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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Entrevista a: Marta Vieira - campeã europeia de hóquei em patins

Ainda antes de saber que a Marta Vieira, uma das jogadoras mais tecnicistas do hóquei em patins português, ia deixar a equipa do SL Benfica, fui fazer-lhe uma entrevista para este espaço dedicado ao SL Benfica. Apesar de me anunciar que ia deixar o clube, gentilmente acedeu ao meu pedido, por tal e por tudo o que fez enquanto desportista do SL Benfica lhe agradeço.

Farmácia Franco: Como chegaste ao hóquei em patins? O que te fez apaixonar por este desporto?

Marta Vieira: Cheguei ao hóquei em patins quase por acaso, a minha mãe trabalhava no pavilhão e eu de ver, acabei a experimentar e ficou. Mas puxando a cassete atrás a onde, eu ainda nem tinha nascido, um irmão da minha avó que morreu muito jovem foi guarda-redes de hóquei e os meus pais, foram apresentados por uma internacional portuguesa que jogava hóquei, Susana Montenegro, são coincidências engraçadas, gosto de contar, parece que mesmo antes de nascer, eu já estava destinada a adorar este desporto.

Abdicas de muito na tua vida pelo hóquei?

Bem sempre abdiquei, desde pequena, de festas de anos, de saídas com amigos, de uma outra coisa mas nada que se compare aos últimos três anos, abdiquei da minha família mais chegada, com quem cresci e acho que em parte foi isso que dificultou tudo, ainda não estava, nem sei se já estarei pronta para deixar de ser “pequenina”, às vezes gostava de ser o Peter Pan e assim a carreira no hóquei até durava mais, era bom.

Foram esses factores que te fizeram sair do SL Benfica?

Pronto está visto que a pergunta anterior já previa de certa forma a minha resposta, fico “feliz” por me ter feito entender junto daqueles que nos seguiam.

Tens expectativa de voltar a jogar pelo SL Benfica? A porta ficou aberta?

Se a porta ficou aberta ou não, é algo que não depende de mim mas no que depende posso dizer que acho que a máxima do nunca digas nunca é importante de se carregar na vida e eu de certa forma apenas precisava de mais duas coisas lá (Lisboa) e acho que se continuasse em forma, acabaria a carreira no glorioso. Portanto um dia até que se pode proporcionar.

O SL Benfica é provavelmente o clube do mundo onde uma jogadora de hóquei tem mais visibilidade, até porque transmite através da BTV para todo o mundo, sentem maior responsabilidade/pressão a jogar no SL Benfica que em outras equipas onde jogaram?

Eu admito que sou fã dessa visibilidade, porque isso lá está tem a ver com o a vontade de cada um, com a personalidade, logo eu sempre achei piada, nunca tive a noção de quantas pessoas me estariam a ver mas sempre quis que fossem quantas fossem, gostassem de mim, tanto dentro como fora de campo, pois cheguei a fazer alguns programas e o certo é que acabei a fazer algumas amizades, logo para mim não havia pressão, quando o jogo passava na BTV ou ia a BTV, era o momento alto da minha semana, adorava, até porque era mais uma oportunidade que via para orgulhar os tais elementos que me faziam falta ai na grande cidade.

Existindo esse canal de tv, qual a tua opinião sobre não transmitir todos os jogos pelo menos do Campeonato Nacional, mesmo que em diferido?

Claro que não sou de acordo, sobretudo porque se repetem imensos programas, nessas horas em que repetem podia sim dar em diferido, não só os nossos como de outras modalidades, porque para um adepto do SLB que interesse tem ver mais que uma vez um jogo da premier league?

Apesar do SL Benfica ser dos clubes do mundo com mais sócios e ter milhões de adeptos, as assistências em casa não estão de acordo com esta realidade, sentes mais a grandeza do SL Benfica nos jogos fora e nas condições de trabalho? 

Há todo um leque de fatores que justificam essa falta de assistências, como o fato de sermos raparigas, como o fato de puderem ver o jogo pela BTV na comodidade de casa, sem terem que apanhar frio, gastar dinheiro, tempo ou gasolina mas pronto, em relação a condições e em certas horas cruciais conseguimos sem dúvida sentir a grandiosidade do Benfica, embora acredito que se fossemos rapazes tinha sido bem melhor, eramos profissionais em vez de amadoras, nos jogos importantes tínhamos aquele pavilhão gigante e lindo cheio mas pronto, é o que é, quem gostava mesmo de nós, acabou sempre por aparecer e agradeço isso, mesmo que tenha sido só uma vez.

