arco acentuado para a sua baliza onde Ramallets vai tocar a bola contra o poste esta entra na baliza e sai imediatamente deslizando sobre a linha de golo, Santana ainda vai perseguir a bola para tentar marcar golo mas o árbitro já tinha assinalado golo do SL Benfica face aos protestos dos barcelonistas que inconformados alegavam erradamente que a bola não tinha entrado, em 2 minutos o SL Benfica tinha virado o jogo a seu favor . A partir daí o SL Benfica continuou a ser a melhor equipa em campo e conseguia manter quase exclusivamente o jogo no meio-campo adversário e todas as tentativas do Barcelona CF caíam aos pés de Germano ou na falta de eficácia dos seus jogadores, até que já perto do intervalo a equipa espanhola consegue entrar na área benfiquista e Suarez cruza para o mergulho de cabeça de Kocsis e com Costa Pereira já batido é novamente Mário João que salva o golo, desta feita com a coxa. A resposta surgiu pouco depois por José Augusto, naquele que foi o único esforço em que mostra a sua classe, ilude o seu adversário com uma finta e consegue penetrar na área rematando já apertado para a defesa de Ramallets. O intervalo chegou com o SL Benfica em vantagem no marcador num jogo equilibrado e que apesar de nem sempre bem jogado estava movimentado e emocionante, o resultado beneficiava a equipa que tinha sido bafejada com um pouquinho mais de sorte, castigando a equipa que jogou com mais rispidez.

O SL Benfica inicia a segunda parte ao ataque e depois de um cruzamento longo para a área Águas ganha uma bola de cabeça aos defesas e guarda-redes do Barcelona CF deixando à disposição do pé esquerdo de Santana mas o remate saiu desajeitado ao lado. No seguimento o Barcelona CF obrigou o SL Benfica a defender com toda a equipa no seu meio-campo, algo que soube fazer bem. Contudo o SL Benfica não se manteve uma equipa defensiva e continuava a tentar criar as suas ocasiões de golo. Num outro lance de ataque da equipa espanhola Mário João volta a cortar um lance em que a bola se dirigia para a baliza e na recarga a bola cai nas mãos de Costa Pereira. A pressão sobre o SL Benfica continuava sem que os jogadores portugueses perdessem a orientação e pouco tempo depois Santana desmarca José Augusto para um remate forte mas muito por cima. Coluna iniciou poderosíssimo uma jogada de ataque passa para o cruzamento de Cávem, a bola é cabeceada por um defesa do Barcelona CF para fora da área onde Coluna sem deixar a bola cair no chão remata potentíssimo para o canto inferior direito da baliza de Ramallets, ele que já nesta parte tinha ameaçado com um disparo para fora fez um golo muito belo. Notava-se na alegria dos jogadores benfiquistas e na festa que os portugueses faziam no estádio e em todo o Império que a vitória já se sentia nos seus corações, depois de tudo o que se timha passado até então com o SL Benfica a conseguir realizar um grande jogo e quase a conseguir neutralizar o adversário o impensável no início da época já era visto como uma realidade, no entanto muito estava ainda para acontecer e os rasgos de brilhantismo da equipa espanhola poderiam surgir a qualquer momento, esses corações iriam sentir ainda muitos apertos. E isso provou-se na jogada imediata ao golo com Kubala a aparecer livre de marcação na direita do seu ataque e a desferir um grande remate para grande defesa de Costa Pereira. Mas por momentos ainda continuou a ser o SL Benfica a dominar o jogo e depois de mais uma boa jogada de ataque Santana rematou de fora da área em arco por cima da baliza, passado pouco tempo novo remate do mesmo jogador desta feita numa recarga dentro da área mas fraco à figura do guarda-redes. Depois de o SL Benfica não ter conseguido arrumar definitivamente a questão foi a vez do Barcelona CF ter o domínio do jogo sem contudo materializar em ocasiões de golo, o SL Benfica continuava a defender muito bem. Até que a cerca de 20 minutos do final uma bola é bombardeada para a área do SL Benfica e o cabeceamento de Germano é efectuado em chapéu para trás sobre o seu guarda-redes parando na cabeça de Kocsis que atira ao poste, Ângelo é que acaba o sufoco cedendo canto. Passado poucos minutos Kubala remata forte de fora da área com a bola a ir embater nos dois postes e a ir parar nas mãos de Costa Pereira, quando os da Cidade Condal já festejavam golo. O SL Benfica tentava sacudir a pressão essencialmente através das investidas de Coluna que se mantinha incansável e continuava a carregar a equipa para a frente. Contudo o domínio dos de Barcelona acentuava-se procurando desesperadamente o golo que acabou por surgir num lance genial de Czibor a rematar de fora da área ao ângulo superior direito da baliza benfiquista sem que Costa Pereira tivesse qualquer hipótese, que ainda se atirou muito bem à bola, se este golo premiava as tentativas dos barcelonistas em chegar ao golo castigava mais injustamente o esforço defensivo dos benfiquistas. Este golo é certamente um dos mais belos marcados em finais europeias. O jogo continuou bom com ambas as equipas a criar perigo ao adversário, notava-se muito esforço por parte dos atacantes do SL Benfica para continuar a atacar a baliza contrária. Mas numa jogada de muita envolvência dos atacantes do Barcelona CF dentro da área do SL Benfica Kubala volta a rematar ao poste, apesar de continuar a jogar bem já se temia o pior entre os benfiquistas. As peças fundamentais do futebol benfiquista conseguiram manter-se tranquilas e iam queimando tempo com a bola nos pés dificultando a missão dos barcelonistas, estes quando tinham a bola nos pés eram rapidíssimos e tentavam a todo o custo criar ocasiões de golo, mas nas poucas vezes que o conseguiam deparavam-se com um Costa Pereira em grande forma ou um dos seus defesas a compensar o seu guarda-redes. O SL Benfica ainda dispôs de uma grande ocasião de golo com Santana a correr todo o meio-campo adversário isolado mas a faltarem-lhe as forças na altura do remate. Após esse lance o jogo caminhou para o seu final sem que o Barcelona CF conseguisse voltar a ameaçar a baliza benfiquista. Quando o árbitro suíço apitou para o final do jogo foi a loucura entre os portugueses, deu-se a pacífica invasão de campo e os jogadores fotram levados em ombros pelos adeptos. Tinha ganho a equipa que mais mereceu levar o troféu para casa.