Muitas vezes os vossos jogos eram à mesma hora que os de outras modalidades (masculinas) do SL Benfica, achas que isso prejudicou as assistências dos vossos jogos? Não achas que devia haver uma coordenação para que os vossos jogos fossem antes ou depois dos de outras equipas mais acompanhadas do clube? 

Sem dúvida que prejudica e haver coordenação nisso, seria fantástico e creio que não prejudicaria ninguém mas talvez não seja possível, não estou por dentro desse tipo de assuntos, apenas se fosse eu a mandar, claro que tentaria fazer diferente mas eu sou suspeita para falar.

Assisti a um jogo da fase Sul do Campeonato Nacional em que após o fim do jogo oficial, sem tempo de descanso, a equipa do SL Benfica se dividiu em duas que efectuaram um pequeno jogo treino mais intenso que o jogo oficial, a principal intenção deste treino era a preparação para a Taça Europeia? A baixa competitividade da maioria dos jogos nacionais é uma desvantagem que vos faz ter que trabalhar mais nos treinos para poder competir na Europa?

O Benfica é grande e fez o que qualquer clube com as suas condições faria, juntou um grupo de atletas muito fortes, o que faz toda a diferença, o trabalho surge naturalmente num meio como este, pois não há lugares garantidos, não tinha que ver nem com o campeonato, nem com a Europa a meu ver, era apenas trabalhar para ter lugar.

Surpreendeu-te a recepção no aeroporto depois da vossa brilhante vitória na Taça Europeia?

Esse dia esteja onde eu onde estiver estará comigo, fará sempre as lágrimas correrem-me pela cara, até porque mais uma vez duma forma curiosa, quando era pequena dizia a minha mãe que aquilo ia acontecer, ela até escreveu sobre isso no Facebook, só que infelizmente mais uma vez não tive lá toda a gente que gostava de ter num momento daqueles mas tive os meus pais, irmã e dois amigos que vieram do Norte de propósito só mesmo para me abraçar, caras conhecidas e desconhecidas que celebraram com muito carinho aquele nosso feito único, é difícil esconder a tristeza que deixa não se puder repetir isso, vezes e vezes sem conta mas tenho orgulho de puder dizer que o vivi, o que já é ótimo.

Marcaste, contra o HC Mealhada, um bonito golo que foi mostrado até em sites espanhóis, foste estrela pelo mundo fora, como te sentes em relação a isso?

Eu marquei esse golo e nessa noite fui de fim-de-semana para a margem sul e desliguei-me um pouco do mundo mas às tantas liguei o Facebook e recebi mensagens a falar do golo e do vídeo, fiquei muito surpresa por o terem partilhado, ainda hoje não sei quem gere aquela página mas devo-lhe um agradecimento pois durante imenso tempo vi as visualizações aumentarem e fiquei incrédula, mais de 20 mil visualizações é muito, algo que também sonhava mas que não sabia que ia conseguir, trabalhava aquilo nos treinos e no momento achei que era oportuno fazê-lo e só quero dizer que não é de todo desmérito da guarda-redes, acho que foi um lance surpresa só eu sabia o que ia sair dele, era quase impossível ela adivinhar o lance e se o tivesse feito a estrela era ela, não eu, portanto correu tudo bem.


Vocês ganharam tudo em Portugal, com apenas 2 empates e nenhuma derrota, ganharam a Taça Europeia (foram a única equipa portuguesa campeã europeia este ano), no entanto o prémio CNID para melhor equipa do ano foi para uma equipa que ficou em 5º lugar no seu campeonato nacional, não ganhou nada em Portugal e venceu uma taça secundária na Europa; achas que foram discriminadas por serem uma equipa feminina? Ou as equipas do SL Benfica este ano ganharam tanto que quiseram premiar um clube a precisar de vitórias (mesmo que simbólicas)?

Sinceramente eu não sei quem ganhou mas fico muito desiludida e até gostava de saber quais foram os critérios para não termos sido nós, só que o que lá vai, lá vai, agora é tarde e fica esse dissabor de não ter ganho um prémio desses, que me parece mais do que um reconhecimento merecido.

Este ano jogou-se o Campeonato da Europa de selecções, tinhas expectativa em fazer parte da equipa?

Não, não tinha.

Passa-te pela cabeça uma experiência no estrangeiro ou isso não é fácil como jogadora de hóquei?

Bem surgiu um convite este ano só que eu já tinha a minha decisão tomada, assinatura feita, portanto não fui e agarrada aos meus como sou, não sei é se aguento mas é algo que é muito ambicionado por jogadoras portuguesas, por mim inclusive, pode ser que sim, a ver vamos.

O jogo feminino é diferente do masculino, especialmente em termos de contacto físico e espaços; costumam assistir frequentemente a jogos masculinos? Tentam aprender com eles e transpor isso para a vossa forma de jogar?

Eles são mais rápidos, mais fortes, … É algo fisionómico logo por muito que tentemos o nosso hóquei vai ser sempre diferente mas acho que em termos táticos e técnicos já nos conseguimos igualar, logo ver jogos deles é claro uma forma de aprender mas acho que até se assiste mais por paixão, por gosto a modalidade.

Quantas vezes por semana treinam? Achas que as condições de treino são as ideais para a equipa?

No Benfica eram três vezes por semana por norma e quanto as condições de treino em si, eram as ideias, o problema é mesmo existir uma vida para além do hóquei, às vezes como amadoras, não é fácil gerir tudo.

Uma vez que no desporto feminino, em Portugal, há tendência para as desportistas terminarem a carreira relativamente cedo, pensas jogar até que altura da tua vida?

Ora aqui está uma pergunta a qual não tenho resposta, porque a minha vida ainda não tem um caminho trilhado nem é possível de prever, acho que me fico por um vou andando e vou vendo.

Se pudesses mudar alguma coisa no hóquei feminino em Portugal, o que seria?

Vou ser muito “gananciosa” se calhar, mas era bom receber nem que fosse ¼ do que alguns atletas masculinos recebem, quem me dera puder viver como eles vivem do hóquei, há melhor do que se fazer o que se gosta e tem jeito como profissão ou pelo menos um extra.

Notei no final de alguns jogos que há um bom espírito de camaradagem entre as jogadoras das diversas equipas, isso é transversal a todo o hóquei feminino ou deve-se ao facto do SL Benfica ter jogadoras provenientes de algumas dessas equipas?

Não é algo de 100% mas quase, é um meio pequeno, temos uma coisa pelo menos em comum (o hóquei) é normal que exista essa tal camaradagem, se bem que o facto de termos vindo de outros clubes ainda faz com que existam mais relações.

Que mensagem gostavas de deixar aos benfiquistas?

Partilho a mensagem com que me despedi no meu Facebook e muito obrigado a ti por esta oportunidade.


“Para alguns já não é novidade, para alguns será mas o certo é que o coração tem razões que a própria razão desconhece! Logo aqui fica a minha "despedida" que será muito curta para tanto que tenho e há por dizer pois não foram dois dias, foram três anos! Mas pronto no dia 14 de Junho encerrei um ciclo, não oficialmente mas encerrei, nesse dia fiz o meu último jogo com o manto sagrado vestido, porque por vezes ganhar não é tudo e valores bem mais altos se elevam, nunca mas nunca me habituei a ausência dos meus, que me acompanharam ao máximo claro mas não tanto como eu precisava, como eu queria, portanto na impossibilidade de eles me acompanharem, regresso eu, regresso eu com muitos sonhos guardados a mesma na mala mas com muitos sonhos também já realizados, sonhos esses que realizei neste clube que é realmente GIGANTE, portanto o meu obrigado a cada uma das pessoas que trabalhou comigo estes três anos (jogadoras, equipa técnica, btv, fisioterapeutas, etc) e a todos os que me apoiaram, família, amigos, adeptos, alguns que agora até trago como grandes amigos, logo a esses e não só digo, não se preocupem, nem façam aquele típico comentário "estás a ser muito burra" porque eu sempre ouvi dizer "Quem está mal que se mude" e eu não estava propriamente mal, estava era triste, não estava realizada e isso, em coisas que realmente importam e por vezes no meu próprio hóquei fazia toda a diferença, os que me conhecem sabem disso. Ainda assim espero ter deixado a minha marca, espero que se recordem de mim com carinho, assim como eu vou recordar tudo, desde o primeiro ao ultimo segundo, porque não foi perfeito mas foi inesquecível e agora vou é continuar a aproveitar bem a vida, que ela é demasiado curta para ser desperdiçada, façam o favor de serem felizes!