A Águia voou alto na Europa!


O Mundo acabara de conhecer o poder futebolístico do SL Benfica, que tinha ganho com muito esforço e qualidade futebolística. O clube português trouxe as duas Taças para casa e tornou-se o primeiro clube a ser campeão europeu apenas com jogadores nacionais e o único até à vitória do FC Steaua Bucuresti em 1985/86, também contra o FC Barcelona. Quem não tinha ficado ainda convencido com a vitória benfiquista era o Barcelona CF, que alegava azar para ter sido derrotado e que tinha melhor equipa que o SL Benfica, para tirar dúvidas o SL Benfica aceitou disputar um jogo particular em casa do adversário, esse jogo terminou empatado 1-1 e foi o reconhecimento internacional do SL Benfica como melhor equipa da Europa na época 1960/61, a Taça que o SL Benfica tinha recebido do Barcelona CF antes do jogo de Berna ficou como símbolo desse reconhecimento, inclusive por parte do Barcelona CF.

A equipa do SL Benfica era constituída por duas partes: a parte da defesa e do meio-campo, composta por trabalhadores e a do ataque composta por artistas. Mário Coluna fazia a transição entre os trabalhadores e os artistas, pois pertencia a ambos sendo provavelmente o melhor nas duas funções. Os primeiros tinham como missão o jogo da equipa adversária e entregar aos restantes que tentariam então criar jogo para marcar golos. O grande destaque, peça fundamental e talvez mais importante da vitória do SL Benfica foi Mário João, este jogador foi um trabalhador incansável, nunca deu tréguas aos adversário, correu o jogo todo atirando-se a todos os lances com emoção, muitos foram os carrinhos, os cortes de cabeça deste baixo jogador e ainda salvou dois golos em cima da linha, ele que até este encontro tinha jogado apenas 5 vezes. Era admirável a sua determinação e entrega ao jogo, ao vê-lo jogar não seria de estranhar que os seus companheiros de equipa pensassem em ganhar o jogo para lhe dedicar a vitória. Para mim jogar à Benfica é jogar à Mário João. Outra peça fundamental na vitória do SL Benfica e sem a qual esta ainda mais dificilmente aconteceria foi Mário Coluna que conduziu muito bem o jogo do SL Benfica, marcou um golo fantástico e soube controlar o jogo quando foi necessário. Destaque ainda para Germano, na defesa onde era um dos melhores jogadores mundiais, e no ataque para Santana um jogador muito tecnicista. De referir ainda, por outro lado, que José Augusto não se encontrou nos seus melhores dias e ficou aquém das expectativas, raramente conseguindo superiorizar-se aos defesas do Barcelona CF. Sobretudo o que fez o SL Benfica ganhar o jogo foi o espírito de equipa. Foi uma vitória de uma equipa bem organizada e com espírito de sacríficio. O adversário também valorizou muito a vitória benfiquista, com a excelente equipa que tinha o Barcelona CF fez um grande jogo criando um rol imenso de oportunidades de golo.