Porque a única coisa insubstituível nos clubes são os adeptos, continuarei sempre parte do Benfica”

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Vanessa Fernandes no ITU Hall of Fame


Em 2014 a ITU (federação internacional de triatlo) criou o seu Hall of Fame, introduzindo 3 atletas masculinos, 3 atletas femininas e um lifetime achiever. Na lista de 2015 a mesma sequência foi repetida e dela faz parte uma atleta do SL Benfica: a Vanessa Fernandes [ligação].

Vencedora de:
- Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos em 2008;
- Ouro no Campeonato do Mundo em 2007;
- Prata no Campeonato do Mundo em 2006;
- 5 vezes medalha de Ouro no Campeonato da Europa;
- 2 vezes medalha de Ouro no Campeonato do Mundo de Duatlo;
- 4 vezes medalha de Ouro no Campeonato da Europa em sub-23;
- 1 vez medalha de Ouro no Campeonato da Europa em juniores, mais uma medalha de bronze;
- 1 vez medalha de Bronze no Campeonato do Mundo em juniores;
- 1 vez medalha de Ouro no Campeonato da Europa de Duatlo;
- 1 vez medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Duatlo em juniores;
- 2 vezes campeã da Taça do Mundo;
- 20 vitórias em etapas da Taça do Mundo.

Foram estes resultados que levaram a Vanessa a tornar-se uma das 6 mulheres que integram este Hall of Fame. As suas 20 vitórias em etapas da Taça do Mundo são ainda recorde de ambos os géneros.

Desde cedo com uma carreira muito promissora, chegou ao SL Benfica em 2005, ainda hoje compete pelo clube mas apenas no atletismo, deixou o triatlo em 2011 (quando ainda tinha 26 anos). Apesar de uma carreira brilhante, ficou no ar a ideia que poderia ter conseguido mais.

Depois do Eusébio no Golden Foot e do Jean-Jacques no FIBA Hall of Fame, há mais uma relevante desportista do SL Benfica representada entre os melhores de sempre nas suas modalidades.

Parabéns Vanessa!

sábado, 11 de janeiro de 2014

Panteão da Glória


Parecia-me certo quando o Eusébio foi sepultado no cemitério do Lumiar que aquele não seria o local permanente para a sua sepultura, teria que ir para um local com mais visibilidade. Os líderes dos grupos parlamentares, já aprovaram a transladação para o Panteão Nacional. Não é o local onde o quero, é um lugar exclusivo, onde vai quem paga para entrar ou quem espera pelo domingo de manhã para não pagar; não é um local próximo do povo. Preferia vê-lo sepultado no Estádio da Luz, mas reconheço que o Panteão Nacional é o local onde merece estar. 

A sua ida para o Panteão não será consensual, até há quem diga que a sua vida não se enquadra no espírito para o qual foi criada esta homenagem póstuma. 

Vejamos o que diz a lei: 

Lei n.º 28/2000 de 29 de Novembro 
Define e regula as honras do Panteão Nacional 

Artigo 2.º 
1 - As honras do Panteão destinam-se a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao País, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade. 
2 - As honras do Panteão podem consistir: 
a) Na deposição no Panteão Nacional dos restos mortais dos cidadãos distinguidos; 
b) Na afixação no Panteão Nacional da lápide alusiva à sua vida e à sua obra. 

Artigo 4.º 
As honras do Panteão não poderão ser concedidas antes do decurso do prazo de um ano sobre a morte dos cidadãos distinguidos. 

Nos últimos tempos ouvi dizer que o futebol não se enquadra no contexto da cultura portuguesa. Creio que quem o diz não tem estado muito ao tempo ao que se passa em Portugal e no Mundo desde o início do século XX. O futebol faz parte da cultura do povo, mais que qualquer outra forma de cultura. A meu ver Eusébio é elegível para o Panteão Nacional também como artista. 

Até hoje tiveram honras de Panteão Nacional: 

Na Igreja de Santa Engrácia, com sepultura: 
1966 - Óscar Carmona, presidente da República (1869-1951) 
1966 - Sidónio Pais, presidente da República (1872-1918) 
1966 - Teófilo Braga, presidente da República (1843-1924) 
1966 - Guerra Junqueiro, escritor (1850-1923) 
1966 - João de Deus, escritor (1830-1896) 
1966 - Almeida Garrett, escritor (1799-1854) 
1990 - Humberto Delgado, opositor ao Estado Novo (1906-1965) 
2001 - Amália Rodrigues, fadista (1920-1999)
2004 - Manuel de Arriaga, presidente da República (1840-1917) 
2007 - Aquilino Ribeiro, escritor (1885-1963) 

Na Igreja de Santa Engrácia, com cenotáfios: 
Luís de Camões 
Pedro Álvares Cabral 
Afonso de Albuquerque 
Nuno Álvares Pereira 
Vasco da Gama 
Infante Dom Henrique 

No Mosteiro de Santa Cruz (em Coimbra): 
Dom Afonso I 
Dom Sancho I 

Parece que os líderes parlamentares também aprovaram a transladação de Sophia de Mello Breyner para o Panteão Nacional. 

É fácil notar a ausência de algumas grandes figuras da nossa história, creio que cada um terá as suas preferidas, aquelas a que dou mais relevância são o Aristides de Sousa Mendes, Fernando Pessoa (cenotáfio, está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, local de proeminência), Gil Vicente (cenotáfio, já que duvido que alguém saiba onde está enterrado ou até que haja uma sepultura) e Pedro Nunes (mesmo caso de Gil Vicente). Segundo sei, o Saramago não queria ir para o Panteão Nacional. As famílias das pessoas vítimas de lobotomia não concordariam com a ida de Egas Moniz. No entanto, a ausência de outros não deve ser a razão para a ausência de Eusébio do Panteão Nacional. 

No ano passado foi recusada a transladação de duas personalidades por razões financeiras, o político Passos Manuel e o compositor Marcos Portugal. Então se estes foram recusados, porque razão há-de Eusébio, ainda no mesmo período de crise económica ser transladado? A meu ver a questão ultrapassa os motivos financeiros. Do político poucos serão os portugueses que tenham conhecimento dele sem ser pelo nome do Colégio. Do compositor menos serão ainda os que ouviram falar dele, quanto mais ter conhecimento da sua obra, apesar de grande parte da sua obra ter sido efectuada no Brasil, não é um compositor reconhecido internacionalmente. Já ouvi música composta por ele e gostei, mas não é equiparável a Strauss, Tchaikovsky, Mozart ou Beethoven, era o melhor que tínhamos. É como nós termos o Marco Paulo e os outros (o mundo) o Tom Jones ou o Júlio Iglésias. O Eusébio todos os portugueses sabem quem é (e continuarão a saber enquanto houver futebol), grande parte do mundo sabe quem ele é. É equiparável aos melhores de sempre. 

A quantidade de homenagens, notícias e reportagens pelo mundo fora mostraram o respeito que havia por Eusébio, não foi só o futebol nacional que perdeu uma lenda, foi também o futebol mundial. Faleceu um jogador respeitado pelas qualidades futebolísticas, mas também pelo que representava e pelo desportivismo que demonstrou durante a sua carreira. 

Já ouvi questionar a ida de Amália para o Panteão Nacional para mostrar como ilegítima a ida de Eusébio. Quando esta foi transladada, essa decisão parecia - e bem - consensual, até porque não existem fãs de editoras como existem de clubes de futebol. O fado, hoje é património imaterial da humanidade, faz parte da cultura portuguesa, está associado a Portugal, faz todo o sentido que a sua maior representante e fenómeno de popularidade tão grande esteja nesse local de homenagem. O futebol é de todo o mundo, não faz parte apenas de uma cultura. A Amália e o Eusébio foram os maiores representantes da cultura portuguesa durante o século XX. 

No entanto, parece que essas pessoas não se incomodam que estejam lá o Aquilino Ribeiro, um dos responsáveis pelo regicídio de 1908, o Óscar Carmona, presidente durante a Ditadura Militar e durante o Estado Novo, ou até o Sidónio Pais, uma figura controversa no seu tempo que exerceu o poder de forma ditatorial. 