A questão a colocar no final do jogo era se teria sido uma vitória casual e esporádica de uma equipa combativa com muita qualidade no ataque mas com apenas um grande desequilibrador (Mário Coluna), mas no ano seguinte dois jovens jogadores (Simões e Eusébio), especialmente aquele ainda hoje considerado dos melhores futebolistas de sempre, vieram mostrar que este clube marcaria uma época no futebol europeu.

A primeira vez que vi o jogo não lhe dei o devido valor e apesar do seu significado vi-o como um jogo com falta de algumas qualidades, mas ao revê-lo vi para além dos passes falhados, de algumas jogadas inconsequentes e observei um jogo com muitos momentos bons e com jogadores que tinham verdadeiro espírito desportivo, davam o seu melhor em campo. Esta equipa com o seu esforço e dedicação conquistou mutitos admiradores pelo mundo, alargou a grandeza e glória do seu clube, ainda hoje ajuda a conquistar adeptos... como eu que sou um grande admirador da equipa de Futebol do SL Benfica 1960/61.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Jogos Históricos: Arsenal 1-3 Benfica (06-11-1991)


Inicio, aqui e agora, uma nova rubrica no Farmácia Franco, ou pelo menos reformulada, a rubrica dos Jogos Históricos.
Pretendo, com isto, pesquisar e “colecionar” vídeos com resumos de alguns jogos que marcam o imaginário de muitos benfiquistas. Vou tentar reunir o máximo de informação possível sabendo, à partida, que muitos destes jogos estão ainda na memória de todos e que o que quer que seja dito será apenas uma repetição do que já é sobejamente sabido.

Não poderia deixar de começar com um dos jogos que mais me marcou na juventude. Tinha eu acabado de fazer 12 anos quando o Benfica se sagrou campeão nacional pela 29ª vez. A vitória nesse campeonato abriu uma possibilidade de acesso à primeira edição da Liga dos Campeões da UEFA mas, para lá chegar, o Benfica teria que ultrapassar duas eliminatórias e foi, precisamente, na segunda que se fez história, ainda hoje recordada por muitos de nós.
Na primeira eliminatória calhou-nos em sorte o modesto Spartans, de Malta, que foi "despachado" com uns expressivos 10-0 no agregado das duas mãos. De seguida, na segunda eliminatória, era o campeão inglês que representava a última barreira antes do acesso à tão esperada Liga dos Campeões. Na Luz, o Benfica marcou cedo, por Isaías (15 min), mas deixou-se empatar logo de seguida (17 min), por Kevin Campbell. O resultado final acabaria por não sofrer alterações.

Benfica 1 - 1 (23-10-1991) - Estádio da Luz (Lisboa)


Para Londres, o Benfica viajava com a desvantagem de ter sofrido um golo caseiro e não ter conseguido vencer. Os especialistas davam o Arsenal como favorito no acesso à Liga dos Campeões mas Eriksson e os seus pupilos tinham ideias diferentes para essa noite de 6 de Novembro do mesmo ano de 1991, nomeadamente, Isaías que não se ficaria pelo golo marcado na primeira mão. O resto é história!

Alinhamento do Benfica: GR - Neno; D - António Veloso (c), Rui Bento, Paulo Madeira e Stefan Schwarz; M - Vasily Kulkov, Jonas Thern, Rui Costa (César Brito, 80 min), Vitor Paneira e Isaías (José Carlos, 118 min); A - Sergei Yuran.
Marcha do marcador: Colin Pates (20 min), Isaías (36 min), Vasily Kulkov (100 min) e Isaías (107 min).

Arsenal 1 - 3 Benfica (06-11-1991) - Highbury Park (Londres)

O Benfica acabaria por jogar a primeira Liga dos Campeões com o Barcelona, Sparta de Praga e Dínamo de Kiev. O formato compreendia dois grupos donde apenas sairia o vencedor de cada um para jogar a final. O Benfica começou com uma derrota em Kiev (1-0) num jogo marcado por uma lesão gravíssima de Rui Águas (parece que ainda estou a vê-lo a sair de maca com o polegar no alto como que a dizer "Não se preocupem, tou fixe"). Depois seguiram-se três empates, com o Barça em casa (0-0) e nos dois jogos com o Sparta (1-1 e 1-1). Na Luz, com o Dínamo, os imponentes 5-0 deixavam uma réstia de esperança de qualificação para a final mas para isso teríamos que ganhar em Barcelona. O que aconteceu foi o oposto, perdemos 2-1. O Barcelona seguiria para Wembley onde conquistaria a sua primeira Taça dos Campeões Europeus / Liga dos Campeões, contra a Sampdória com um golo de Ronald Koeman, no prolongamento.