Até o disparate de que não nasceu em Portugal e não era português já ouvi como argumento de oposição à sua ida para o Panteão Nacional. Quando esse argumento xenófobo - e errado porque era português - é o melhor que se consegue arranjar, então é porque até na opinião dessas pessoas ele tem méritos suficientes para a sua elegibilidade. Os franceses, também correctamente, deram honras de Panteão a Marie Curie. Outros mostram-se desagradados com o que o Rei disse depois da sua carreira futebolística, muito por culpa de mau jornalismo, querendo acreditar piamente em citações falsas para denegrir o carácter do Rei. 

Mesmo que Eusébio não fosse transladado para o Panteão Nacional, não acredito que ficasse eternamente no cemitério do Lumiar, o SL Benfica teria a responsabilidade de lhe erigir um monumento fúnebre de acordo com a sua glória. 

PANTEÃO BENFIQUISTA 

Apesar de não me parecer possível devido aos custos e ao acordo entre familiares de algumas personalidades já desaparecidas há muito, seria interessante a existência de um Panteão do SL Benfica. 

Para começar, seleccionei 10 personalidades que homenagearia lá: 
Cosme Damião, Félix Bermudes, José Maria Nicolau, Guilherme Espirito Santo, Otto Glória, Béla Guttmann, José Águas, Borges Coutinho, António Livramento, Eusébio. 

Quem escolheriam vocês?

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Dia de Rei!

Imaginem que são uma criança de quatro anos e próximo do Natal vos dizem que o Pai Natal não existe, é assim que se devem sentir muitos benfiquistas. Alguns acreditam agora que o Eusébio não existe. O Eusébio sempre existiu no meu SL Benfica, quando nasci já ele fazia parte da lenda. Sempre esteve lá. A notícia da sua morte é um choque para os benfiquistas, mesmo não jogando ele era o Eusébio! O Nosso Eusébio!

Caros benfiquistas, o Eusébio ainda existe. Enquanto eu puder ver estas imagens, enquanto a história de que ele fez parte for lembrada, o Eusébio existe: 

Ontem não fui ao estádio. Fiquei em casa a ler, a ver vídeos, a ver documentários, a ver reportagens, a ver entrevistas... Acabei por sentir que devia ter ido ao estádio prestar-lhe homenagem. Hoje vesti-me de escuro com gravata vermelha - adereço que não costumo usar - como homenagem simples ao Rei. Não gosto destes cenários mas ainda consegui ir a tempo de ver a parte final do funeral. 

A chuva parecia querer limpar-me a cara para mostrar que sou demasiado pequeno para poder chorar pelo Rei, e é verdade, mas lutei contra a força da natureza. Quase que caí na ilusão quando vi aquele monte de lama por cima da sua urna - parece que morreu um homem comum mas é o Eusébio! -, o lugar dele não é ali. Por mim ficaria para sempre numa campa no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, ele é nosso! mas sei que não pode ser, ele não é só nosso, mais cedo ou mais tarde irá para o Panteão Nacional. 

Ele é o Eusébio. Quem é que vai fazer agora de Eusébio na Terra? Mais ninguém... Vivemos na época do Eusébio, contemos quem era o Eusébio, não deixemos que tenha sido uma despedida do mundo ao Eusébio, perpetuemos o Eusébio.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Viva o Rei!


Não o cheguei a ver jogar ao vivo, não o cheguei a conhecer, vi apenas alguns jogos dele e alguns resumos, mas fez-me feliz! Um clube não é só o presente e uma parte muito importante do futebol do SL Benfica e de Portugal tem o Eusébio como principal figura. Chegou ao SL Benfica depois do momento mais bonito da sua história mas ajudou a que esse momento continuasse. OBRIGADO EUSÉBIO!

   

É certo que isto um dia teria que acontecer e hoje é dia de Eusébio ser glorificado. Apesar disso, há também muitos discursos ressabiados que pareciam até já preparados para esta ocasião, no entanto, convém não esquecer que Eusébio não foi só SL Benfica!



 Já li hoje que ele não era o melhor, como se fosse isso que interessasse neste momento... Mas o certo é que é aclamado com muito respeito pelo mundo do futebol (mais que por cá), não é por acaso e pode servir de calculador de importância
 http://www.bbc.com/sport/0/football/25612337

http://www.theguardian.com/football/2014/jan/05/eusebio

Não é só nas grandes vitórias que se vê um grande desportista:
   
Disto disse Alex Stepney (o guarda-redes, o jogo era a final da Taça dos Campeões, o lance quase no fim do jogo, se fosse golo quase certamente daria a vitória ao SL Benfica): "The fact he was standing there clapping before running away is a mark of the man"

 Morreu Eusébio, viva Eusébio!

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Quem ganharia este jogo?





PS1. Não considerei jogadores ainda no ativo para não ferir a susceptibilidade de algumas virgens facilmente ofensáveis!

PS2. Apesar de saber que temos na nossa história jogadores, em qualidade e quantidade, suficientes para fazer mais duas equipas de nível idêntico a estas, não deixa de me irritar não ter conseguido encaixar alguns dos meus ídolos como Espírito Santo, Santana, Cavém, Toni ou Shéu e treinadores como Cosme Damião e Otto Glória.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

No topo da memória: Jean-Jacques

Jean-Jacques Nzadi da Conceição, foi certamente o melhor power forward que passou pelo basquetebol português, como já estava anunciado há algum tempo, foi introduzido nesta quarta-feira no FIBA Hall of Fame. É o primeiro jogador africano a receber esta honra. O primeiro jogador do SL Benfica! O primeiro que passou pelo basquetebol português. Depois de em 2011 ter sido considerado, no cinquentenário da FIBA Africa, como o melhor jogador africano de sempre.

Que privilégio vê-lo jogar! Que privilégio tê-lo visto no SL Benfica! É daqueles jogadores que podemos dizer: é nosso! Tem a sua carreira muito ligada ao SL Benfica, é com a nossa camisola que é mais recordado.

Chegou em 1988, vindo do CD Primeiro de Agosto, para jogar durante 8 épocas numa equipa que consigo ganhou 7 campeonatos consecutivos, 5 Taças de Portugal, 6 Taças da Liga e 4 Supertaças nacionais. Tendo também capacidades para derrotar as melhores equipas do mundo, como fizeram quando em 1993/94 derrotaram, em Badalona, o CB Juventut Badalona, que viria a vencer a Euroliga nessa época, na mesma época eliminaram o KK Olimpija Ljubljana da Euroliga, iriam ganhar a FIBA European Cup, em 1995/96 derrotaram o Panathinaikos BSA, que viria a vencer a Euroliga nessa época, e ainda outros grandes nomes do basquetebol europeu, como o Virtus P Bologna, o CSKA BC, o Hapoel Tel-Aviv BC, entre outros.

Essas equipas tinham grandes jogadores como Mike Plowden, Steve Rocha, José Carlos Guimarães, Henrique Vieira, Pedro Miguel, Luís Silva e, claro, Carlos Lisboa, formaram uma época dourada no basquetebol benfiquista, aquela que todos recordamos com saudade. Uma equipa como nunca houve em Portugal. O tipo de equipas que engrandece um clube, não só pelas vitórias mas também pela arte. Equipas que são relembradas. Essa conjugação de grandes jogadores e grandes treinadores tornou-os ainda mais famosos. Mas mesmo nas grandes equipas há aqueles que sobressaem, depois de Carlos Lisboa, os benfiquistas recordam com saudade os lances de Jean-Jacques.

Começou por ser treinado por Tim Shea, que formou esta grande equipa, depois por Mário Palma, que brilhou com a equipa. Em 8 anos apenas não ganhou o campeonato no seu último ano, aquele que marcou também a despedida de outro grande ídolo - Carlos Lisboa. Foi jogar para França, para o CSP Limoges, equipa que 4 anos antes havia sido campeã europeia, jogou ainda no CB Unicaja Málaga e volltou a Portugal para terminar a carreira na equipa da Portugal Telecom, onde ganhou mais três campeonatos. Com a sua selecção participou em 2 Jogos Olímpicos e foi 7 vezes campeão africano (recorde).

Era um poderosíssimo jogador defensivo, mas sobretudo, o tipo de jogador, que devido à sua espectacularidade, os adeptos querem pagar para ver jogar, como Carlos Lisboa, Panchito Velázquez, Ricardinho ou Pablo Aimar, quando tocava na bola sentia-se que o valor do bilhete estava garantido. 

É com orgulho benfiquista que o vejo no Hall of Fame da FIFA. Está também no Hall of Fame da memória de muitos de nós.

Termino a mostrar-vos uma das suas jogadas mais famosas e mais importantes. Em Almada, na vitória contra o Panathinaikos BSA, fez este estrondoso afundanço contra a lenda da NBA Dominique Wilkins: